domingo, 17 de abril de 2016

BREVE REFLEXÃO SOBRE IMPEACHMENT E PENSAMENTO REFORMADO


Hoje, 17/04/2016, é um dia especialmente difícil pra nossa Presidente Dilma. Oremos por ela. Sim ou não?

É certo que muitos pastores e líderes religiosos - militantes de oposição - dirão que não. Na verdade, talvez não digam com palavras; mas, quando participam de manifestações com intenção clara de retirá-la do poder, estão dizendo, sem dizer, que não estão orando por ela, pra que vá bem em seu governo. Talvez, contra ela sim. Fala-se até em oração imprecatória, isto é, oração de maldição contra a presidente Dilma, com o fim de que seja banida definitivamente.

Particularmente entendo que os políticos que estão tratando desse assunto no dia de hoje possuem total legitimidade legal para fazê-lo. É função deles, alguns até pastores que, abdicando de seus ministérios em igrejas, labutam por aquilo que acreditam na câmara e no senado. Não estarei me referindo a esses. Estão fazendo seu papel de político, sem entrar no mérito da questão do julgamento de valor.

A questão é: qual deve ser o papel da igreja? Qual deve ser o papel dos líderes religiosos e dos membros das igrejas?

Sem prejuízo das obrigações trazidas pela cidadania, entendo que, como igreja, apenas temos o papel de orar pela presidente. Orar por ela e não contra ela.

Existe vasta prova bíblica que nos leva a fazer isso e nenhuma que nos autorize a assumir, como igreja, uma postura de rebeldia, zombaria e desonra contra as autoridades constituídas pelo próprio Deus, a exemplo de:

"Exorto, pois antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda piedade e honestidade" (I Tm 2:1-2).

E se o "Rei" for corrupto? O papel da igreja não mudará, por isso.

Mas, entendam: não estou dizendo que um religioso não possa definitivamente assumir uma postura contundente contra um governante. Se entendermos que esse religioso também é um cidadão sujeito às mais variadas influências ideológicas, e, sendo assim, tem e assume posição política bem definida, isso lhe dará uma brecha para fazê-lo, se assim desejar. Contudo, deve fazer isso desprovido de suas prerrogativas religiosas, se é que isso é possível. Esqueçam que são pastores e líderes religiosos. Façam-no como cidadãos - apenas; se é que isso é possível. Mais ainda: não levem suas igrejas a desandarem a boca contra a presidente, como muitos estão fazendo, chamando-a de corrupta, antes mesmo de justo julgamento e sentença proferida por quem tem essa competência. Levem suas igrejas a orarem pela presidente e pela situação do país. Parece que esqueceram que Deus está no controle de tudo não é? Querem dar uma ajudinha para que Deus resolva essas questões?

Quando lemos os documentos Reformados sobre essa relação com nossos governantes, o que lemos? Vejamos o que lemos, mas já adianto: nenhuma palavra que dê base para que aja insurreição da igreja contra a presidente Dilma.

O Catecismo Maior de Westmister, ao interpretar o 5º mandamento, à pergunta 127: Qual é a honra que os inferiores devem aos superiores? Responde da seguinte forma:
"A honra que os inferiores devem ao superiores é toda a devida reverência sincera, em palavras e em procedimento; a oração e ações de graças por eles [...], a manutenção de suas pessoas e autoridade".

O mesmo documento Reformado à pergunta 128: Quais são os pecados dos inferiores contra os seus superiores? Reponde:

"Os pecados dos inferiores contra os seus superiores são: [...] o desprezo e a rebelião contra suas pessoas e posições [...], a zombaria e todo comportamento rebelde e escandaloso, que vem a ser uma vergonha e desonra para eles e para o seu governo".

É certo que as perguntas 129 e 130 vão tratar dos deveres e pecados dos superiores contra os inferiores. Mas, nem a falta do cumprimento de seus deveres, nem seus pecados que atingem os inferiores são, em hipótese alguma, autorização para que esses não cumpram seus deveres para com os superiores ou mesmo para pecarem contra eles.

A presidente continuar no governo será bom para o Brasil? Penso até que não. Acho que o Temer assumindo a tendência é que as coisas melhorem e a crise, que é mais política que qualquer coisa. abrande. Porém, não me acho no direito de lutar pela sua saída. Que nossos legítimos representantes façam isso.

O impeachment não é golpe. Antes, pelo contrário, é um recurso constitucional e natural de democracias consolidadas. Isso não deveria nem mesmo gerar grandes celeumas à nação. Se há materialidade de crime para o prosseguimento do processo e, parece, O STF já disse que há, fim de papo.

Daí a dizer que a vontade da maioria esmagadora da população brasileira é a favor do impedimento da presidente, acho um julgamento temerário. Que base temos para tal afirmação? Os 06 milhões de manifestantes em todo o Brasil? E os outros 48 milhões que votaram em Dilma? Isso considerando que os 06 milhões é composto, também, por eleitores arrependidos de Dilma.

Na minha opinião. não há legitimidade para fazer tal afirmação. Teríamos essa confirmação em 2018. Mas, parece, não querem esperar. Medo de perder novamente? Medo de não ver a afirmação se confirmar?

Por fim, oremos pela Presidente neste dia particularmente difícil. Se ela não sair, o que é pouco provável, que venha 2018. Se ela sair, que venha 2018, onde realmente o povo poderá se manifestar democraticamente.


Quanto a mim, já vou avisando: não votarei em candidatos do PT em 2018. Provavelmente, por conta de alinhar ao lado da direita e dos pressupostos liberais, votarei em algum candidato com esse perfil. Mas isso é apenas a opinião de um cidadão, que tem esse direito. Mas não me copiem. Cada um com sua convicção.

sábado, 26 de março de 2016

INTRODUÇÃO À DOUTRINA DO SER DE DEUS - Parte 1/4


TEXTO BÁSICO: Mateus 16:13-17

INTRODUÇÃO:

Por que estudar sobre o SER de Deus?

Eu diria que nossa vida, nossa salvação depende, em última análise, do correto entendimento acerca do Ser de Deus; de quem Ele É. Um entendimento errado sobre quem é Deus reflete diretamente no relacionamento que eu terei com Ele.

Por exemplo, o testemunha de Jeová não acredita na Trindade; acredita que Jesus não é Deus. No máximo acreditam que ele seja um deus menor, inferior. E isso é muito grave. Perceba como um entendimento errado acerca do SER de Deus pode direcionar toda uma comunidade para um total distanciamento do Deus verdadeiro.

O que cremos sobre Deus determinará os nossos padrões de moralidade [...]. Tudo o que viermos a saber sobre Deus determinará tosos os outros relacionamentos nos vários campos da teologia (CAMPOS, 2002, p.13).

ELUCIDAÇÃO:

No texto que lemos vimos Jesus perguntando acerca da visão que as pessoas tinha sobre Ele mesmo. É interessante ver a diversidade de respostas apresentadas pelos discípulos. “Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas” (Mateus 16:14).

É claro que todas essas respostas estavam erradas. É claro também que essas respostas descreveriam, necessariamente,  o nível de relacionamento que essas pessoas teriam com Jesus. Ora, se ele é apenas um profeta, ainda que um grande profeta, mesmo assim,. Ele não mereceria adoração e, portanto, não seria adorado por essas pessoas que tinham essa definição acerca Dele.

Jesus então insiste e agora quer saber da boca dos seus próprios discípulos qual a visão que tinham acerca dele. E ele pergunta: E vós, quem dizeis que eu sou? (Mateus 16:15).

Interessantes essa insistência de Jesus. Talvez isso denote a importância de termos uma visão correta acerca de Deus, acerca do Ser de Deus;

Pedro, prontamente respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
(Mateus 16:16).

Jesus, então, aprova a resposta de Pedro e ainda diz que ele só pode dar essa resposta devido a uma comunicação especial de Deus ao seu coração, que ele não poderia ter chegado a essa conclusão sozinho, apenas pelo seu esforço racional, mas que somente pela revelação de Deus:

“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus”
(
Mateus 16:17).

É evidente que a resposta de Pedro, em contraste com a resposta das outras pessoas, atendia perfeitamente o objetivo pelo qual levou Jesus a essas indagações.

Porém, afirmar que Jesus é Deus ou ainda afirmar a existência de Deus não resolve todos os problemas e todas as dificuldades. A questão é: o que significa ser Deus, pra mim? Quem é Deus, pra mim? Quais são as prerrogativas que um SER precisa ter para ser Deus, pra mim?

Sim, você pode acreditar que existe um Deus e mesmo assim ter uma visão errada sobre Deus e isso te levará, necessariamente, a ter um relacionamento distorcido com esse Deus que você diz acreditar que existe.

Por exemplo: os deístas acreditam em Deus. Mais ainda: eles acreditam que Deus é soberano, criador, cheio de poder e Santo, Santo, Santo. Tá errado isso? Evidente que não. Qual o problema então? Eles acreditam Deus criou o mundo, suas leis naturais e, depois disso, se afastou e não intervém mais nem no mundo nem na história.


Pensar isso acerca de Deus, de quem Ele é e, portanto, acerca do SER de Deus, levará a pessoa a não mais ver a necessidade de orar a Deus, porque Deus não responderia mesmo sua oração, porque é um Deus distante, longe, apenas transcendente. 

INTRODUÇÃO À DOUTRINA DO SER DE DEUS - Parte 2/4


 TEMA: O Ser de Deus

 ARGUMENTAÇÃO:

1º) Em primeiro lugar, precisamos saber que uma das dificuldade para entender acerca do SER de Deus é que a bíblia não está muito preocupada em afirmar a existência de Deus, em provar a existência de Deus.
Se fosse essa a preocupação das Escrituras deveríamos ter um sofisticado sistema de provas sobre a existência de Deus. Mas, ao contrário, logo em Gêneses,  o que temos? “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gêneses 1:1).  Nada sobre quem Deus ou mesmo sobre o que é SER Deus.

Por conta disso, uma série de argumentos filosóficos precisam ser postos, sobre a existência de Deus. Quais sejam:

a)     Argumento cosmológico

Defende que tudo que existe, existe de forma causal, isto é, foi causado por algo ou alguém.

Aristóteles defendia também que “tudo que se move neste mundo tem que ser movido por algo que não seja ele próprio”. Ele entende também que existe um “motor que move todas as coisas”. Ele não chama esse motor de Deus, mas ele reconhece a necessidade da existência desse motor.

Já Tomás de Aquino vai dizer que esse motor de Aristóteles é precisamente Deus. Para ele: “Deus é a causa não causada que causou todas as causas” (Tomás de Aquino).

            b)    Argumento Teleológico (telos=propósito)

Defende que tudo tem um propósito e, assim sendo, também é necessário a existência de alguém que indique esse propósito e que seja autor do projeto que terá um propósito.

Por exemplo, um relógio não veio de uma explosão, de forma que tenha sido criado ao acaso e sem propósito. Alguém fez não somente o projeto desse objetivo, mas também pensou acerca do propósito da existência dele.

c)     Argumento antropológico (antros=homem)

Homem não é apenas um ser físico, tem senso moral, diferente de outros seres, intelecto, emoções e volição/vontade. Essa distinção que lhe é característica só pode ter sido fruto de uma comunicação de outro Ser que possui essas características.

d)    Argumento Ontológico – Anselmo 1033

Parte da afirmação que a crença em Deus é universal.  Todo homem  projeta a ideia de perfeição, de infinito. Ora, como um ser finito para conceber algo infinito? Descartes vai dizer que isso é a assinatura do Criador no homem.

2º) Em segundo lugar, precisamos entender a diferença entre Ontologia e Teontologia. Essa simples distinção falará sobre as propriedades do SER de Deus.

Ontologia significa “estudo do ser” e consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser, a existência e a realidade. É o estudo daquilo que se “É” e não das qualificações que se possui.

Então, a ontologia pode ser utilizada também para o estudo do SER de Deus? Conceitualmente, não.

ONTOLOGIA é o Ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres.

Ou seja, a Ontologia estuda o que é inerente ao homem. Podemos pegar Adão como modelo, para efeito didático. Adão tem  senso moral, diferente de outros seres, intelecto, emoções e volição/vontade.  Isso é Adão, isso faz parte inerente do seu Ser. Adão é um homem e não um vegetal; Adão é um homem e não um cachorro; por conta dessas características. Mas não existe só Adão de homem, correto? Existem outros homens e pra que seja considerado homem é preciso ter essas mesmas características que foram identificadas em Adão, num ser em particular.

Adão e os homens possuem essência e qualidades em distinção. Já Deus é tanto essência quanto seus Atributos ou qualidades, não há distinção entre essência e qualidades.

Por isso não podemos usar a Ontologia para estudarmos o SER de Deus, visto que ele é ÚNICO e que não há ninguém como o Senhor. Ele possui algumas características inerentes somente a ele, que nenhum outro ser possui.

Sproul chega a afirmar corretamente que “apenas Deus “É” que apenas Deus tem SER, nós somos efêmeros, passageiros, uma espécie de subproduto daquele que “É”.

Por isso, o estudo acerca do SER de Deus é TEONTOLOGIA e não ONTOLOGIA.

INTRODUÇÃO À DOUTRINA DO SER DE DEUS - Parte 3/4


3º) Em terceiro lugar, depois dessas informações, veremos sobre algumas características peculiares acerca do SER de Deus:

a)    Singularidade:

Deus é único, sem par. Não há outro como Ele, além Dele. Existem muitos textos que comprovam essa singularidade. Vejamos alguns: Dt 6:4, 32:39, I Rs 8:60-61, I Cor 8:4,6 e Ef 4:5-6.

Se houvesse mais de um Deus, não haveria Deus de fato. O politeísmo nega o Absoluto, nega a Última Causa, nega a independência de Deus, nega a imutabilidade de Deus, nega a eternidade de Deus (CAMPOS, 2002, p.13).

b)    Imanência e Transcendência

A imanência e a transcendência de Deus, segundo  Millard Erickson, “não deveria se consideradas como atributos de Deus” (CAMPOS, 2002, p.14). De fato, são conceitos muito mais ligados ao que Deus é, portanto, ao ser SER, que às qualidades que possui.

O Teísmo tem uma visão correta acerca do SER de Deus; é assim que as Escrituras apresenta Deus. Um Deus que é, ao mesmo tempo IMANENTE (que se relaciona com a criação) e TRANSCENDENTE (que está acima da criação).

Isso parece um assunto distante de nós, mas está mais perto que imaginamos. Por exemplo, tem uma música que cantamos em nossas igrejas, cuja a letra está errada e para cantarmos precisamos fazer uma modificação teológica. A música diz “és Deus de perto e não de longe”. Ou seja, ensina que Deus se relaciona conosco e que não é um Deus que também está longe, transcendente. O problema é que a bíblia ensina tanto a imanência de Deus (o Deus que se relaciona com sua criação) quanto a transcendência de Deus (o Deus que é superior e que está acima de nós).

b1)  IMANÊNCIA
Como já deixamos claro, diz respeito ao relacionamento de Deus com o mundo criado, especialmente com o ser humano e sua história. Deus se envolve com a história humana. Vejamos alguns textos: Mt 1:23, Ex 3:7-8, Sl 104:27-30, Hb 4:15.


Perigos da Imanência:

 Além do Panteísmo, que é a identificação exacerbada da criatura com o criador, gerando fusão e confusão entre um e outro, outro grande perigo que deve ser evitado no que diz respeito a doutrina da Imanência é, segundo Herber Campos, a “identificação de Deus com Satanás”.
Citando Karl Barth, ele lembra de dois casos em que cristãos associaram momentos políticos com a obra de Deus cumprindo seus propósitos: o primeiro tem conexão com a política de guerra de Kaiser Wilhelm e o segundo quando alguns cristãos consideraram as políticas de Adolf Hitler e do Nazismo como uma atividade de Deus no mundo.
Interessante porque percebemos essa característica nas manifestações contra Dilma. Vários cristãos afirmando que estão agindo em conformidade com Deus e com seus princípios. Isso pode ser considerado uma distorção da doutrina da imanência de Deus.

b2)  TRANSCEDÊNCIA:

Essa doutrina está presente em todas as religiões teístas. É a doutrina que fala que Deus está assentado nas alturas, no seu trono, sendo um Deus separado da sua criação e independente dela. Vejamos alguns textos: Isaías 55:8-9, Apo 4:1-11.  

Perigos da Transcendência:

O principal erro a ser combatido para quem crê na doutrina da transcendência de Deus é o perigo do deísmo, que crê num Deus distante e sem qualquer relacionamento com o homem e com sua história, negando a doutrina da providência divina, trazendo como consequência o pensamento da não necessidade de orar a Deus. A principal figura que exemplifica o deísmo é um relógio, cujo seu criador o constrói e depois não tem mais nenhum compromisso ou relacionamento com ele.

b3)   IMANÊNCIA e TRANSCEDÊNCIA lado a lado. 

Isaias 6:1-5, Salmo 113:5-7, Isaias 57:15, Lucas 2:14, Salmo 47:8

INTRODUÇÃO À DOUTRINA DO SER DE DEUS - Parte 4/4


4º) Em quarto lugar, com uma dimensão prática, afirmamos que usar o nome de Deus em vão é atentar contra o contra o seu SER.

Os teólogos de Westminster parecem fazer um link absolutamente consistente entre o NOME de DEUS e seu próprio SER. Vejamos:

111. Qual é o terceiro mandamento?
O terceiro mandamento é: "Não tomarás o nome to Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar em vão o nome do Senhor seu Deus": Ex 20:7

112. O que se exige no terceiro mandamento?
No terceiro mandamento exige-se que o Nome de Deus, os seus títulos, atributos, ordenanças, a Palavra, os sacramentos, a oração, os juramentos, os votos, as sortes, suas obras e tudo quanto por meio do quê Deus se faz conhecido, sejam santa e reverentemente usados em nossos pensamentos, meditações, palavras e escritos, por uma afirmação santa de fé e um comportamento conveniente, para a glória de Deus e para o nosso próprio bem e o de nosso próximo: Dt 28:58;Mq 4:5; Jr 4:2;32:39. Leia-se todo o Salmo 8.Sl 29:2;76:11;102:18;105:2,5;107:21,22;138:2; Mt 1:14;3:16;6:9;  I Tm 2:8; At 1:24,26; I Co 10:31;11:28,29; Fp 1:27;Cl 3:17; I Pe 2:12;3:15; Ap 15:3,4.

CONCLUSÃO:

Quando estudarmos o ser de Deus e os seus atributos, estaremos estudando sobre o caráter de Deus. Enquanto estivermos estudando os atributos de Deus, veremos algumas coisas acontecerem em nós, pelo impacto que o conhecimento do ser divino nos traz (CAMPOS, 2002, p.22).

domingo, 28 de fevereiro de 2016

SOLI DEO GLÓRIA - Parte 5/5


CONCLUSÃO:

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus 

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.



SOLI DEO GLÓRIA - Parte 4/5


2º) Erros, desvios e heresias em relação ao culto e à adoração:

a)  Na época dos reformadores:

Umas das maiores preocupações dos Reformadores, principalmente de Calvino, era a de purificar as corrupções que tinham se infiltrado no culto e na adoração da igreja de Cristo.

Nessa época muita atenção passou a ser dada à criatura, no culto, ao invés de ser dada unicamente ao criador. Então estátuas de pessoas passaram a ser prestigiadas no culto e ainda que a Igreja Católica dissesse e ainda diz que não adora a estátua, nem às pessoas ali representadas, ainda que pessoas se ajoelhem diante delas e lhes acendam velas e lhes prestem honra, uma coisa é líquida, certa e clara: a glória de Deus agora estava dividia no culto com suas próprias criaturas. Deus não admite isso. Leia comigo Isaías 42:8.

Além dessa absurda glória dada ao homem dentro do ambiente de culto a Deus, a Igreja Católica passou a inserir no culto uma série de elementos estranhos à bíblia, como por exemplo, o uso de velas, de paramentos sacerdotais, etc.

Existe duas formas de entender a teologia do culto: a) Princípio Normativo do culto: o que a bíblia não proíbe, posso ter no culto e na adoração a Deus. Esse princípio é o defendido pela Igreja Católica. A idéia é a seguinte: a bíblia proíbe velas no culto? Não, então posso ter. A vela não é um simples fator circunstancial, ela é um elemento litúrgico e existe um fator doutrinário e teológico no seu uso;  b) Princípio Regulador do Culto: só posso ter no culto e na adoração à Deus aquilo que a bíblia manda explicitamente ter. Esse princípio era defendido pelos Reformadores e visava a purificação da liturgia, do culto e da adoração de acréscimos sem embasamento das Escrituras sagradas.

Calvino colocou essa purificação do culto como algo central em sua vida e em sua teologia.

O Rev.Paulo Anglada, em seu excelente livro “Princípio Regulador do culto” confirma isso, ao afirmar que “O foco principal dos Reformadores, tais como Zwinglio [...], Farel e Calvino foi a purificação do culto das superstições e idolatria medievais” (ANGLADA. Paulo. Princípio Regulador do Culto. PES, 1997, p.6).

Essa preocupação dos Reformadores e especialmente de Calvino com o Culto e à Adoração a Deus se dá pela gravidade do assunto. Há quem pense que Deus aceita qualquer tipo de adoração. Isso não é verdade.

Lembremo-nos de Caim. Deus não recebeu a adoração dele.

Desde o tempo de Jesus havia a preocupação com o que podemos chamar de Adoração Aceitável a Deus, exatamente porque sempre houve e ainda há a possibilidade de Deus não aceitar nosso culto e nossa adoração. Veja essa preocupação em João 4:20.

Em João 4:24, o próprio Jesus ensina como deve ser o culto, a adoração para que seja aceitável por Deus: a) Em Espírito, que denota sinceridade de coração e b) Em Verdade (João 17:17), que denota conformidade com a Palavra de Deus, onde expressa como Ele quer ser Adorado.

b)      Em nossa época:

Bem, penso que em nossa época ainda convivemos com a mesma ofuscação da glória de Deus da época dos Reformadores, em relação ao culto e à adoração a Deus.

Nesse sentido, podemos ver claramente e mais uma vez a glória de Deus sendo dividida com a glória de homens, só que dessa vez, em nossa época, são eles “pregadores famosos”, cantores gospels e um elemento novo, que não existia no tempo dos Reformadores: o pecador. Sim, o culto hoje em dia é feito para agradar ao pecador e não para glorificar a Deus.

Os cultos, as igrejas, a adoração pouco a pouco foi sendo transformada em shows.

Hoje em dia temos pregadores e cantores com Fãs clubes, mais se parecem com pop stars . E, assim, a glória do culto e da adoração que deveria ser dada a Deus somente, Soli Deo Glória, é repartida com esses “profissionais da adoração”.

Mas há um aspecto do culto prestado a Deus hoje que também existia no tempo dos reformadores, mas que está cada vez mais evidente: a inclusão de práticas e elementos cúlticos sem a necessária base bíblica. Tudo isso para agradar o pecador ou ainda para satisfazer o desejo pessoal de pastores e líderes, especialmente de louvor.

Os crentes hoje seguem o mesmo princípio normativo do culto, defendido pela Igreja Católica e desprezam o Principio Regulador do culto, defendido pelos Reformadores.

A Confissão de Fé de Westminster, formulada no século XVII, no capítulo XXI.I, faz a seguinte afirmação sobre o Culto e a adoração a Deus: “o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”.

Antes de continuarmos nossa abordagem sobre Erros, desvios e heresias em relação ao culto e à adoração, em nossa época, preciso mais uma vez recorrer à Declaração de Cambridge, sobre o Soli Deo Glória:

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho”.

John. F. MacArthur, citando Charles Spurgeon, num brilhante artigo intitulado “Eu quero uma religião show”, escreveu:  “O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças (comentar a vontade pq tem IPB que também faz, apesar da direção da igreja já ter proibido) e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice”.

A igreja do Senhor precisa voltar a fazer a pergunta esquecida, quando algo novo vai ser incluído em seu culto, em sua adoração: Existe base bíblica para isso?[1] Isso é muito grave.

Ainda no livro “Princípio Regulador do culto”, já citado, é perguntado: Por que Deus não se agradou da oferta de Caim? Porque Nadabe e Abiú foram mortos por colocarem fogo estranho no oferecimento de incenso (Lv 4:17-20)? Por que Uzá foi morto ao segurar a arca da aliança quando os bois tropeçaram em Quidom? Resposta reformado-puritana: porque todos eles contrariam a lei do culto, o princípio bíblico regulador do culto, que atribui a Deus o direito de prescrever a maneira pela qual ele deseja ser adorado (ANGLADA, p.28).


[1] Evidentemente que essa exigência se dá, tão somente, para elementos litúrgicos e cúlticos, como por exemplo: orações, cânticos (tipo e instrumentos), pregação, sacramentos, mas não para elementos circunstanciais, como por exemplo, bancos, som, microfones, etc. Esses últimos não fazem parte do culto. Mas atenção: alguns elementos inseridos na adoração, ainda que não biblicamente comprovados, num ambiente de culto, passam a ser parte integrante desse culto, dessa adoração. Aqui, sim, cabe a pergunta antes de inserir esses elementos: “existe base bíblica para inserir essas práticas no culto, na adoração ao senhor? Ele pediu pra ser adorado com essas práticas? Veja a diferença entre Elementos e circunstanciais do culto, mais detalhadamente: “Elementos e Circunstâncias de Culto. A Igreja Presbiteriana faz diferença entre elementos e circunstâncias de culto. Elementos de culto são os atos que têm significado religioso, prescritos na Palavra de Deus como formas aceitáveis de culto. Na nova dispensação, apenas a leitura bíblica, a pregação, a oração, a ministração dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor, e o cântico de louvores a Deus são elementos regulares de culto (juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais são, por sua própria natureza, elementos ocasionais de culto). Circunstâncias de culto são todas as demais coisas, de caráter não religioso, mas necessárias à realização do culto. Estas coisas não são fixas, não fazem parte do culto em si, não sendo, portanto, especificamente prescritas nas Escrituras. Mas devem ser ordenadas à luz da revelação geral, do bom senso cristão, de conformidade com os princípios gerais das Escrituras. Como exemplo de circunstâncias de culto na dispensação do Evangelho, estão: o local de culto, horário, duração e ordem do culto, móveis, iluminação, aquecimento ou ventilação, som, microfones, etc. Nenhuma dessas coisas deve adquirir conotação religiosa”. Conforme:  http://www.ipcpa.org.br/culto.php

SOLI DEO GLÓRIA - Parte 3/5


1º) Erros, desvios e heresias em relação a Salvação, que ofuscam a glória de Deus:

a) Na época dos reformadores:

Esse aspecto do Soli Deo Glória foi uma preocupação mais intensa de Lutero. Se houve um assunto pelo qual ele brigou foi esse: o de devolver a glória da nossa salvação a Deus, a Deus somente.

A igreja Católica medieval acabou por fazer uma divisão dessa glória: uma parte pra Deus e uma parte para o homem. Ela ensinava a salvação pelas obras, em uma espécie de sinergismo, que significa que Deus faz sua parte na salvação, mas o homem também precisa fazer a sua.

O Papa Leão X, para arrecadar dinheiro para construir a Basílica de São Pedro, inventou a famigerada “Indulgência” que nada mais era que a Venda de Perdão. Funcionava assim: você pecou ou até estava pensando em pecar, aí você iria até o padre e comprava o perdão relativo àquele pecado e ele lhe dava uma espécie de documento assegurando que você não seria condenado por aquele pecado. Ou seja, o indivíduo comprava a sua salvação. Portanto, ele tinha méritos, já que a salvação era obtida por seu esforço e dinheiro.

Rui Barbosa, no prefácio do livro “O Papa e o Concílio” diz que eles não respeitavam sequer os pontos mais melindrosos da Fé, chegando ao absurdo de afirmar que “é só jogar o dinheiro na caixa que, no mesmo instante, as almas que estão no purgatório escapam, e que todos deveriam comprar o perdão da alma de seus entes queridos, e ainda que tivessem uma só veste, deveriam despi-la, logo e já, para comprar benefícios tamanhos”.

Quem já assistiu o filme Lutero vai lembrar dessas passagens. Elas são muito bem retratadas na cena que Lutero vai visitar Roma pela primeira vez.

Contrário a tudo isso, a palavra de Deus em Jonas 2:9 diz que “a salvação pertence ao Senhor”. Em Efésios 2:1 diz que “Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados”. Em efésios 2:8-9, Paulo afirma: “Pela graça sois salvos mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie.

·        Percebam: em relação a Salvação, Deus não divide sua glória com ninguém. É ele quem vivifica um pecador que estava morto e o salva.

R.C SPROUL diz que “A glória da nossa salvação pertence a Deus”.

b) Em nossa época:

Bem, penso que em nossa época ainda convivemos com a mesma ofuscação da glória de Deus da época dos Reformadores: esse sistema de sinergia que ensina que Deus faz sua parte na salvação, mas que o homem também precisa fazer a sua, especialmente reforçada pela doutrina Arminiana, que assim como o Pelagianismo, na época de Agostinho, no século IV, também foi condenada como herética, no concílio de Dort, na Holanda. Isso é história, não estou inventando isso.

Mas há um aspecto peculiar da doutrina da salvação, em nossa época, que os Reformadores não tiveram o desprazer de conviver e, portanto, não precisaram combater: O Sistema de APELO.

Sim, em nossa visão e de acordo com a teologia Reformada, fazer apelo depois da mensagem acaba por ofuscar a Glória da Salvação que só pertence a Deus e a divide, mais uma vez, com o homem.

Permitam-me tratar desse assunto. De certa forma fico à vontade para tratar dele por dois motivos: primeiro porque, infelizmente, alguns pastores Presbiterianos também se utilizam dessa “técnica”. Portanto, falando contra ela, estarei falando de uma prática que existe também, infelizmente, dentro da minha igreja. Segundo porque eu também já fiz apelo. Pra vocês terem uma idéia, fui um dos responsáveis pela criação de um boné que trazia a seguinte mensagem: “Céu ou Inferno? Você decide”. Isso, sim, é um apelo de moral!

O que é isso senão tirar a glória da Salvação somente de Deus e a entregar também ao homem. Dividir a glória: um pouquinho pra Deus e um pouquinho para o homem.

Para entender como o Sistema de Apelo Entrou na igreja é preciso voltar um pouco no tempo, até o século XIX:

O Século XIX  marca um divisor de águas na história da humanidade. É nele, onde se dá, entre outros fatos importantes, o desenvolvimento, no seu ápice, das ciências positivas e do Humanismo. O homem agora buscava uma autonomia em relação a Deus. Era comum dizer-se que o homem não precisava mais de Deus, que conseguia sem problema algum resolver todas as suas questões. Um homem chamado Frederic Nitch, reconhecido por muitos como pai do humanismo, escreveu um livro que anunciava, pasmem, a morte de Deus, e, conseqüentemente, da religião. A idéia que permeava neste século era a idéia de um “super homem” (aliás, o super homem que conhecemos nasce daqui). O homem resolve tudo, faz tudo, não precisa de nada, muito menos de Deus (que era apenas uma criação fantasiosa da igreja para subjugar as pessoas e mantê-las sob sua tutela).

No fervor dessa corrente filosófica – Humanismo -, que exaltava o homem e suas qualidades, acima de qualquer coisas, ainda no século XIX, surge um homem que vai trazer toda essa maneira de pensar acerca do homem para dentro do protestantismo: chamava-se Charles Finey, o criador do APELO na pregação, que nada mais é que reflexo da corrente filosófica de sua época. No apelo toda a responsabilidade da salvação é lançada para o agora “super homem”, que tem, inclusive, o poder de decidir se vai dar ou não uma chance a  Deus. Se vai ou não vai ser salvo.

Precisamos entender uma coisa: todas as vezes que o homem é exaltado,  Deus é diminuído. Todas as vezes que a glória do homem é exaltada, a glória de Deus é diminuída, exatamente como ocorre numa gangorra.

O Sistema de Apelo faz isso: exalta o homem e, conseqüentemente, diminui a glorificação da glória  de Deus.

“Não existe paralelo entre o apelo moderno e as palavras do Senhor, entretanto, o apelo é feito como se o próprio Cristo endossasse o convite do evangelista para levantar-se rapidamente” (MURRAY. IAN. Sistema de Apelo. PES, 1967. p.13).

Você acha que não? Quando se diz “quem quer receber a Cristo levante uma de suas mãos”, ocorre duas coisas: a) quem levantou a mão tem o mérito de ter “aceitado” a Deus. Quem somos nós para aceitarmos? Nós é que precisamos desesperadamente ser aceitos por Ele. b) quem não levanta a mão está pregando que tudo depende dele e ele “aceita” a Deus na hora que ele quiser e bem entender. Se isso fosse verdade, Deus não seria Soberano. Sabe o que ele fez com “o pior dos pecadores”? Derrubou do cavalo e trouxe-o para si, na hora que bem entendeu e ele não pode resistir a esse chamado eficaz. Isso sem contar nos exageros de muitos “apeladores”. Eu já ouvi um pastor dizendo assim: “Eis que estou à porta e bato. Você não vai abrir? Imagine chovendo, Jesus batendo na porta do seu coração, do lado de fora, na chuva,  mesmo assim você não vai abrir a porta do seu coração pra ele?”. Sinceramente? Esse não é o Deus soberano da bíblia.

Quero encerrar esse aspecto do Soli Deo Glória, que faz referência à salvação, com a Declaração de Cambridge, formulada por 120 pastores e doutores, na Universidade de Harvard:


Tese 5: Soli Deo Gloria: Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

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