domingo, 28 de fevereiro de 2016

SOLI DEO GLÓRIA - Parte 4/5


2º) Erros, desvios e heresias em relação ao culto e à adoração:

a)  Na época dos reformadores:

Umas das maiores preocupações dos Reformadores, principalmente de Calvino, era a de purificar as corrupções que tinham se infiltrado no culto e na adoração da igreja de Cristo.

Nessa época muita atenção passou a ser dada à criatura, no culto, ao invés de ser dada unicamente ao criador. Então estátuas de pessoas passaram a ser prestigiadas no culto e ainda que a Igreja Católica dissesse e ainda diz que não adora a estátua, nem às pessoas ali representadas, ainda que pessoas se ajoelhem diante delas e lhes acendam velas e lhes prestem honra, uma coisa é líquida, certa e clara: a glória de Deus agora estava dividia no culto com suas próprias criaturas. Deus não admite isso. Leia comigo Isaías 42:8.

Além dessa absurda glória dada ao homem dentro do ambiente de culto a Deus, a Igreja Católica passou a inserir no culto uma série de elementos estranhos à bíblia, como por exemplo, o uso de velas, de paramentos sacerdotais, etc.

Existe duas formas de entender a teologia do culto: a) Princípio Normativo do culto: o que a bíblia não proíbe, posso ter no culto e na adoração a Deus. Esse princípio é o defendido pela Igreja Católica. A idéia é a seguinte: a bíblia proíbe velas no culto? Não, então posso ter. A vela não é um simples fator circunstancial, ela é um elemento litúrgico e existe um fator doutrinário e teológico no seu uso;  b) Princípio Regulador do Culto: só posso ter no culto e na adoração à Deus aquilo que a bíblia manda explicitamente ter. Esse princípio era defendido pelos Reformadores e visava a purificação da liturgia, do culto e da adoração de acréscimos sem embasamento das Escrituras sagradas.

Calvino colocou essa purificação do culto como algo central em sua vida e em sua teologia.

O Rev.Paulo Anglada, em seu excelente livro “Princípio Regulador do culto” confirma isso, ao afirmar que “O foco principal dos Reformadores, tais como Zwinglio [...], Farel e Calvino foi a purificação do culto das superstições e idolatria medievais” (ANGLADA. Paulo. Princípio Regulador do Culto. PES, 1997, p.6).

Essa preocupação dos Reformadores e especialmente de Calvino com o Culto e à Adoração a Deus se dá pela gravidade do assunto. Há quem pense que Deus aceita qualquer tipo de adoração. Isso não é verdade.

Lembremo-nos de Caim. Deus não recebeu a adoração dele.

Desde o tempo de Jesus havia a preocupação com o que podemos chamar de Adoração Aceitável a Deus, exatamente porque sempre houve e ainda há a possibilidade de Deus não aceitar nosso culto e nossa adoração. Veja essa preocupação em João 4:20.

Em João 4:24, o próprio Jesus ensina como deve ser o culto, a adoração para que seja aceitável por Deus: a) Em Espírito, que denota sinceridade de coração e b) Em Verdade (João 17:17), que denota conformidade com a Palavra de Deus, onde expressa como Ele quer ser Adorado.

b)      Em nossa época:

Bem, penso que em nossa época ainda convivemos com a mesma ofuscação da glória de Deus da época dos Reformadores, em relação ao culto e à adoração a Deus.

Nesse sentido, podemos ver claramente e mais uma vez a glória de Deus sendo dividida com a glória de homens, só que dessa vez, em nossa época, são eles “pregadores famosos”, cantores gospels e um elemento novo, que não existia no tempo dos Reformadores: o pecador. Sim, o culto hoje em dia é feito para agradar ao pecador e não para glorificar a Deus.

Os cultos, as igrejas, a adoração pouco a pouco foi sendo transformada em shows.

Hoje em dia temos pregadores e cantores com Fãs clubes, mais se parecem com pop stars . E, assim, a glória do culto e da adoração que deveria ser dada a Deus somente, Soli Deo Glória, é repartida com esses “profissionais da adoração”.

Mas há um aspecto do culto prestado a Deus hoje que também existia no tempo dos reformadores, mas que está cada vez mais evidente: a inclusão de práticas e elementos cúlticos sem a necessária base bíblica. Tudo isso para agradar o pecador ou ainda para satisfazer o desejo pessoal de pastores e líderes, especialmente de louvor.

Os crentes hoje seguem o mesmo princípio normativo do culto, defendido pela Igreja Católica e desprezam o Principio Regulador do culto, defendido pelos Reformadores.

A Confissão de Fé de Westminster, formulada no século XVII, no capítulo XXI.I, faz a seguinte afirmação sobre o Culto e a adoração a Deus: “o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”.

Antes de continuarmos nossa abordagem sobre Erros, desvios e heresias em relação ao culto e à adoração, em nossa época, preciso mais uma vez recorrer à Declaração de Cambridge, sobre o Soli Deo Glória:

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho”.

John. F. MacArthur, citando Charles Spurgeon, num brilhante artigo intitulado “Eu quero uma religião show”, escreveu:  “O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças (comentar a vontade pq tem IPB que também faz, apesar da direção da igreja já ter proibido) e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice”.

A igreja do Senhor precisa voltar a fazer a pergunta esquecida, quando algo novo vai ser incluído em seu culto, em sua adoração: Existe base bíblica para isso?[1] Isso é muito grave.

Ainda no livro “Princípio Regulador do culto”, já citado, é perguntado: Por que Deus não se agradou da oferta de Caim? Porque Nadabe e Abiú foram mortos por colocarem fogo estranho no oferecimento de incenso (Lv 4:17-20)? Por que Uzá foi morto ao segurar a arca da aliança quando os bois tropeçaram em Quidom? Resposta reformado-puritana: porque todos eles contrariam a lei do culto, o princípio bíblico regulador do culto, que atribui a Deus o direito de prescrever a maneira pela qual ele deseja ser adorado (ANGLADA, p.28).


[1] Evidentemente que essa exigência se dá, tão somente, para elementos litúrgicos e cúlticos, como por exemplo: orações, cânticos (tipo e instrumentos), pregação, sacramentos, mas não para elementos circunstanciais, como por exemplo, bancos, som, microfones, etc. Esses últimos não fazem parte do culto. Mas atenção: alguns elementos inseridos na adoração, ainda que não biblicamente comprovados, num ambiente de culto, passam a ser parte integrante desse culto, dessa adoração. Aqui, sim, cabe a pergunta antes de inserir esses elementos: “existe base bíblica para inserir essas práticas no culto, na adoração ao senhor? Ele pediu pra ser adorado com essas práticas? Veja a diferença entre Elementos e circunstanciais do culto, mais detalhadamente: “Elementos e Circunstâncias de Culto. A Igreja Presbiteriana faz diferença entre elementos e circunstâncias de culto. Elementos de culto são os atos que têm significado religioso, prescritos na Palavra de Deus como formas aceitáveis de culto. Na nova dispensação, apenas a leitura bíblica, a pregação, a oração, a ministração dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor, e o cântico de louvores a Deus são elementos regulares de culto (juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais são, por sua própria natureza, elementos ocasionais de culto). Circunstâncias de culto são todas as demais coisas, de caráter não religioso, mas necessárias à realização do culto. Estas coisas não são fixas, não fazem parte do culto em si, não sendo, portanto, especificamente prescritas nas Escrituras. Mas devem ser ordenadas à luz da revelação geral, do bom senso cristão, de conformidade com os princípios gerais das Escrituras. Como exemplo de circunstâncias de culto na dispensação do Evangelho, estão: o local de culto, horário, duração e ordem do culto, móveis, iluminação, aquecimento ou ventilação, som, microfones, etc. Nenhuma dessas coisas deve adquirir conotação religiosa”. Conforme:  http://www.ipcpa.org.br/culto.php

2 comentários:

  1. Sunjetivismos....rs ou intuição?!! Como se adora um Deus que de antemão produziu seres mortos no pecado?

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  2. Ele voltou?..rs. Que conversa é essa rapá? deus criou o homem bom, reto e alma vivente.

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