quinta-feira, 5 de maio de 2011

O QUE SIGNIFICA COMEMORAR A MORTE DE OSAMA BIN LADEM?


Em meio à bombástica notícia da morte do terrorista mais procurado do mundo  – Osama Bin Laden -,  algo realmente chamou nossa atenção:  a comemoração espontânea do povo americano pela morte desse homem. Observe no vídeo abaixo:



Mas, não é estranho comemorar a morte de alguém?

Em se tratando de um assassino sanguinário não. Absolutamente não! Muitíssimo pelo contrário: é um sentimento legítimo, sobretudo partindo daqueles que foram vitimados por sua loucura e desprezo pela vida. Na verdade, sua morte soltou “o grito que estava preso na garganta” durante longos e tenebrosos dez anos. Soltou o sorriso misturado com saudade de quem sente, finalmente, o princípio de justiça sendo absolutamente satisfeito.

Não, nós não devemos criticar os americanos por essa comemoração. Muitos deles - pais, mães, filhos e filhas -, tiveram suas vidas destroçadas por este homem.  Você não ficaria igualmente aliviado(a) - e  se for bem honesto(a), satisfeito(a) -  ao saber que o assassino do seu filho e ameaçador da sua vida, foi morto pela polícia? Você o preferiria morto ou preso?

A comemoração da morte de Bin Laden é extremamente emblemática.

Significa, sugere e representa uma verdade que tem sido omitida sob o argumento falacioso dos direitos humanos:  

Que o povo aceita e concorda que assassinos contumazes que são uma ameaça à vida em sociedade e à paz social devem ser eliminados em prol da coletividade.

"Não tenho nenhuma dúvida de que com a sua morte o mundo será mais seguro", disse Hillary Clinton. 
 http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=28624446.

Um mix de alívio e sensação de segurança. Esse foi o sentimento que invadiu o coração do povo americano. Destacamos o depoimento de dois moradores de Nova York, que você pode conferir no vídeo abaixo:

“A notícia da morte de Bin Laden trouxe conforto e sensação de justiça”. O outro, estudante, falando em português precário afirmou: “É muito bom ver ele morto, estou muito aliviado”.


O ex-presidente americano George W. Bush, que estava no governo no 11 de Setembro e famoso por ter dito que queria Osama Bin Laden vivo ou morto,  fez a seguinte afirmação: "Não importa quanto tempo leva, a justiça será feita".
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/05/02/a-repercussao-da-morte-de-bin-laden-entre-politicos-lideres-mundiais-

O atual presidente, Barack Obama, por sua vez concluiu: “A justiça foi feita”.
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/909891-justica-foi-feita-diz-obama-sobre-a-morte-de-bin-laden.shtml

Que leitura podemos fazer dessas declarações que representam tão bem o sentimento do povo americano, mas que transcendem  às fronteiras físicas e culturais, sendo, em última análise, o sentimento de todos que testemunham o fim de um assassino?

Que só é possível afirmar ter havido justiça plena, nos casos de crimes de assassinatos, sobretudo os praticados com requintes de crueldade e com caráter hediondo, quando ocorre, também, a morte do assassino, cuja execução é de responsabilidade exclusiva do Estado.

6 comentários:

  1. Um ponto crítico a se pensar é o significado da morte pro ocidental e para o oriental. Não vou me arriscar a comentar essa complexa diferenciação. Erraria o alvo. No entanto, acredito que ela é substancialmente relevante para se compreender tanto a felicidade do povo americano quanto a tristeza dos paquistaneses.

    O contexto é de guerra. Daí a legitimidade da ação militar. No entanto, SE a morte de um homem foi o "âmago" da comemoração, devemos questionar, como cristãos, por que sorrisos em vez de tristeza, euforia sobrepondo a reflexão ou música no lugar do silêncio.

    A morte do terrorismo deve ser comemorada e não do terrorista ou de qualquer outro tipo humano repudiado pela sociedade (mendigos, assaltantes, pedófilos, políticos corruptos...). Nas devidas proporções, Saulo foi um terrorista (espalhava o terror em nome de uma ideologia político-religiosa). Suas armas eram pedras e espadas e não aviões e bombas. Se eu não estiver errado, lembrar-nos disso constitui-se num exercício de humanização do pecador não redimido e numa separação entre aquilo que importa (a paz, o shalom, morte do terror) do que não importa (a violência, o estímulo da iniquidade, o povo americano em comemoração). Se a alegria do povo americano se concentrou na execução do terrorista mais procurado do mundo, não devemos esperar que as nações entendam isso como um estímulo a paz. Acho que deveríamos ver cartazes dizendo "Peace! Peace!" do que imagens de papel higiênico em árvores de uma Universidade.

    Honestamente não comemorei a morte do Bin Ladem. O terrorismo está muito longe de morrer e fiquei mais preocupado com as bem prováveis retaliações que virão em nome de Alá. A leitura que eu faço da notícia do falecimento do Osama nos EUA é um apreço mais pela justiça (de quem?) do que pela justificação. A morte não deve ser celebrada por aqueles que "são" o sal e a luz.

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  2. Prezado Danilo:

    Como sempre, seus comentários são instigantes. Outro dia tentei comentar no teu blog e não consegui. Por que não abre para comentários, ainda os aprove depois de moderados?

    Vamos lá:

    Você não ficou feliz nem comemorou a morte de Bin Laden porque você não foi vitimado por ele, assim como os paquistaneses que choraram.

    Isso vale para qualquer assassino. Devemos nos alegrar quando a justiça é estabelecida e cumprida.

    Salvo engano, você subscreve os símbolos de fé de Westminster não é? Sabia que eles colocam a pena de morte como dever do estado para a proteção da vida? Ora, todas as vezes que a vida (de inocentes) é protegida há, implicitamente, motivos para comemorar.

    Você também abordou um tema interessante: "O contexto é de guerra. Daí a legitimidade da ação militar". Isso é realmente algo que está sendo questionado na ação que eliminou Osama. Guerra contra quem? Contra que país? O cara estava desarmado. Penso que a operação deixou muitas brechas para os críticos. Porém, prefiro entender o caso como um "justo julgamento" do Estado que já enviou a sentença pela tropa de elite americana: o assassino Bin Lade deve ser morto.

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  3. Irmão, concordo com a pena capital no caso de homicídio aplicada pelo Estado (Gn 9.5//Rm 13.1-7). Beatificar um assassino de massas ou reduzí-lo a mero símbolo do terror camufla o ato vingativo por parte de Deus. Justiça realmente foi feita. Bin Ladem morreu.

    O meu comentário foi uma tentativa de responder, em cima da corda bamba, à sua pergunta: "Mas, não é estranho comemorar a morte de alguém?". Em síntese, eu disse que é estranho. Se no caixão estivesse a Al Qaeda, eu estaria comemorando também. O irmão poderia objetar:"Como que você separa terrorismo de terrorista? Não é a mesma idéia da falácia teológica de separar pecado de pecador?" Foi por isso que disse que estava em cima da corda bamba. ACHO que, particularmente neste caso do Obama, a justiça deve ser questionada e consequentemente a comemoração também. Há mais evidências de uma ação "queima de arquivo" do que "um ato legítimo do vinagador: o Estado".

    Não sei se fui suficientemente claro, irmão. Espero que sim. Quanto aos comentários no blog Mocidade Presbiteriana, vou verificar o problema.

    Um abraço!

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  4. Não concordo com a comemoração. Não consigo entender como a morte de um homem pôde trazer tanta alegria! Isso me dói. Não exatamente a morte do Osama me dói, mas ver como temos perdido a visão da profundidade, da gravidade e, principalmente, da sutileza do pecado. Eu tenho certeza que Deus também não se alegrou. Concordo com o Danilo quando ele diz que "a morte do terrorismo deve ser comemorada e não do terrorista". Se ao menos a morte de Bin Laden significasse o fim dos ataques terroristas... Mesmo assim não sei se concordaria, mas também não é o caso. Pelo contrário, essa ação só suscitará mais violência.
    Além do mais, a ação que levou à morte de Osama não é fruto da sede de justiça, mas da sede de vingança. E a comemoração não é a alegria por ver a justiça sendo feita, mas a alegria em poder dizer "bem feito". Ora, ainda vivemos sob o preceito "olho por olho, dente por dente" ou vamos oferecer a outra face? E mesmo que o argumento seja o de justiça, vale lembrar que a justiça do homem, por melhor e mais correta que pareça, ainda é trapo de imundícia. Caro Filósofo, fiquei impressionada com a frase "... só é possível afirmar ter havido justiça plena ... quando ocorre, também, a morte do assassino". Que frase é essa, meu Deus?! Quem inventou isso? Não importa o tipo de crime, SÓ DEUS, que é perfeitamente justo e pleno, pode fazer justiça plena.

    Não concordo com a pena de morte. Não consigo entender como a morte de uma pessoa pode trazer alegria e conforto. Na verdade, se engana quem pensa que a morte (ou até simplesmente a prisão) do assassino que a vitimou trará alegria e conforto. Não! O único recurso que temos e que, na verdade, pode restaurar a alegria e o conforto no coração de alguém que perdeu uma pessoa querida é o PERDÃO. Em 2004, perdi um primo que foi vítima de um assalto. Tentavam levar seu carro quando deram um tiro na sua nuca que saiu pela testa. Ficamos arrasados. Tenho um primo e um cunhado que são policiais. Eles sabiam em que delegacia estavam os rapazes que cometeram essa atrocidade. Eles, meu irmão, meu esposo (na época, meu namorado) e outros primos chegaram a marcar pra irem lá acertar as contas com eles (esses homens têm um coração tão duro, viu! rsrs...). Quando minha tia, a mãe do assassinado, soube das intenções deles, deu ordens pra que todos fossem à casa dela. E disse a eles: "Eu também quero ir à delegacia com vcs. Quero abraçar aqueles meninos e dizer a eles que Jesus os ama como Ele amava o Dudu, e que agora eu também os amo e que, como não preciso mais orar pelo meu filho, vou orar por eles. Quero dizer pra eles que agora eles são os meus filhos no lugar no Dudu". É evidente que, depois disso, eles não foram à delegacia, mas se tivessem ido, ela também teria ido e feito exatamente o que disse que faria. Isso não é estória da carochinha. Foi verdade. Acredite! Essa mulher sim, Danilo e Filósofo, é sal e luz. Nós também podemos ser como ela se deixarmos Cristo iluminar as trevas do nosso coração.

    Paz!
    Neila Gláucia

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  5. Retificando: Nós também podemos ser como ela se, de fato, Cristo iluminar as trevas do nosso coração.
    Quem sou eu pra deixar Deus fazer alguma coisa??? rsrs...

    Paz!
    Neila Gláucia

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  6. Prezada Neila:

    Seu comentário está muitíssimo bem construído. Um texto excelente e muito bem escrito, muito embora eu não possa concordar com ele.

    A história da sua tia é realmente comovente. Devo concluir, pelo seu relato, que se dependesse dela para a implantação da pena de morte, para os casos de crimes bárbaros, como o do seu primo, por exemplo, ela não seria implantada.

    Pelo que percebo você também concorda plenamente com sua tia, ou seja, são RADICALMENTE contra a pena capital. Mas a questão é: você e sua tia, já estudaram algum dia esse assunto à luz das escrituras? Deixe-me respoder por você: Não, nunca! Não é verdade?

    Suponhamos agora que o Estado pergunte a você e a sua tia: devo elimiar esse bandido cruel da sociedade? O que as senhoras responderiam? Não, deixe-o preso, certo? Confesso que tenho dificuldade pra entender essa postura por meio do ARGUMENTO DO AMOR.

    É amar alguém permitir, querer e concordar que ele fique preso? Amor esquisito, não? Pelo argumento do amor, não seria mais coerente sua tia dizer ao delegado: Drº, assim como eu não quereria ver meu filho preso, também não quero ver esse bandido sanguinário, pois sou serva de Cristo e o amo com o amor de Deus. Por favor, solte-o. Aí, sim, agindo assim, o ARGUMENTO DO AMOR ficaria coerente. Só assim.

    Mas, suponhamos ainda que esse bandido tenha cumprido sua pena pelo assassinato que cometeu, tendo recebido o benefício de ficar vivo por conta da resposta dada por sua tia à pergunta do Estado. Após 20 anos ele é solto (afinal cumpriu toda a pena). No dia posterior ele comete o mesmo crime, no mesmo local e da mesma forma, só que dessa vez com seu filho Neila (70% dos assassinos são reincidentes).

    Pergunto finalmente: de quem terá sido a culpa desse novo assassinato? Será que você e sua tia não teriam, nesse novo assssinato, ao menos uma parcela de culpa? Será que o sangue da nova vítima não iria respingar em suas mãos?

    Note, a eliminação desse tipo de bandido cruel e sanguinário é exatamente para proteger a vida. Não podemos pensar egoísticamente apenas nos nossos sentimentos e crenças. Precisamos pensar na sociedade, no que seria bom para a sociedade.

    Sugiro que faça uma pesquisa aqui no blog mesmo e leia algumas psotagens sobre A PENA CAPITAL.

    Gostaria de ver mais de suas opiniões. Elas dão "panos pra mangas" para o debate...rs.

    Tudo de bom!

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