quarta-feira, 30 de novembro de 2016

BREVES REFLEXÕES SOBRE SOBERANIA DE DEUS E RESPONSABILIDADE DO HOMEM

O Decreto eterno de Deus tem como certo TODAS AS COISAS que Deus DECRETOU. Elas não acontecem porque Ele as anteviu por sua presciência, mas porque decidiu que fossem assim. A PROVIDÊNCIA de Deus cuida para que Seus DECRETOS ocorram no tempo. 

O Decreto de Deus contempla também a liberdade do homem, que decide CONTINGENCIALMENTE de acordo com suas próprias inclinações. Deus, através de sua Providência, EM ALGUNS CASOS, não age positivamente para modificar a VONTADE e decisão do homem para fazer cumprir o seu decreto, posto que a escolha CONTINGENCIAL que o homem fez livremente (o que significa que podia ter decidido de outra forma) já CONTEMPLA o que fora decretado na eternidade, como o que ocorreu com Judas. Havia um decreto que Cristo morreria na cruz. As escolhas LIVRES e RESPONSÁVEIS de Judas, motivadas simplesmente por sua ganância e avareza, sem nenhuma intervenção propositiva da providência e sem que houvesse nenhuma inclinação sobrenatural do seu coração, mas apenas por sua livre vontade de obter lucro, se encarregaram de conduzir o processo COMO ESTAVA DECRETADO ANTECIPADAMENTE. 

Em OUTROS CASOS, porém, quando a escolha CONTINGENCIAL do homem vai de encontro ao que foi decretado por Deus, Sua providência age positivamente para corrigir os rumos da história e assegurar o cumprimento do decreto de Deus. Nesse caso, temos uma ação divina que contraria e intervém na VONTADE EXTERNA do homem, assim como um pai que proíbe um filho de executar seu querer, sem, contudo, mover seu coração para deixar de querer o que queria antes. 

Um exemplo desse segundo caso é o que aconteceu com Jonas. Havia um decreto que os moradores de Nínive se converteriam a Deus. Jonas, porém, agiu de forma contrária ao que estava decretado. Se não houvesse a intervenção da providência, de forma assertiva e até contrária à vontade de Jonas, esse decreto não poderia ter sido executado como previsto para aquele momento histórico. Porém, como não há possibilidade de não ocorrer o que foi decretado, a providência de Deus utilizou-se até mesmo de meios não convencionais, fazendo até um grande peixe cuspir gente, para assegurar que seu decreto eterno fosse finalmente executado no tempo e na história. 

Resumindo: Deus é soberano e o homem é responsável. Deus decreta absolutamente tudo que acontece, mas isso não exime o homem da culpa que lhe cabe.

BREVE REFLEXÃO SOBRE O CRISTÃO E A LINGUÁGEM TORPE

"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem" (Ef 4:29). 
Um cristão não deve e não pode desandar sua boca em palavrões; assim como, naturalmente, mesmo não sendo cristã, uma pessoa decente e educada tb não o faz. Cabe a cada um o dever de refrear sua própria língua, sob pena de uma desnecessária exposição do sobrenome de cristão, da igreja, do princípio escriturístico acima e do próprio Cristo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ELEIÇÃO INCONDICIONAL E A GRATIDÃO - PARTE 2/3


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS REFORMADOS, AGOSTINHO E OUTROS TEÓLOGOS SOBRE A DOUTRINA DA ELEIÇÃO?

No sínodo de Dort, foi elaborada a seguinte contra-argumentação, relativamente ao condicionamento ou não da eleição do homem, por Deus, a algum movimento ativo desse homem:

Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído pela sua própria culpa de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, porém envolvidos na mesma miséria dos demais. São escolhidos em Cristo, quem Deus constituiu, desde a eternidade, como Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação (DORT, 1996, p.34).

Agostinho também subscrevia uma eleição incondicional, como afirma:

Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes (AGOSTINHO, 1999, p.194).

Como bem afirma Spencer, em seu famoso livro TULIP:

Se a eleição dependesse do homem, ele nunca creria, porque o homem é totalmente depravado e incapaz de fazer aquilo que é bom aos olhos de Deus. Deixando a si mesmo para decidir-se por cristo, sem que antes a fé lhe seja outorgada por um ato de Deus, o homem nunca irá a Cristo”. (SPENCER, 1992. p.39).

Já a Confissão de Fé de Westminster, afirma:

Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições Ref. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.

E ainda:
Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa. Ref. Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9-10; Rom. 9:11-16; Ef. 1: 19: e 2:8-9. (WESTMINSTER, 1999. p.13)


ANÁLISE DE TEXTOS:

Analisemos o texto Escriturístico:

Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza (Lucas 10:13).

Nesse texto, fica muito evidente que o decreto de Deus sobrepõe-se à sua presciência. Deus conhece todas as possibilidades, evidentemente, mas permite acontecer tão somente o que já de antemão decretou.

A confissão de Westminster, em seu capítulo sobre os “Eternos decretos de Deus”, faz as seguintes afirmações:

Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições Ref. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.
E ainda:

Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa. Ref. Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9-10; Rom. 9:11-16; Ef. 2:8-9. (WESTMINSTER, 1999. p.13)

Sobre Romanos 9, Sproul, em um de seus vídeos, afirma:

Vejo dois grupos de homens. A um grupo ele permite que pereça. Acaso há injustiça aqui? Claro que não. Um grupo recebe graça e o outro grupo recebe justiça. Porém, nenhum dos grupos recebe injustiça.


CONCLUSÃO: uma vida agradecida

Concluímos com o Salmos 73:24-26. O salmista Asafe se viu numa situação de profunda depressão ao olhar para os outros e perceber que eram sadios e que viviam regaladamente, no que diz respeito às finanças. “Faltou pouco para que seus pés desviassem”, como ele mesmo afirma. “Até que entrou no santuário de Deus”, isto é, até que começou a ver as coisas a partir do ponto de vista de Deus. Ele acaba reconhecendo que nada mais importa nessa vida; que Deus já o havia coberto de todas as bênçãos espirituais, além da mais importante de todas: a salvação. Nada mais importava. O eleito de Deus deve ter essa profunda convicção. Ainda que Deus não o abençoe com absolutamente mais nada, ainda assim terá razão de sobra para adorar a Deus e bendizer seu Santo nome.


Tu me diriges de acordo com os teus desígnios, e no fim me acolherás em glória. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti! Embora minha carne e meu coração definhem, Deus é a rocha do meu coração e minha herança para sempre (Salmo 73:24-26).

domingo, 13 de novembro de 2016

ELEIÇÃO INCONDICIONAL E A GRATIDÃO - PARTE 1/3


INTRODUÇÃO:

Você sabia que o Arminianismo também crê na doutrina da Eleição? Embora essa seja uma doutrina que tem caracterizado o Calvinismo, os Arminianos também acreditam nela. Na verdade, não daria para negá-la diante de tantos textos e tantas evidências escriturísticas.

Mas, obviamente que a INTERPRETAÇÃO ARMINIANA da doutrina da Eleição difere da INTERPRETAÇÃO CALVINISTA, da INTERPRETAÇÃO REFORMADA.

Antes de abordar a diferença entre essas duas formas de interpretar a mesma doutrina, vamos conhecer o contexto histórico desse embate teológico, que já perdura por séculos:

CONTEXTO HISTÓRICO:

Podemos pensar na doutrina da ELEIÇÃO como sendo parte de uma corrente. Então temos uma corrente ARMINIANA e uma corrente CALVINISTA, cada uma com CINCO ELOS. A doutrina da ELEIÇÃO é um desses elos.

A corrente ARMINIANA ficou conhecida como OS CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO  e a corrente CALVINISTA como OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO.

Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um “documento” que ficou conhecido na história como “Remonstrance” ou “Protesto”, que fora apresentado ao Estado da Holanda pelos “discípulos” do professor de um seminário holandês chamado Jacob arminius (1560-1600), com o objetivo mudar os símbolos oficiais de doutrinas das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg ), substituindo-os pelos ensinos do seu mestre.

Mesmo estando inserido na tradição reformada, Arminius tinha sérias dúvidas quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpático aos ensinos de Pelágio e Erasmo, no que se refere à livre vontade do homem.

Desta forma, a única razão pela qual “Os Cinco Pontos do Calvinismo” foram elaborados era a de responder ao documento apresentado pelos discípulos de Arminius. Perceba que quem começou a provocação foram os Arminianos.

Em 1618, um Sínodo Nacional da Igreja reuniu-se em Dort para examinar os ensinos de Arminius à luz das Escrituras. Depois de 154 calorosas sessões, que consumiram sete meses, Os Cinco Pontos do Arminianismo foram considerados contrários ao ensino das Escrituras e declarados heréticos.

DEFININDO OS TERMOS:

Qual a diferença então entre a interpretação Arminiana e Calvinista da doutrina da Eleição?

A diferença está BASICAMENTE na adjetivação que se dá à doutrina da ELEIÇÃO.

a)    Os ARMINIANOS dizem que a ELEIÇÃO é CONDICIONAL
b)   Os CALVINISTAS dizem que a ELEIÇÃO é INCONDICIONAL

Vamos definir os termos, então:

     a)    ELEIÇÃO é CONDICIONAL:

Deus olha para o futuro e ver as pessoas que irão crer nele e as que não irão crer. Com base nessa presciência, nessa antevisão, nessa visão antecipada do futuro, nesse atributo incomunicável da PRESCIÊNCIA e só por isso, DEUS resolve eleger, salvar ou melhor, REGISTRAR a eleição do homem, por conta de sua boa atitude de CRER EM DEUS.

     b)    ELEIÇÃO INCONDICIONAL:

O segundo ponto do Calvinismo, Eleição Incondicional, tem por objetivo combater o também segundo ponto do arminianismo – Eleição Condicional -. Armínius e seus seguidores acreditavam que Deus havia elegido os homens que elegeu baseado em seu pré-conhecimento ou presciência. Ou seja, Deus anteviu aquele que iria, por seu próprio mérito, (não podemos esquecer que o homem arminiano é um homem que ainda está habilitado, mesmo depois da queda, a buscar a Deus mesmo sem que, necessariamente, haja alguma intervenção divina para isto) crer Nele, e, por conta disso, o elegeu. Isso faz de Deus um mero jornalista que apenas registra os “atos soberanos” do homem.

Na visão calvinista, diferentemente da arminiana, nada havia no homem, que fosse condição, a seu favor, para que justificasse um merecimento, por menor que seja, muito menos ainda um merecimento do tamanho da salvação eterna.


A eleição de Deus baseou-se exclusivamente por sua graça (que por definição já denota um favor não merecido) e imensa bondade. Isso faz de Deus o autor da salvação e não apenas um coadjuvante dos direcionamentos humanos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

QUEREM DINIMUIR AINDA MAIS O TRABALHO DOS PASTORES

Tenho postado e chamado a atenção dos pastores, no bom sentido e de forma geral, não pensando, obviamente, em nenhum especificamente, de que eles precisam TRABALHAR MAIS e se DEDICAR MAIS  às igrejas locais, onde pastoreiam. 

Em 2011 publiquei a polêmica postagem "Fórmula pra saber se seu pastor ganha bem", que pode ser lida clicando no link: http://filosofiacalvinista.blogspot.com.br/2011/07/formula-pra-saber-se-seu-pastor-ganha.html.

Quando trato desse assunto meu objetivo é um só: que a igreja local seja mais beneficiada com o importante trabalho do seu pastor.

Na contramão da maioria dos membros das igrejas locais, que entendem, percebem e precisam que seus pastores se DEDIQUEM MAIS ao seu ministério local, recentemente tive o desprazer de ler um texto no facebook, cuja a tônica era "15 motivos pelos quais seu pastor não deve visitar muito". Pior: esse texto foi compartilhado e até ovacionado por muitos pastores. Imagino que muitos devem ter marcado os membros de suas igrejas, para que pudessem ler o infame texto. Lamentável!

O infeliz texto, em nossa opinião, traduzido para o português, é de autoria de Tom Rainer.  Alguém conhece? Vou transcrever cada um dos 15 motivos pelos quais o pastor não deve visitar muito e tentar comentar um a um (os comentários estarão em vermelho). Segundo o autor, PASTOR VISITAR MUITO:

1- Não é bíblico. Efésios 4.12 diz que pastores devem treinar os santos ou crentes para fazerem a obra do ministério. Isso significa que os pastores não devem fazer toda a obra. Usar esse texto de Efésios para defender tal ideia chega a ser desonesto. Por esta mesma forma tacanha de interpretação cabe até dizer também: "pastores não devem pregar muito; devem treinar os santos ou crentes para fazerem a obre do ministério".

  2- Priva os membros de seus papéis e oportunidades. A segunda parte de Efésios 4.12 claramente nos informa que o ministério é para toda a igreja. Quando o pastor faz tudo ou a maior parte do ministério, os membros são privados de uma oportunidade dada por Deus. Que ministérios? Da muita visitação? Tá de brincadeira?

    3-  Fomenta uma mentalidade de clube de campo. “Nós pagamos o salário do pastor. Ele trabalha para nós, para fazer a obra e nos servir”. Dízimos e ofertas tornam-se mensalidades de clube de  campo a serem usufruídas. Repito: pela mesmíssima argumentação furada se poderia dizer o mesmo em relação à pregação, por exemplo. Pastores: não caiam nessa; isso vai ser um tiro no pé. Daqui a pouco os senhores não farão mais nada e a igreja vai acabar percebendo.

4-  Desvia uma igreja interiormente. Os membros ficam perguntando o que o pastor está fazendo por eles, em vez de perguntarem-se como eles podem servir outros através da igreja. Ou seja, pague a côngrua pastoral em dias, 13º, férias, etc, mas não cobre nunca dele dedicação e cuidado com o rebanho.

5-  Diminui a preparação do sermão. Esses mesmos membros que se queixam que o pastor não dedicou tempo suficiente no sermão são os mesmos que esperam que o ele os visite. Esse ponto chega a ser patético. Até parece que quando o pastor não está visitando está “preparando o sermão”. E o tempo que ele gasta: a) levando o filho na escola, b) malhando na academia, b) almoçando com outros amigos pastores, c) jogando futebol, d) indo ver o jogo do seu time, e) viajando, f) cuidando de outra atividade profissional, g) fazendo Faculdade ou outro curso qualquer para crescimento pessoal e etc, não conta? Detalhe: a maioria dos pastores são de “tempo integral”. Pra quem?

6-  Tira o foco externo do pastor. Se os pastores passam todo ou maior parte do seu tempo visitando, como se pode esperar que eles entrem na comunidade e compartilhem o evangelho? Ai, aí, releia a parte em vermelho do ponto 5.

7-  Subtrai a liderança essencial do pastor. Como podemos esperar que os pastores liderem se não lhes damos tempo para tal, uma vez que estão ocupados com a visitação de membros? Tá bom! Quando não está visitando ele está liderando? Ok!

8-  Fomenta comparações perniciosas entre os membros. “O pastor visitou os Silvas duas vezes este mês, mas me visitou apenas uma”. O que dirão aqueles (a grande maioria) que nunca receberam uma visita do pastor?

9-  Nunca é o suficiente. Quando as igrejas esperam que seus pastores façam a maior parte das visitas, elas possuem uma mentalidade de concessão de direitos. Tal mentalidade nunca pode ser satisfeita. Vamos mandar todos os membros aos seminários para saberem o que vão dizer nas visitas. As pessoas querem e precisam uma visita de alguém preparado para lhe dar com seus conflitos: o pastor;

10-     Conduz ao esgotamento pastoral. Aos pastores, é impossível manter o ritmo que se espera de todos os membros cumulativamente, especialmente na área da visitação. Pois é! Academia, envolvimento com outras atividades profissionais e/ou acadêmicas para fins de crescimento pessoal, familiares, etc, não né?

11-    Conduz a uma alta rotatividade pastoral. O esgotamento conduz à rotatividade pastoral. Ministérios de curta duração não fazem bem às igrejas. Reler a parte em vermelho do ponto 10.

12-     Restringe o crescimento da Grande Comissão da igreja. Um dos grandes obstáculos para o crescimento de igrejas é a expectativa de que uma pessoa faça a maior parte do ministério, especialmente a visitação. Esse tipo de dependência resulta numa restrição ao crescimento. Sério? A grande comissão era pra os membros das igrejas visitarem-se uns aos outro? Sabia não!

13-     Leva os pastores a obterem seus reconhecimentos da fonte errada. Eles se tornam agradadores de pessoas, em vez de agradadores de Deus. Confesso que esse eu não entendi. Devo tá pensando errado. Acho que o autor não escreveria uma besteira tão grande!

14-      Faz com que membros de igrejas bíblicas deixem-nas. Muitos dos melhores membros de igrejas as deixarão porque sabem que a igreja não foi feita para funcionar dessa maneira. A igreja, assim, fica mais fraca. Tá apelando?

15-    É um sinal de que a igreja está morrendo. Os dois comentários mais comuns de uma igreja que está morrendo são: “Nunca fizemos isso desse jeito antes”, e “Por que o pastor não me visitou?”. Se o pastor visitar muitos membros é sinal que a igreja está morrendo? Tô preocupado para que os pastores não morram de estafa. 

É mais que evidente que ninguém normal quer que o pastor passe todos os dias e todas as horas disponíveis em visitação. Só alguém muito retardado pra pensar que se pensa assim. Você pode dizer também que a presente análise não é séria e está cheia de "gracejos". Bem, é possível. Peço desculpas: é que esse tipo de assunto irrita de forma particular.

O Pastor Thabiti Anyabwile, em seu livro "Encontrando Presbíteros e Diáconos fiés", publicado pela editora Fiel, faz uma afirmação bem interessante e que nos leva a refletir sobre o trabalho que o pastor deve executar em sua igreja local. Diz ele:

    Um pastor vigia sua vida quanto ao descanso e a recreação necessários. Deve haver descanso adequado e recreação apropriada na agenda de um pastor. Para estar certo de que tem o descanso devido, o pastor deve receber com agrado comentários sobre sua agenda de atividades e de seus hábitos de trabalho" (ANYABWILE, 2015, p.214).

Mas, será mesmo que a maioria de nossos pastores ouviriam, sobre sua agenda de trabalho: "o senhor precisa descansar, está trabalhando muito, estudando muito, visitando muito"?

Abordando especificamente sobre a questão da visita, o Pastor Franklin Ferreira, sobre o ministério do Puritano Richard Baxter, autor de “O pastor Aprovado”, afirma:  

Sua prática consistia em visitar sistematicamente as famílias, com o propósito de tratar espiritualmente com cada uma delas. Baxter visitava sete ou oito famílias por dia, duas vezes por semana, a fim de visitar todas as oitocentas famílias de sua congregação a cada ano. “Primeiramente eu as ouvia recitar as palavras do catecismo ele usava o Breve Catecismo de Westminster,18 e então examinava as respostas quanto ao seu sentido, e, finalmente, exortava as famílias, com toda a capacidade de raciocínio e veemência, a fim de que tais estudos resultassem em sentimento e prática. Eu passava cerca de uma hora com cada família”.Conforme: http://www.monergismo.com/textos/pastores/servo_baxter.pdf

Joseph A. Pipa Jr, em brilhante artigo sobre “A tarefa esquecida da visita pastoral”, afirma:
 
Minha primeira visita pastoral foi a primeira que fiz quando era um jovem pastor. Naquele tempo, eu já estava na igreja há onze anos. Meu caso não era único na época e nem o é hoje. Estou certo de que muitos de vocês irão se identificar com a minha experiência. De fato, muitos leitores não reconhecerão que estavam sendo privados de algo que era uma parte essencial da experiência da igreja. Em nossos dias, o trabalho pastoral é absurdamente negligenciado. Muitos pretensos pastores enchem suas vidas de assuntos administrativos ou acadêmicos de forma que eles possuem pouco tempo para as pessoas do rebanho. Outros têm igrejas tão grandes que  não conseguem sequer começar a pastorar os membros de suas congregações.  Cada vez mais, esses homens abordam a supervisão congregacional como se fossem o Chefe do Poder Executivo. Mas, mesmo em nossas pequenas igrejas reformadas, o ministro frequentemente negligencia o importante trabalho de pastorear.  Muitos membros de igreja somente recebem visita quando estão doentes (e olhe lá). Não podemos saber a condição de nosso rebanho ou ministrar efetivamente a ele sem fazer cuidadosamente o trabalho de visitação às famílias. Além disso, esse trabalho é necessário para a cimentação da verdade e de seus resultados na vida das pessoas.

Ele ainda afirma:

Historicamente, a visitação pastoral era parte do trabalho esperado de um pastor reformado. Nossos pais na fé levaram essa parte do trabalho ministerial muito a sério. Calvino, os Puritanos, os Ministros Escoceses e os Presbiterianos e Batistas Americanos era comprometidos com o trabalho da visitação pastoral. A respeito dos puritanos, Parcker escreveu: Baxter separava dois dias por semana, terças e quartas, para realizar esse trabalho. Cópias do Breve Catecismo de Westminster foram distribuídas para todas as famílias da paróquia (cerca de 800). A reunião do conselho acontecia uma semana antes de famílias a serem visitadas serem contatadas já  com o tempo e o lugar das visita. Dessa forma, Baxter visitava por volta de 15 famílias por semana.

Pipa finaliza:

Uma palavra aos ministros. Nós ouvimos muito, e ainda bem que sim, sobre igrejas comprometidas com os meios de graça. Pois eu digo que se em seu ministério não há espaço para uma sistemática visitação pastoral, então você está negligenciando um importante meio de graça.  Eu desafio você a repensar sua filosofia ministerial. Se você não tem feito regulares visitas pastorais, eu encorajo você a se arrepender e a buscar pela graça de Deus para começar imediatamente. Conforme: http://reforma21.org/artigos/a-tarefa-esquecida-da-visita-pastoral.html

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A CONTRIBUIÇÃO DO CALVINISMO NA CRIAÇÃO DE UM AMBIENTE FAVORÁVEL À ÉTICA E À MORAL, A PARTIR DA ATITUDE INDIVIDUAL - Parte 3/3


Essa nova atitude traz profundas implicações éticas e morais, criando no “eleito”, naturalmente, uma espécie de doutrina da “prova” de sua eleição, isto é, o eleito deveria viver de tal forma que sua pregação fosse completamente ajustada e alinhada à sua práxis, bem como deveria fazer girar todos os seus outros objetivos em órbita daquele que é a razão da sua própria vida nova: a glória de Deus; eliminando também, com isso, por completo, qualquer possibilidade alienante de “salvação por obras ou por sacramentos mágicos”.

Além disso, a antiga dicotomia romana entre Sagrado e Profano cai por terra. Para Calvino e seus seguidores não apenas as atividades relacionadas à religião e a fé deveriam glorificar a Deus, antes, pelo contrário, absolutamente tudo, inclusive atividades consideradas “seculares”, como a comercial, por exemplo, deveriam ser direcionadas aos céus, sob pena de não serem realizadas, não havendo nem mesmo um só instante que ficasse de fora, todos eles deveriam trazer em si a preocupação de glorificar a Deus.

Weber parece ter percebido isso com muita clareza quando afirma:  “O Deus de Calvino exigia de seus crentes não boas ações isoladas, mas uma vida de boas ações combinadas em um sistema unificado” (WEBER, 2002. p.91).

Como já vimos o Calvinismo não é apenas uma questão de fé nem tão pouco um complicado conglomerado metafísico que não reflete nas atitudes do cotidiano das pessoas, antes, pelo contrário, o Calvinismo invade todas as áreas do ser, inclusive a que o catolicismo considera “secular”, como observa Weber:
 
O efeito da Reforma foi o de aumentar em si mesmo, se comparado à atitude católica, e aumentar de forma poderosamente a ênfase moral e a sanção religiosa em relação ao trabalho secular organizado no âmbito da vocação” (WEBER, 2002. p.128).

É uma verdadeira avalanche mista de conhecimento profundo e prática anexada: “O teólogo norte-americano BB.Warfied descreve o Calvinismo como sendo a visão da majestade de Deus que permeia a vida e a experiência como um todo” (MARTINS, 2001, p.9).

Seguindo a orientação Paulina, os Calvinistas procuram “fazer todas as coisas como se estivessem fazendo para Deus” (RM 14:23, FP 2:3-15).

Weber confirma isso ao afirmar que: “No curso de seu desenvolvimento, o calvinismo acrescentou algo de positivo a isso tudo, ou seja, a ideia de comprovar a fé do indivíduo pelas atitudes seculares” (WEBER, 2002. p.120).

Finalmente, concluímos com as palavras sintetizadoras de Bieller:

Este dogma da predestinação engendrou o individualismo [...], este dogma teve principal efeito engendrar, entre aqueles que aceitavam as suas grandiosas consequências, indefectível sentimento de comunhão individual com Deus, comunhão que nada no mundo poderia alterar [...]. É esta inabalável e exclusiva confiança na só decisão de Deus sobre a sorte de cada um que e causa do tão acusado individualismo que caracteriza todas as populações influenciadas pelo Puritanismo [...]; eis aí um dos caracteres que o calvinismo comunicará a toda organização social que criará e que, ainda hoje, permanece vivo, na condição de um sentimento profano, nas populações protestantes secularizadas [...]. Este individualismo imprime igualmente sua marca na concepção peculiar do Calvinismo do amor ao próximo. Não é o próximo considerado em si mesmo, que é gerador deste amor; é-o a ordem e o mandamento de Deus que quer que todo o universo se conforme a Seu propósito, para Sua só glória. É assim que o exercício de um trabalho e de uma profissão é uma atividade divina ordenada para o serviço do próximo [...]. O autêntico serviço do próximo é a busca da glória de Deus e não da glória da criatura. Tudo quanto o homem empreende, para seu Deus ou para seu próximo tem, pois, certo caráter utilitário: deve ser útil à glória de Deus. E é este fim último comum a todos os atos e a todas as atividades da vida que dá à existência inteira, segundo a moral calvinista, um caráter ascético[1] (BIÉLER, 1999. p.630,631).


REFERÊNCIAS

BIÉLER. André. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. São Paulo: CEP, 1990. p

LEITE. Cardoso. Cosmovisão Cristã e Transformação: espiritualidade, razão e ordem social. Ultimato: Viçosa-MG, 2006. pg.57

LEMBO. Cláudio. O Pensamento de João Calvino. São Paulo: Makenzie, 2000. 117.p

MARTINS. A.N. As inplicações Práticas do Calvinismo. São Paulo: Ed.Os Puritanos, 2001. p

NICODEMUS. Augustos. FIDES REFORMATA. V.1, n.1. São Paulo: Editora Makenzie, 1996, p.

PACKER.J.I. Entre os Gigantes de Deus. São Paulo: Ed.Os Puritanos. 1991. p

PORTELA. Solano. FIDES REFORMATA. V.1, n.1. São Paulo: Editora Makenzie, 1996, p.

RYKEN.Leland.Santos no Mundo. São José dos Campos-SP: Editora Fiel. 2013.p

WEBER.Max. Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2002.224 p.

WESTMINSTER. Confissão de Fé de Westminster. Rio de Janeiro: Cultura Cristã, 1999. p.

WESTMINSTER. Catecismo Maior. Rio de Janeiro: Cultura Cristã, 1999. p.



[1] O ascetismo ou asceticismo é uma filosofia de vida na qual são refreados os prazeres mundanos, onde se propõem a austeridade. Aquelas que praticam um estilo de vida austero definem suas práticas como virtuosa e perseguem o objetivo de adquirir uma grande espiritualidade.

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