domingo, 28 de maio de 2017

O OLHAR DOS PRESBITERIANOS FRENTE À HOMOSSEXUALIDADE


Antes de tudo...

É preciso entender que “Presbiteriano” não é o nome de uma igreja e, sim, o nome de um regime de governo, onde alguns governam todos. Portanto, toda igreja que é governada por presbíteros pode ser chamada de presbiteriana;

É preciso entender também que a “Igreja Presbiteriana” não tem um governo mundial, como a igreja católica, por exemplo. Portanto, não há nenhuma ligação governamental entre os presbiterianos existentes nos mais variados países e até mesmo há "presbiterianos" e "presbiterianos" numa mesma localidade, sem, contudo, terem nenhum tipo de relação eclesiástica, necessariamente.

É preciso entender que existem várias “Igrejas Presbiterianas”;  uma independente da outra. Por exemplo: Igreja Presbiteriana Conservadora, Igreja Presbiteriana Independente e muitas outras que têm se mantido fieis ao princípio de ter na bíblia sua única regra de fé e de prática. Outras, porém, tendo abraçado o liberalismo teológico, que relega as opiniões bíblicas a um plano quase que inexpressível, têm se desviado dos preceitos mais basilares da Reforma Protestante e da ortodoxia Cristã, a exemplo da Igreja Presbiteriana Unida e da PCUSA, ambas com um olhar inclusivo em relação à homossexualidade, permitindo até mesmo a ordenação de homossexuais ao ofício de ministros.

É preciso entender, por fim, que o olhar que apresentaremos é o olhar da IPB – IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL frente à difícil questão da homossexualidade.

Esse OLHAR DOS “PRESBITERIANOS DO BRASIL” será dividido da seguinte forma:

a) Do ponto de vista da definição da homossexualidade;
b) Do ponto de vista bíblico;
c) Do ponto de vista confessional;
d) Do ponto de vista de seus documentos mais recentes.

Passemos a analisar, portanto, cada um desses pontos de vista:

a)  Do ponto de vista da definição da homossexualidade:

TEORIAS sobre as possíveis causas da homossexualidade:

a1) DETERMINISMO BIOLÓGICO: afirma que os homossexuais simplesmente nasceram assim e que isso não pode ser mudado. O principal ícone dessa teoria é Alfred Kinsey. Outro pesquisador, Simon Levay, importante defensor dessa teoria, chega a afirmar que a causa da homossexualidade é uma  alteração nos neurônios. O grande problema dessa teoria é que Faltam evidências empíricas comprobatórias;

a2) DISTÚRBIO MENTAL: afirma que a homossexualidade é causada por distúrbios mentais. Em 1973 a Associação Psiquiátrica Americana retirou a homossexualidade da relação de doenças mentais;

a3) FATORES PSICOSSOCIAIS: A maneira como a criança é criada vai determinar sua sexualidade. A teoria Queer parece seguir esse modelo teórico, levando-o ao extremo, afirmando que a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos são o resultado de um “constructo social”. Muitos desavisados e outros tantos por pura má-fé, têm ensinado os conceitos da teoria Queer como uma verdade absoluta, como se fora algo naturalmente dado e inquestionável. Mas ela é apenas uma teoria, carente, inclusive, de provas factuais e inequívocas.

Um fato digno de nota é que a maioria esmagadora das teorias anula o aspecto volitivo do indivíduo homossexual.

a4) Diante da falta de evidências inequívocas, as igrejas cristãs tradicionais, entre as quais a IPB, entendem que é mais correto pensar na homossexualidade como uma PREFERÊNCIA ADQUIRIDA. É evidente que as influências psicossociais têm seu grau de comprometimento na apresentação, influência e encantamento do indivíduo quanto à homossexualidade. Contudo, o fator preponderante para causar a homossexualidade não é outro senão a decisão individual de adotar tal comportamento.

b)  Do ponto de vista bíblico:

A IPB é uma igreja Reformada que tem a bíblia como sua ÚNICA regra de fé e de prática. Portanto, seu olhar sobre a homossexualidade, antes de qualquer coisa, é o olhar da bíblia sobre a homossexualidade, à luz da interpretação da Teologia Reformada e da ortodoxia cristã.

Portanto, nesse sentido, a IPB entende que a prática homossexual, juntamente com outras práticas sexuais, como o adultério, a fornicação, prostituição e a bestialidade (necrofilia, zoofilia, etc), são práticas pecaminosas; pecado.

Por que pecado? Porque são práticas CONTRÁRIAS ao que Deus determinou como práticas naturais e adequadas, em sua palavra. Pecado é tudo que vá de encontro aos preceitos, ordenanças e mandamentos de Deus.

Nesse sentido, alguns ativistas homossexuais têm perguntado: O que fazer com o desejo homossexual?

A IPB, à luz das escrituras, entende que a tentação, em si, não constituí pecado. Só há pecado quando o indivíduo cede à essa tentação. Logo, a resposta é a mesma que seria dada para um  homem casado que se sente tentado por outra mulher ou para um jovem que quer transar com sua namorada antes do casamento: A bíblia ensina que todas essas práticas são pecaminosas e praticá-las se constitui desobediência à Deus, que claramente proibiu tais práticas em sua palavra. Portanto, todos devem lutar para não cair nesses pecados.

Vejamos alguns textos bíblicos que tratam da questão da homossexualidade:

ALGUNS TEXTOS DO VELHO TESTAMENTO:

 GN 1:26-27: Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou. Deus os abençoou e lhes ordenou: “Sede férteis e multiplicai-vos! Povoai e sujeitai toda a terra; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo animal que rasteja sobre a terra;

Lv 18:22 Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; é abominação. 

Dt 23:18 não trarás o salário da prostituta nem o aluguel do sodomita para a casa do Senhor teu Deus por qualquer voto, porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao Senhor teu Deus.

1Re 15:12 Porque tirou da terra os sodomitas, e removeu todos os ídolos que seus pais tinham feito.

ALGUNS TEXTOS DO NOVO TESTAMENTO:

Mateus 19:4-6 Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem;

1Co 6:9 Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas; 

1Tm 1:10 para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina;

Rm 1:26-27 Pelo que Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário à natureza; semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro;

C)  Do ponto de vista confessional

A IPB, por ser uma igreja confessional, tem registrado, de forma clara, tudo aquilo que confessa crer, através da Confissão de Fé de Westminster e dos Catecismos Maior e Breve de Westminster. Vejamos:

CATECISMO MAIOR:

24. Que é pecado? Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou a transgressão de qualquer lei por Ele dada como regra, à criatura raciona. Rom. 3:23; 1 João 3:4; Gal. 3:10-12.

138. Quais são os deveres exigidos no sétimo mandamento? 

Os deveres exigidos no sétimo mandamento são: castidade no corpo, mente, afeições, palavras e comportamento; e a preservação dela em nós mesmos e nos outros; a vigilância sobre os olhos e todos os sentidos; a temperança, a conservação da sociedade de pessoas castas, a modéstia no vestuário, o casamento daqueles que não têm o dom da continência, o amor conjugal e a coabitação; o trabalho diligente em nossas vocações; o evitar todas as ocasiões de impurezas e resistir às suas tentações.Jr 5:7; Pv 2:16,20;5:8,18,19;23:31,33;31:27; Mt 5:28;  I Ts 4:4,5; Ef 4:29; Cl 4:6; I Pe 3:2,7; I Co 5:9;7:2,5,9; I Tm 2:9;5:13,14; Tt 2:4,5;

139. Quais são os pecados proibidos no sétimo mandamento?
 
Os pecados proibidos no sétimo mandamento, além da negligência dos deveres exigidos, são: adultério, fornicação, rapto, incesto, sodomia e todas as concupiscências desnaturais; todas as imaginações, pensamentos, propósitos e afetos impuros; todas as comunicações corruptas ou torpes, ou o ouvir as mesmas os olhares lascivos, o comportamento impudente ou leviano; o vestuário imoderado; a proibição de casamentos lícitos e a permissão de casamentos ilícitos [.. ] e todas as demais provocações à impureza, ou atos de impureza, quer em nós mesmos, quer nos outros.Lv 18:1-21;19:29;20:15,16; Jr 5:7; Pv 4:23,27;5:7,8; II Sm 13:14; II Rs 23:7; Ml 2:16; Ez 16:49; Gl 5:19; Ef 5:5,11; Mt 5:32;19:5,10-12;Mc 6:18,22; I Co 5:1,13;7:2,12,13; Rm 1:26,27;13:13,14;I Tm 4:3;5:14,15; I Pe 4:3; II Pe 2:17,18; Hb 13:4.

CONFISSÃO DE FÉ, CAPÍTULO XXIV - DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO

I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.Gen. 2:24; Mat. 19:4-6; Rom. 7:3. II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa, e para impedir a impureza. Gen. 2:18, e 9:1; Mal.2:15; I Cor. 7:2,9.


C)  Do ponto de vista de seus documentos mais recentes

Manifesto Presbiteriano sobre a PL-122:


II – Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualidade é homofóbica, e caracteriza como crime essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos. Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam quea prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11). Ante ao exposto, por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualidade não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais. Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil não pode abrir mão do seu legítimo direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.Patrocínio, Minas Gerais, abril de 2007 AD.Rev. Roberto Brasileiro Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Nota: Palestra proferida no Fórum Interreligioso Petrôno Portela, em Jaboatão dos Guararapes: 

sábado, 15 de abril de 2017

BREVES REFLEXÕES SOBRE O JUÍZO FINAL


TEXTO BÁSICO: APOCALIPSE 20:1-11

Escrevi um artigo cujo título era: “Cristianismo religião de derrotados”. Neste artigo eu lembrava alguns ensinamentos de Cristo: “negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me (Mat 16:24);  “qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” (Mat.5:39); “quem quiser ser o maior seja o menor” (Lc 22:26). 

Quando olhamos para a história, o que vemos? Cristãos sendo queimados vivos, serrados ao meio, jogados aos leões. 

Quando olhamos para as Escrituras, vemos, por muitas vezes, servos de Deus cansados, sobrecarregados, exaustos . Lembramos aqui do salmista Asafe, que entra em parafuso ao observar a prosperidade dos ímpios e a dor e o sofrimento dos servos de Deus. Leia  Salmo 73:2-14.

Leia  mais um relato absolutamente surpreendente de servos de deus cansados com tanto sofrimento neste mundo: Mal 3: 13-15.
Como não lembrar também de todas as desgraças na vida de Jó?

E os ímpios? Ah, os ímpios. Sempre tripudiando contra a igreja de Cristo, sobre os servos de Deus. E pior: temos a nítida impressão que saem impunes. Portanto, toda essa reclamação que lemos, acaba sendo revestida de justiça; de justa reivindicação.

Talvez você também esteja cansado de tantas derrotas e frustrações. Talvez você cansou de esperar a 2ª vinda de Cristo. Maranata é uma palavra que desapareceu do vocabulário dos crentes. Afinal, desde menino você escuta que Ele voltará para, finalmente, acabar com todo o sofrimento e até agora, nada. O desânimo bate e acabamos até duvidando e repetindo com alguns desavisados o que está registrado em II Ped 3:4.

Mas a bíblia nos ensina que haverá um juízo final.

Um dia onde todos prestarão contas de suas obras perante o tribunal de cristo. E o que será dos ímpios? E o que será da igreja de Cristo, muitas vezes perseguida e massacrada, mas muitas vezes relapsa e desviada. O que será de você no dia do juízo?

O texto inicial, Apocalipse 20: 1-15, vem nos lembrar que haverá um dia em que todos comparecerão perante o tribunal de Cristo; que as coisas não se acabam com a morte; que a morte não é o fim de tudo, como pensam alguns e que por isso vivem desregradamente e desandam suas bocas contra o Senhor. Pelo contrário, a morte mesmo devolverá aqueles que foram tragados por ela e entregará a todos para serem julgados. Veja verso 13.

Pra reforçar a ideia de que inevitavelmente haverá um dia do juízo, leiamos também Malaquias 3:16-4:3.

A CFW, no capítulo XX.I, também defende a existência de um DIA DO JUÍZO.

Agora voltemos ao nosso texto inicial. Prestem atenção a uma informação que está no verso 12, que fala de dois tipos de livros:

A) Fala de “Livros” (onde ficam registrados todos os atos dos homens, que servirão de provas que serão anexadas ao processo condenatório). Perante o tribunal de Deus ninguém poderá se dizer inocente, pois todos os seus atos estarão nos autos do processo, demonstrados e mostrados, de forma que calará o que quiser argumentar em favor de sua própria inocência.

B) Fala de “Outro Livro” – o “Livro da Vida”. Neste livro consta apenas os nomes dos Eleitos. Todos aqueles pelos quais Cristo derramou cada gota do seu precioso sangue e nenhum a mais. Neste livro estará registrado somente os nomes dos SALVOS. É A LISTA DAQUELES QUE ENTRARÃO NOS CÉUS. Seus nomes estarão nessa lista  apenas por um ATO: A MORTE DE CRISTO, QUE FOI O SUBSTITUTO DESSES ELEITOS. DIRÁ LÁ QUE CRISTO MORREU POR ELES E QUE POR ISSO ELES SÃO E ESTARÃO ETERNAMENTE SALVOS.

Perceba: OS ÍMPIOS serão julgados por suas obras, que estarão registradas “NOS LIVROS” e os JUSTOS serão “julgados” pelo que está registrado no “LIVRO DA VIDA”: SEUS NOMES INSCRITOS COM O SANGUE DO CORDEIRO.

Ler Jo 3:18

Agora veja o que diz a CFW XX,II sobre o julgamento de ímpios e de justos

No final das contas, no dia do juízo uma coisa voltará a ficar muito claro, para aqueles que serviram a Deus; que entregaram suas vidas ao trabalho do reino do Senhor; àqueles que abriram mão de muitas benesses que esse mundo oferece: Malaquias 3:18.


Qual o objetivo de estudar esse assunto? Ler CFW XX.III

domingo, 8 de janeiro de 2017

BREVES REFLEXÕES SOBRE O CRISTÃO E A MÚSICA



A boa MÚSICA CRISTÃ glorifica a Deus; divulga os conceitos básicos da fé, do evangelho; nos aproxima de Deus; eleva nosso pensamento ao alto; tem o poder de fortalecer o fraco; reaproxima o desviado e cambaleante na fé, ainda aquele que continua na igreja, com a espiritualidade e com os preceitos de Deus. Mesmo a música cristã que não é boa, na pior das hipóteses, nos lembra do criador, dos céus, de coisas espirituais; ativa nosso senso crítico, desenvolve nosso filtro teológico. A chamada MÚSICA SECULAR, no mínimo, não faz nada disso e na maioria das vezes nos conduz ao oposto de tudo o que dissemos acima. Por isso, cristãos deveriam PRIORIZAR ESCUTAR, DIVULGAR e COMPARTILHAR boas músicas cristãs.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O CRISTÃO E OS SÍMBOLOS DO NATAL - PARTE 2/2 (Debate Programa Consensus - Rádio Maranata)

Participação do Editor do Blog Filosofiacalvinista no Programa Consensus, na Rádio Maranata, apresentado por Roberval Gois, sobre "O Cristão e os Símbolos Natalinos". Participou também como debatedor o Presb.Zé Carlos, da IPB/Areias.


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O CRISTÃO E OS SÍMBOLOS DO NATAL - PARTE 1/2


O Cristão pode ter uma árvore de natal, guirlanda, papai noel e outros símbolos natalinos em suas casas e ao mesmo tempo ser coerente com aquilo que diz crer? 

Não se trata de ser ou não pecado possuir esses "símbolos do natal" e, sim, de ser ou não coerente. 

Antes de responder a primeira pergunta, responda esta:  é coerente o cristão usar o coelho da páscoa para lembrar e ensinar acerca da páscoa bíblica, sacramento do VT que foi substituído pela Ceia do Senhor? Obviamente que não. O símbolo "da páscoa" chamado de "coelho da páscoa" desvia completamente o olhar do verdadeiro sentido da páscoa. A falta de coerência na utilização desse símbolo reside, principalmente, no fato de que os símbolos ou elementos, tanto do sacramento do VT - a páscoa - quanto do sacramento do NT, que substituiu aquele  - a ceia - já foram previamente definidos na Escritura Sagrada: cordeiro, ervas amargas, pão sem fermento e pão e vinho, respectivamente. Cada um desses símbolos carregados de significados, em plena harmonia com o que representam. 

Precisamos estar atentos em relação aos símbolos que usamos. Os símbolos nada são, em si. Eles apenas apontam para uma realidade. Por exemplo: o pão e o vinho, quando separados do uso comum, num cenário de Ceia, apontam para o corpo e o sangue de Cristo. A conexão entre os símbolos e a realidade que representam precisa ser harmônica. Se substituirmos o pão e o vinho por suco de maracujá e empada, por exemplo, esses "novos elementos da ceia" não poderão apontar para e simbolizar o corpo e o sangue de Cristo. A harmonia entre o símbolo e aquilo que simbolizam terá sido perdida flagrantemente.  

A questão dos símbolos natalinos trazem consigo uma dificuldade a mais: a bíblia não define qual ou quais são os símbolos relativos ao nascimento de Cristo, como o faz em relação a Páscoa e à Ceia. Claro que aqui caberia até voltar ao debate se o cristão deve ou não comemorar o Natal. Contudo, não é essa nossa intenção, tendo em vista que já fizemos essa abordagem em outra postagem Se tiver interesse acesse: http://filosofiacalvinista.blogspot.com.br/2011/12/natal-os-dois-lados-da-moeda-uma.html.

Queremos, aqui, fornecer ao cristão o mínimo de coerência prática na escolha do símbolo de natal que usará, já que insiste em usá-lo.

Por que precisamos refletir sobre isso? Porque alguns símbolos podem estar sendo usados para desviar a atenção do verdadeiro sentido do que supostamente estão simbolizando.  

Em algumas comunidades não cristianizadas é completamente possível a comemoração do Natal sem que sequer se saiba do nascimento e até da existência de Jesus. Ou seja, um natal sem Jesus. O natal, para outros, é apenas uma festa consumista onde se dá e se recebe presentes, com o estímulo da figura de um bom velhinho chamado papai noel, que comanda um grupo de duendes, que vive numa terra coberta de neve, onde tem renas e os famosos pinheiros, de onde vem a ideia da árvore de natal, bem como outros símbolos usados. E Jesus? Jesus? Bem, Jesus é uma figura dispensável no seu próprio natal. Essa não é uma realidade distante de nós: onde está Jesus na decoração de natal dos shopping centers? Ninguém percebe Sua ausência.

O que árvore de natal, guirlanda, papai noel, duendes, renas, neve e a maioria dos símbolos natalinos têm a ver com o nascimento de Jesus? Eles, de fato, apontam para o nascimento de Jesus, como deve fazer um símbolo que aponta para uma realidade? 

Se você é alguém que conhece o mínimo da narrativa do nascimento de Jesus certamente dirá: "absolutamente nada". Neve? Jesus nasceu numa região desértica, lembra? 

A essa altura já deve ter ficado claro pra você que alguns símbolos servem para desvirtuar o verdadeiro significado do natal ou ainda servem para apontar para uma direção completamente aposta a da manjedoura e, consequentemente, da cruz. Servem, na verdade, para levar a pessoa para bem longe de Cristo.

Parece que a intenção é bastante clara: fazer com que as pessoas esqueçam completamente que o natal é o próprio nascimento de Jesus. É aí onde você entra. Quando você utiliza símbolos como papai noel, árvore de natal, guirlanda e tantos outros símbolos natalinos, que nada têm a ver com o nascimento de Jesus, você está contribuindo para que as pessoas se afastem cada vez mais do verdadeiro sentido do natal. Que contradição, não? 

Logo você que se diz servo de Cristo contribuindo e investindo até dinheiro na divulgação de símbolos natalinos que têm um o objetivo de tirar Jesus do natal; fazer com que as pessoas esqueçam completamente que natal tem a ver com Seu nascimento. Ou seja, você está literalmente, ainda que indiretamente através desses "símbolos natalinos", fazendo uma contra-pregação da obra de Cristo. Isso não parece ser uma bem sucedida estratégia maligna? Em última análise você está contribuindo com isso e nem se dá conta.

Então, o cristão não deve utilizar nenhum símbolo natalino? A princípio não precisa. A própria bíblia não estabelece nenhum símbolo para que lembremos do nascimento de Jesus, assim como o faz para que lembremos de sua morte e ressurreição, como ocorre no sacramento da Ceia. 

Contudo, há um símbolo natalino que, de fato, aponta para Jesus. Se você faz questão de usar algum, então, que seja este: o famoso pisca-pisca. Ele é uma referência clara à estrela de belém, também chamada de estrela natalina. Todos os outros símbolos do natal afastam o olhar para longe da manjedoura, para longe do nascimento de Jesus. Esse símbolo natalino, porém, de alguma forma, aproxima, aponta e lembra o nascimento e a obra redentora de Cristo Jesus, visto que ele também é apresentado nas Escrituras como "a luz do mundo", conforme Isaías 9:2; João 1:4-5; João 9:5 e João 8:12, quando Ele mesmo afirma acerca de si: "Eu sou a luz do mundo. quem segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida". 

«Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles inquiriu com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera; e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino; e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore. Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto quando no oriente ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria. E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra» (Mateus 2:7-10). 

Portanto, não contribua para promover o esquecimento do verdadeiro sentido do natal - que é o nascimento de Jesus -, utilizando "símbolos supostamente natalinos" que só servem para desviar a atenção, repetimos insistentemente, da manjedoura e, consequentemente, da cruz. Pense nisso. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

BREVES REFLEXÕES SOBRE SOBERANIA DE DEUS E RESPONSABILIDADE DO HOMEM

O Decreto eterno de Deus tem como certo TODAS AS COISAS que Deus DECRETOU. Elas não acontecem porque Ele as anteviu por sua presciência, mas porque decidiu que fossem assim. A PROVIDÊNCIA de Deus cuida para que Seus DECRETOS ocorram no tempo. 

O Decreto de Deus contempla também a liberdade do homem, que decide CONTINGENCIALMENTE de acordo com suas próprias inclinações. Deus, através de sua Providência, EM ALGUNS CASOS, não age positivamente para modificar a VONTADE e decisão do homem para fazer cumprir o seu decreto, posto que a escolha CONTINGENCIAL que o homem fez livremente (o que significa que podia ter decidido de outra forma) já CONTEMPLA o que fora decretado na eternidade, como o que ocorreu com Judas. Havia um decreto que Cristo morreria na cruz. As escolhas LIVRES e RESPONSÁVEIS de Judas, motivadas simplesmente por sua ganância e avareza, sem nenhuma intervenção propositiva da providência e sem que houvesse nenhuma inclinação sobrenatural do seu coração, mas apenas por sua livre vontade de obter lucro, se encarregaram de conduzir o processo COMO ESTAVA DECRETADO ANTECIPADAMENTE. 

Em OUTROS CASOS, porém, quando a escolha CONTINGENCIAL do homem vai de encontro ao que foi decretado por Deus, Sua providência age positivamente para corrigir os rumos da história e assegurar o cumprimento do decreto de Deus. Nesse caso, temos uma ação divina que contraria e intervém na VONTADE EXTERNA do homem, assim como um pai que proíbe um filho de executar seu querer, sem, contudo, mover seu coração para deixar de querer o que queria antes. 

Um exemplo desse segundo caso é o que aconteceu com Jonas. Havia um decreto que os moradores de Nínive se converteriam a Deus. Jonas, porém, agiu de forma contrária ao que estava decretado. Se não houvesse a intervenção da providência, de forma assertiva e até contrária à vontade de Jonas, esse decreto não poderia ter sido executado como previsto para aquele momento histórico. Porém, como não há possibilidade de não ocorrer o que foi decretado, a providência de Deus utilizou-se até mesmo de meios não convencionais, fazendo até um grande peixe cuspir gente, para assegurar que seu decreto eterno fosse finalmente executado no tempo e na história. 

Resumindo: Deus é soberano e o homem é responsável. Deus decreta absolutamente tudo que acontece, mas isso não exime o homem da culpa que lhe cabe.

BREVE REFLEXÃO SOBRE O CRISTÃO E A LINGUÁGEM TORPE

"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem" (Ef 4:29).

Um cristão não deve e não pode desandar sua boca em palavrões; assim como, naturalmente, mesmo não sendo cristã, uma pessoa decente e educada tb não o faz. Cabe a cada um o dever de refrear sua própria língua, sob pena de uma desnecessária exposição do sobrenome de cristão, da igreja, do princípio escriturístico acima e do próprio Cristo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ELEIÇÃO INCONDICIONAL E A GRATIDÃO - PARTE 2/3


O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS REFORMADOS, AGOSTINHO E OUTROS TEÓLOGOS SOBRE A DOUTRINA DA ELEIÇÃO?

No sínodo de Dort, foi elaborada a seguinte contra-argumentação, relativamente ao condicionamento ou não da eleição do homem, por Deus, a algum movimento ativo desse homem:

Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído pela sua própria culpa de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, porém envolvidos na mesma miséria dos demais. São escolhidos em Cristo, quem Deus constituiu, desde a eternidade, como Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação (DORT, 1996, p.34).

Agostinho também subscrevia uma eleição incondicional, como afirma:

Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes (AGOSTINHO, 1999, p.194).

Como bem afirma Spencer, em seu famoso livro TULIP:

Se a eleição dependesse do homem, ele nunca creria, porque o homem é totalmente depravado e incapaz de fazer aquilo que é bom aos olhos de Deus. Deixando a si mesmo para decidir-se por cristo, sem que antes a fé lhe seja outorgada por um ato de Deus, o homem nunca irá a Cristo”. (SPENCER, 1992. p.39).

Já a Confissão de Fé de Westminster, afirma:

Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições Ref. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.

E ainda:
Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa. Ref. Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9-10; Rom. 9:11-16; Ef. 1: 19: e 2:8-9. (WESTMINSTER, 1999. p.13)


ANÁLISE DE TEXTOS:

Analisemos o texto Escriturístico:

Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza (Lucas 10:13).

Nesse texto, fica muito evidente que o decreto de Deus sobrepõe-se à sua presciência. Deus conhece todas as possibilidades, evidentemente, mas permite acontecer tão somente o que já de antemão decretou.

A confissão de Westminster, em seu capítulo sobre os “Eternos decretos de Deus”, faz as seguintes afirmações:

Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições Ref. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.
E ainda:

Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa. Ref. Ef. 1:4, 9, 11; Rom. 8:30; II Tim. 1:9; I Tess, 5:9-10; Rom. 9:11-16; Ef. 2:8-9. (WESTMINSTER, 1999. p.13)

Sobre Romanos 9, Sproul, em um de seus vídeos, afirma:

Vejo dois grupos de homens. A um grupo ele permite que pereça. Acaso há injustiça aqui? Claro que não. Um grupo recebe graça e o outro grupo recebe justiça. Porém, nenhum dos grupos recebe injustiça.


CONCLUSÃO: uma vida agradecida

Concluímos com o Salmos 73:24-26. O salmista Asafe se viu numa situação de profunda depressão ao olhar para os outros e perceber que eram sadios e que viviam regaladamente, no que diz respeito às finanças. “Faltou pouco para que seus pés desviassem”, como ele mesmo afirma. “Até que entrou no santuário de Deus”, isto é, até que começou a ver as coisas a partir do ponto de vista de Deus. Ele acaba reconhecendo que nada mais importa nessa vida; que Deus já o havia coberto de todas as bênçãos espirituais, além da mais importante de todas: a salvação. Nada mais importava. O eleito de Deus deve ter essa profunda convicção. Ainda que Deus não o abençoe com absolutamente mais nada, ainda assim terá razão de sobra para adorar a Deus e bendizer seu Santo nome.


Tu me diriges de acordo com os teus desígnios, e no fim me acolherás em glória. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti! Embora minha carne e meu coração definhem, Deus é a rocha do meu coração e minha herança para sempre (Salmo 73:24-26).

domingo, 13 de novembro de 2016

ELEIÇÃO INCONDICIONAL E A GRATIDÃO - PARTE 1/3


INTRODUÇÃO:

Você sabia que o Arminianismo também crê na doutrina da Eleição? Embora essa seja uma doutrina que tem caracterizado o Calvinismo, os Arminianos também acreditam nela. Na verdade, não daria para negá-la diante de tantos textos e tantas evidências escriturísticas.

Mas, obviamente que a INTERPRETAÇÃO ARMINIANA da doutrina da Eleição difere da INTERPRETAÇÃO CALVINISTA, da INTERPRETAÇÃO REFORMADA.

Antes de abordar a diferença entre essas duas formas de interpretar a mesma doutrina, vamos conhecer o contexto histórico desse embate teológico, que já perdura por séculos:

CONTEXTO HISTÓRICO:

Podemos pensar na doutrina da ELEIÇÃO como sendo parte de uma corrente. Então temos uma corrente ARMINIANA e uma corrente CALVINISTA, cada uma com CINCO ELOS. A doutrina da ELEIÇÃO é um desses elos.

A corrente ARMINIANA ficou conhecida como OS CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO  e a corrente CALVINISTA como OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO.

Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um “documento” que ficou conhecido na história como “Remonstrance” ou “Protesto”, que fora apresentado ao Estado da Holanda pelos “discípulos” do professor de um seminário holandês chamado Jacob arminius (1560-1600), com o objetivo mudar os símbolos oficiais de doutrinas das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg ), substituindo-os pelos ensinos do seu mestre.

Mesmo estando inserido na tradição reformada, Arminius tinha sérias dúvidas quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpático aos ensinos de Pelágio e Erasmo, no que se refere à livre vontade do homem.

Desta forma, a única razão pela qual “Os Cinco Pontos do Calvinismo” foram elaborados era a de responder ao documento apresentado pelos discípulos de Arminius. Perceba que quem começou a provocação foram os Arminianos.

Em 1618, um Sínodo Nacional da Igreja reuniu-se em Dort para examinar os ensinos de Arminius à luz das Escrituras. Depois de 154 calorosas sessões, que consumiram sete meses, Os Cinco Pontos do Arminianismo foram considerados contrários ao ensino das Escrituras e declarados heréticos.

DEFININDO OS TERMOS:

Qual a diferença então entre a interpretação Arminiana e Calvinista da doutrina da Eleição?

A diferença está BASICAMENTE na adjetivação que se dá à doutrina da ELEIÇÃO.

a)    Os ARMINIANOS dizem que a ELEIÇÃO é CONDICIONAL
b)   Os CALVINISTAS dizem que a ELEIÇÃO é INCONDICIONAL

Vamos definir os termos, então:

     a)    ELEIÇÃO é CONDICIONAL:

Deus olha para o futuro e ver as pessoas que irão crer nele e as que não irão crer. Com base nessa presciência, nessa antevisão, nessa visão antecipada do futuro, nesse atributo incomunicável da PRESCIÊNCIA e só por isso, DEUS resolve eleger, salvar ou melhor, REGISTRAR a eleição do homem, por conta de sua boa atitude de CRER EM DEUS.

     b)    ELEIÇÃO INCONDICIONAL:

O segundo ponto do Calvinismo, Eleição Incondicional, tem por objetivo combater o também segundo ponto do arminianismo – Eleição Condicional -. Armínius e seus seguidores acreditavam que Deus havia elegido os homens que elegeu baseado em seu pré-conhecimento ou presciência. Ou seja, Deus anteviu aquele que iria, por seu próprio mérito, (não podemos esquecer que o homem arminiano é um homem que ainda está habilitado, mesmo depois da queda, a buscar a Deus mesmo sem que, necessariamente, haja alguma intervenção divina para isto) crer Nele, e, por conta disso, o elegeu. Isso faz de Deus um mero jornalista que apenas registra os “atos soberanos” do homem.

Na visão calvinista, diferentemente da arminiana, nada havia no homem, que fosse condição, a seu favor, para que justificasse um merecimento, por menor que seja, muito menos ainda um merecimento do tamanho da salvação eterna.


A eleição de Deus baseou-se exclusivamente por sua graça (que por definição já denota um favor não merecido) e imensa bondade. Isso faz de Deus o autor da salvação e não apenas um coadjuvante dos direcionamentos humanos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

QUEREM DINIMUIR AINDA MAIS O TRABALHO DOS PASTORES

Tenho postado e chamado a atenção dos pastores, no bom sentido e de forma geral, não pensando, obviamente, em nenhum especificamente, de que eles precisam TRABALHAR MAIS e se DEDICAR MAIS  às igrejas locais, onde pastoreiam. 

Em 2011 publiquei a polêmica postagem "Fórmula pra saber se seu pastor ganha bem", que pode ser lida clicando no link: http://filosofiacalvinista.blogspot.com.br/2011/07/formula-pra-saber-se-seu-pastor-ganha.html.

Quando trato desse assunto meu objetivo é um só: que a igreja local seja mais beneficiada com o importante trabalho do seu pastor.

Na contramão da maioria dos membros das igrejas locais, que entendem, percebem e precisam que seus pastores se DEDIQUEM MAIS ao seu ministério local, recentemente tive o desprazer de ler um texto no facebook, cuja a tônica era "15 motivos pelos quais seu pastor não deve visitar muito". Pior: esse texto foi compartilhado e até ovacionado por muitos pastores. Imagino que muitos devem ter marcado os membros de suas igrejas, para que pudessem ler o infame texto. Lamentável!

O infeliz texto, em nossa opinião, traduzido para o português, é de autoria de Tom Rainer.  Alguém conhece? Vou transcrever cada um dos 15 motivos pelos quais o pastor não deve visitar muito e tentar comentar um a um (os comentários estarão em vermelho). Segundo o autor, PASTOR VISITAR MUITO:

1- Não é bíblico. Efésios 4.12 diz que pastores devem treinar os santos ou crentes para fazerem a obra do ministério. Isso significa que os pastores não devem fazer toda a obra. Usar esse texto de Efésios para defender tal ideia chega a ser desonesto. Por esta mesma forma tacanha de interpretação cabe até dizer também: "pastores não devem pregar muito; devem treinar os santos ou crentes para fazerem a obre do ministério".

  2- Priva os membros de seus papéis e oportunidades. A segunda parte de Efésios 4.12 claramente nos informa que o ministério é para toda a igreja. Quando o pastor faz tudo ou a maior parte do ministério, os membros são privados de uma oportunidade dada por Deus. Que ministérios? Da muita visitação? Tá de brincadeira?

    3-  Fomenta uma mentalidade de clube de campo. “Nós pagamos o salário do pastor. Ele trabalha para nós, para fazer a obra e nos servir”. Dízimos e ofertas tornam-se mensalidades de clube de  campo a serem usufruídas. Repito: pela mesmíssima argumentação furada se poderia dizer o mesmo em relação à pregação, por exemplo. Pastores: não caiam nessa; isso vai ser um tiro no pé. Daqui a pouco os senhores não farão mais nada e a igreja vai acabar percebendo.

4-  Desvia uma igreja interiormente. Os membros ficam perguntando o que o pastor está fazendo por eles, em vez de perguntarem-se como eles podem servir outros através da igreja. Ou seja, pague a côngrua pastoral em dias, 13º, férias, etc, mas não cobre nunca dele dedicação e cuidado com o rebanho.

5-  Diminui a preparação do sermão. Esses mesmos membros que se queixam que o pastor não dedicou tempo suficiente no sermão são os mesmos que esperam que o ele os visite. Esse ponto chega a ser patético. Até parece que quando o pastor não está visitando está “preparando o sermão”. E o tempo que ele gasta: a) levando o filho na escola, b) malhando na academia, b) almoçando com outros amigos pastores, c) jogando futebol, d) indo ver o jogo do seu time, e) viajando, f) cuidando de outra atividade profissional, g) fazendo Faculdade ou outro curso qualquer para crescimento pessoal e etc, não conta? Detalhe: a maioria dos pastores são de “tempo integral”. Pra quem?

6-  Tira o foco externo do pastor. Se os pastores passam todo ou maior parte do seu tempo visitando, como se pode esperar que eles entrem na comunidade e compartilhem o evangelho? Ai, aí, releia a parte em vermelho do ponto 5.

7-  Subtrai a liderança essencial do pastor. Como podemos esperar que os pastores liderem se não lhes damos tempo para tal, uma vez que estão ocupados com a visitação de membros? Tá bom! Quando não está visitando ele está liderando? Ok!

8-  Fomenta comparações perniciosas entre os membros. “O pastor visitou os Silvas duas vezes este mês, mas me visitou apenas uma”. O que dirão aqueles (a grande maioria) que nunca receberam uma visita do pastor?

9-  Nunca é o suficiente. Quando as igrejas esperam que seus pastores façam a maior parte das visitas, elas possuem uma mentalidade de concessão de direitos. Tal mentalidade nunca pode ser satisfeita. Vamos mandar todos os membros aos seminários para saberem o que vão dizer nas visitas. As pessoas querem e precisam uma visita de alguém preparado para lhe dar com seus conflitos: o pastor;

10-     Conduz ao esgotamento pastoral. Aos pastores, é impossível manter o ritmo que se espera de todos os membros cumulativamente, especialmente na área da visitação. Pois é! Academia, envolvimento com outras atividades profissionais e/ou acadêmicas para fins de crescimento pessoal, familiares, etc, não né?

11-    Conduz a uma alta rotatividade pastoral. O esgotamento conduz à rotatividade pastoral. Ministérios de curta duração não fazem bem às igrejas. Reler a parte em vermelho do ponto 10.

12-     Restringe o crescimento da Grande Comissão da igreja. Um dos grandes obstáculos para o crescimento de igrejas é a expectativa de que uma pessoa faça a maior parte do ministério, especialmente a visitação. Esse tipo de dependência resulta numa restrição ao crescimento. Sério? A grande comissão era pra os membros das igrejas visitarem-se uns aos outro? Sabia não!

13-     Leva os pastores a obterem seus reconhecimentos da fonte errada. Eles se tornam agradadores de pessoas, em vez de agradadores de Deus. Confesso que esse eu não entendi. Devo tá pensando errado. Acho que o autor não escreveria uma besteira tão grande!

14-      Faz com que membros de igrejas bíblicas deixem-nas. Muitos dos melhores membros de igrejas as deixarão porque sabem que a igreja não foi feita para funcionar dessa maneira. A igreja, assim, fica mais fraca. Tá apelando?

15-    É um sinal de que a igreja está morrendo. Os dois comentários mais comuns de uma igreja que está morrendo são: “Nunca fizemos isso desse jeito antes”, e “Por que o pastor não me visitou?”. Se o pastor visitar muitos membros é sinal que a igreja está morrendo? Tô preocupado para que os pastores não morram de estafa. 

É mais que evidente que ninguém normal quer que o pastor passe todos os dias e todas as horas disponíveis em visitação. Só alguém muito retardado pra pensar que se pensa assim. Você pode dizer também que a presente análise não é séria e está cheia de "gracejos". Bem, é possível. Peço desculpas: é que esse tipo de assunto irrita de forma particular.

O Pastor Thabiti Anyabwile, em seu livro "Encontrando Presbíteros e Diáconos fiés", publicado pela editora Fiel, faz uma afirmação bem interessante e que nos leva a refletir sobre o trabalho que o pastor deve executar em sua igreja local. Diz ele:

    Um pastor vigia sua vida quanto ao descanso e a recreação necessários. Deve haver descanso adequado e recreação apropriada na agenda de um pastor. Para estar certo de que tem o descanso devido, o pastor deve receber com agrado comentários sobre sua agenda de atividades e de seus hábitos de trabalho" (ANYABWILE, 2015, p.214).

Mas, será mesmo que a maioria de nossos pastores ouviriam, sobre sua agenda de trabalho: "o senhor precisa descansar, está trabalhando muito, estudando muito, visitando muito"?

Abordando especificamente sobre a questão da visita, o Pastor Franklin Ferreira, sobre o ministério do Puritano Richard Baxter, autor de “O pastor Aprovado”, afirma:  

Sua prática consistia em visitar sistematicamente as famílias, com o propósito de tratar espiritualmente com cada uma delas. Baxter visitava sete ou oito famílias por dia, duas vezes por semana, a fim de visitar todas as oitocentas famílias de sua congregação a cada ano. “Primeiramente eu as ouvia recitar as palavras do catecismo ele usava o Breve Catecismo de Westminster,18 e então examinava as respostas quanto ao seu sentido, e, finalmente, exortava as famílias, com toda a capacidade de raciocínio e veemência, a fim de que tais estudos resultassem em sentimento e prática. Eu passava cerca de uma hora com cada família”.Conforme: http://www.monergismo.com/textos/pastores/servo_baxter.pdf

Joseph A. Pipa Jr, em brilhante artigo sobre “A tarefa esquecida da visita pastoral”, afirma:
 
Minha primeira visita pastoral foi a primeira que fiz quando era um jovem pastor. Naquele tempo, eu já estava na igreja há onze anos. Meu caso não era único na época e nem o é hoje. Estou certo de que muitos de vocês irão se identificar com a minha experiência. De fato, muitos leitores não reconhecerão que estavam sendo privados de algo que era uma parte essencial da experiência da igreja. Em nossos dias, o trabalho pastoral é absurdamente negligenciado. Muitos pretensos pastores enchem suas vidas de assuntos administrativos ou acadêmicos de forma que eles possuem pouco tempo para as pessoas do rebanho. Outros têm igrejas tão grandes que  não conseguem sequer começar a pastorar os membros de suas congregações.  Cada vez mais, esses homens abordam a supervisão congregacional como se fossem o Chefe do Poder Executivo. Mas, mesmo em nossas pequenas igrejas reformadas, o ministro frequentemente negligencia o importante trabalho de pastorear.  Muitos membros de igreja somente recebem visita quando estão doentes (e olhe lá). Não podemos saber a condição de nosso rebanho ou ministrar efetivamente a ele sem fazer cuidadosamente o trabalho de visitação às famílias. Além disso, esse trabalho é necessário para a cimentação da verdade e de seus resultados na vida das pessoas.

Ele ainda afirma:

Historicamente, a visitação pastoral era parte do trabalho esperado de um pastor reformado. Nossos pais na fé levaram essa parte do trabalho ministerial muito a sério. Calvino, os Puritanos, os Ministros Escoceses e os Presbiterianos e Batistas Americanos era comprometidos com o trabalho da visitação pastoral. A respeito dos puritanos, Parcker escreveu: Baxter separava dois dias por semana, terças e quartas, para realizar esse trabalho. Cópias do Breve Catecismo de Westminster foram distribuídas para todas as famílias da paróquia (cerca de 800). A reunião do conselho acontecia uma semana antes de famílias a serem visitadas serem contatadas já  com o tempo e o lugar das visita. Dessa forma, Baxter visitava por volta de 15 famílias por semana.

Pipa finaliza:

Uma palavra aos ministros. Nós ouvimos muito, e ainda bem que sim, sobre igrejas comprometidas com os meios de graça. Pois eu digo que se em seu ministério não há espaço para uma sistemática visitação pastoral, então você está negligenciando um importante meio de graça.  Eu desafio você a repensar sua filosofia ministerial. Se você não tem feito regulares visitas pastorais, eu encorajo você a se arrepender e a buscar pela graça de Deus para começar imediatamente. Conforme: http://reforma21.org/artigos/a-tarefa-esquecida-da-visita-pastoral.html

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