sábado, 1 de julho de 2017

SOLA SCRIPTURA - Parte 1/5


“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” (Salmo 119:105).

INTRODUÇÃO:

Em 2017 estamos comemorando 500 anos da Reforma Protestante, ocorrida no século XVI.  Na verdade, a Reforma não deveria ser considerada um movimento pontual, circunscrito apenas ao século XVI. De forma que, em qualquer tempo em que servos de Deus se levantem corajosamente contra erros teológicos, doutrinários ou heresias, aí estará havendo uma Reforma: “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est”. Porém,  fixaremos nosso olhar no século XVI, em virtude dessa comemoração.

Pra entendermos um pouco acerca do cenário encontrado por Lutero e por outros Reformadores, devemos retroceder ao século IV. Mais precisamente a 313 d.c, quando assume o governo do Império Romano um homem chamado Costantino, depois de anos de violenta perseguição aos cristãos, desde Atos capítulo 8. Vendo que todo o massacre imposto à igreja de Cristo tinha sido em vão, o imperador Constantino disse ter se convertido ao Cristianismo, numa espécie de atitude muito parecida com aquela que se diz de um inimigo muito forte: “se não pode vencê-lo, junte-se a ele”. Sua conversão é contestada por muitos historiadores, que parecem sugerir que teria sido uma decisão política e estratégica.

Constantino, então, em 325, emite um decreto proibindo a perseguição aos cristãos. Mais que isso: o cristianismo agora se tornaria a região oficial do Estado.  Isso trouxe duas consequências para o Cristianismo:

Uma positiva: os Cristãos deixaram de ser perseguidos e barbaramente mortos.

A outra foi terrível: como não era boa política ser de uma religião diferente da do Imperador, muitas pessoas acabaram vindo para o Cristianismo sem a devida conversão.

A partir disso, a genuína igreja de Cristo no ocidente começou a entrar num processo de afastamento das escrituras e, como consequência, de gradação moral. Isso só piorou quando no século V o Bispo da Igreja de Roma se autodenominou “maioral dentre todos os outros Bispos”, devido seu poderio bélico e sua influência política desenhando, assim, um processo de centralização de poder na igreja, que culminaria com a estrutura da Igreja Católica Romana Romana como  conhecemos hoje. 

A igreja do ocidente ia de mal a pior. Umberto Ecco, em seu livro “O nome da Rosa”, que conta a história da igreja no século XIII, retratou bem a situação em que a igreja se encontrava: não era raro padres e religiosos sacrificando a demônios nos porões da igreja, depois das missas.

Quando a genuína igreja de Cristo, no ocidente, chega ao século XVI  já está completamente desviada dos preceitos da palavra de Deus. Aqui temos uma grave advertência: se a igreja de Deus se corrompeu no passado também pode se corromper hoje, bastando para isso começar fazendo pequenas concessões, sob a aprovação e olhar passivo de sua liderança. Mas nada é tão ruim que não possa piorar: a igreja, então, passou a vender indulgências, que em última análise é a venda de perdão, de salvação das almas presas no purgatório. Isso foi a gota d’água que faltava para estourar de vez a Reforma Protestante.

O restante da história todos já conhecem: Lutero fixou 95 teses na porta da Abadia de Wintemberg, na Alemanha, onde era padre, monge agostiniano, combatendo todos os erros da igreja de sua época e UM DESSES ERROS TINHA A VER COM O TEMA QUE ESTAREMOS ABORDANDO: A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS. Teria a igreja autoridade para assumir uma prática religiosa sem que essa tenha embasamento nas sagradas escrituras? Essa era a grande questão que norteou todas os embates dos Reformadores contra a igreja católica.

Vale salientar, ainda, que apesar da Alemanha ser considerada como berço da Reforma Protestante, não é justo circunscrever e resumir o movimento da Reforma do século XVI a esse país e ao próprio Lutero. Movimentos de repulsa e combate aos desmandos da igreja medieval já ocorriam em várias partes, como por exemplo, na Escócia, na França, na Suíça e na própria Itália. Também não é correto dizer que esse movimento tenha iniciado e terminado no século XVI. Em todos os desvios da igreja e do povo de Deus, Ele sempre preservou seus servos para realizar o contraditório e trazer a igreja de volta aos caminhas dos Seus preceitos. O padre John Huss, queimado vivo em Constança, no século XIII, já lutava contra os erros da Sé Romana.

O resumo de todas as lutas e combates dos Reformadores do século XVI podem ser resumidas no que comumente é chamado de OS SOLAS DA REFORMA. ABORDAREMOS UM DESSES SOLAS:

TEMA: SOLA SCRIPTURA.

Sola Scriptura significa: SOMENTE A ESCRITURA. Dividiremos nossa explanação, depois desse apanhado histórico, da seguinte forma:

1- O QUE NÃO É O SOLA SCRIPTURA;

2- O QUE É O SOLA SCRIPTURA;

3- O EMBATE ENTRE O SOLA SCRIPTURA E OS ERROS DA IGREJA NO SÉCULO XVI;

4- O EMBATE ENTRE O SOLA SCRIPTURA E O PENTECOSTALISMO NO SÉCULO XIX E XX;


5- O EMBATE ENTRE O SOLA SCRIPTURA E O RELATIVISMO NOS NOSSOS DIAS.

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