EVENTOS INTERNACIONAIS

HENRI BERGSON E A PROXIMAÇÃO CONTEMPORÂNEA DO CONCEITO AGOSTINIANO DE TEMPO

Mestre Fábio José Barbosa Correia


INTRODUÇÃO

O homem contemporâneo, mais que todos os outros, vive submisso à “ditadura” dos relógios e dos calendários. São eles que nos dizem quando devemos dormir, quando devemos acordar e até, quando devemos saciar nossa fome. Nossa vida interior tende a ajustar-se à “pressa” da vida exterior. Somos, como afirma Bernard Piettre, em seu livro filosofia e ciência do tempo, “compelidos cada vez mais a relacionar nosso “agora” pessoal ao cronograma determinado pelo relógio e pelo calendário” .

Vivemos tão envolvidos com essa e nessa rotina que a idéia de tempo que temos, formatada sob o quadrante dos relógios, parece ser uma verdade absoluta.

O estudo do “tempo” na história tem demonstrado que essa nossa concepção, sobretudo no mundo ocidental, é fruto de diversas transições ocorridas no próprio ritmo de vida do ser humano:

A primeira delas foi a mudança de uma vida de características nômades para uma forma de vida agrícola, mais organizada. Nessa fase, a importância dos fenômenos cíclicos foi enormemente realçada. Existem relatos que, no Egito antigo, onde tudo dependia do Nilo, a coroação do Faraó era programada para coincidir com a subida do rio, no início do verão ou com o recuo das águas, no outono. Assim era também, na maioria das civilizações antigas, com raras exceções, a noção cíclica do tempo.

Uma outra importante transição na concepção do tempo teve como principal agente o cristianismo. A crucificação de Cristo, vista como um evento único, isto é, não sujeito à repetição, acabou implicando numa noção linear do tempo. No período medieval, esses dois conceitos de tempo: cíclico e linear, co-existiram em conflito. Os cientistas e eruditos, influenciados pela astronomia e pela astrologia, tendiam a enfatizar o conceito cíclico, enquanto a concepção linear era promovida pela classe mercantil e pelo início de uma economia monetária. Esse último fato é de relevante importância, pois culminou na noção moderna de tempo. WHITROW, um dos maiores estudiosos da “história do tempo”, comentando sobre este início da economia monetária, afirma o seguinte:

Com a circulação da moeda deu-se ênfase à mobilidade. O ritmo da vida aumentou, e o tempo passou a ser considerado algo valioso que parecia escapar continuamente [...]. Os homens começavam a acreditar que “tempo é dinheiro” e que deviam tentar usá-lo de forma econômica .

Essa noção de tempo alcançou seu ponto mais alto com Newton. Para ele, o tempo é uma espécie de “ser” que tem a função de fluir; estando decretada, assim, definitivamente, a natureza ontológica do tempo. WHITRON, afirma ainda que:


Nos séculos XVIII e XIX, o ponto de vista de Newton era dominante, de modo que no início do século XX admitia-se genericamente que havia apenas um sistema universal de tempo e que ele existia por si só. Essa crença não se limitava aos cientistas: foi alimentada pela tendência crescente na civilização industrial para que a vida dos homens fosse regulada pelo relógio, particularmente depois da produção em massa de relógios mais baratos .


Poucas concepções de tempo tiveram tanta aceitação como essa. Exatamente porque “a idéia de Newton de tempo absoluto, existindo por si só, é coerente com a idéia do senso comum, que todos nós temos. Sentimos que o tempo deve continuar independentemente do que aconteça” .

Assim, como acabamos de expor, nesse breve histórico da concepção do tempo, foi formada a idéia de tempo que, em geral, temos.



ELUCIDAÇÃO


O tempo possui uma peculiaridade muito interessante: nos faz sentir que o compreendemos perfeitamente. Quem não entenderia uma simples conversa cotidiana que envolvesse tal assunto? Certamente, qualquer um de nós seria capaz de falar algo acerca do tempo. Não seria? Claro que sim. Até mesmo as crianças falam dele com naturalidade. O tempo é, para nós, tão evidente, que, geralmente, agimos com estranheza quando o assunto é tratado como um problema. O próprio filósofo Agostinho reconhece isso quando faz a seguinte afirmação, em suas confissões: “Que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam” . Em fim, sabemos sobre o tempo, sentimos o tempo, faz parte de nossa realidade e com ele convivemos bem, até que se nos pergunte: O que é o tempo? Essa pergunta é, de fato, o “divisor de águas” entre o conhecimento total e o total desconhecimento do tempo. Agostinho também reconhece isso. Diz ele: “Se ninguém me perguntar, eu sei; porém se quiser explicar a quem me perguntou, já não sei” .

Piettre, acerca da imensa dificuldade que envolve o conhecimento do tempo, afirma que “o tempo é, certamente, um dos mais antigos enigmas, senão de interrogação humana, ao menos da filosofia” . Ainda nesse particular, Husserl, em sua obra “Lições para uma fenomenologia da consciência interna do tempo”, afirma que “a análise da consciência do tempo é uma antiqüíssima cruz da psicologia descritiva e da teoria do conhecimento” .

O problema do tempo tem sido discutido, científica e filosoficamente, em duas direções: a) Sob o ponto de vista ONTOLÓGICO . É o tempo um “ser” objetivo, isto é, existe independentemente do homem? Não existindo mais o homem, o tempo continuará a existir? São questões respondidas afirmativamente pelos que defendem uma existência ontológica do tempo. b) Sob o ponto de vista EPISTEMOLÓGICO . Não seria a causa da existência do tempo o próprio homem, que, deixando de existir, faria cessar também sua existência? O tempo visto não como um “ser” objetivo, mas com uma existência decretada tão somente no âmbito da consciência, é o que defendem os que acreditam ser o tempo um problema de conhecimento, epistemológico.

É nessa segunda direção que caminham Agostinho (354-430) e Bergson (1859-1941). O primeiro, medieval, nascido em Tagasta, na África. O segundo, contemporâneo, filho de judeus, nascido em Paris. Ambos, de reconhecida autoridade no estudo do tempo. Abbagnano destaca a importância de estudá-los paralelamente, quando afirma que Bergson, na modernidade, reexpôs a tese fundamental de Agostinho .

O presente artigo tem o objetivo de tentar entender como ambos viam o “problema” do tempo. A palavra “problema”, grafada no título de nossa dissertação, propositalmente, quer chamar a atenção para a complexidade do tema, em detrimento do que pensa o senso comum. Passaremos agora a abordar, mais especificamente sobre: O problema do tempo no pensamento de Agostinho de Hipona e de Henri Bergson.



ARGUMENTAÇÃO



1- Em primeiro lugar o tempo, tanto para Agostinho quanto para Bergson, é subjetivo.



a) A subjetividade do tempo em Agostinho.



Alguns têm sugerido que toda a dificuldade que envolve esse problema, está diretamente relacionada com o grau de envolvimento e a estreita relação do ser humano com o tempo . Somos seres temporais, isto é, vivemos “dentro do tempo”, e já assim fomos criados.

O cerne do pensamento Agostiniano inverte essa perspectiva e levanta, entre outras, as seguintes questões: E se ao invés de vivermos “dentro do tempo” for ele nosso hóspede? Hóspede de nossas consciências? Mais ainda, produto de nossas consciências? Criação de nossas mentes?

Para uma compreensão mais adequada da teoria do tempo de Agostinho, assim como de todo o conjunto de sua obra, é necessário entender, primariamente, que toda sua estrutura de pensamento está lastreada na lógica peculiar de sua época: a verdade vista como aquilo que “é”. Fazendo uso dessa lógica, Agostinho chega a duas conclusões muito importantes:

A primeira delas está relacionada, em certo sentido, com a “negação” o tempo; de um tempo existente como um “ser” exterior ao homem, um tempo “objetivo”, “criado” independentemente do homem. Diz ele:



Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo claro e brevemente? [...] e de que modo existem aqueles dois tempos – o passado e o futuro – se o passado já não existe e o futuro ainda não veio? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse para o pretérito, como poderíamos afirmar que ele existe, se a causa da sua existência é a mesma pela qual deixará de existir? .





Agostinho desconhecia, pelo menos filosoficamente, a existência de um tempo objetivo. Ele argumentava, logicamente, a favor da não existência “objetiva” do passado e do futuro. Um já passou, referindo-se obviamente ao pretérito, logo, já não “é”, ao que se segue que não é verdadeiro afirmar “existir” o passado. Quanto ao futuro, ainda não veio, logo, também não “é”, sendo, por conseqüência, igualmente falso afirmar sua existência. Quanto ao presente, a única forma que o reconhecemos como presente é quando contrastado em relação aos outros dois tempos (passado e futuro), caso contrário, o que seria? E se a causa da sua existência é a mesma pela qual deixará de existir (passado e futuro), decorre daí, lógica e igualmente, ser tão falso afirmar a existência do presente quanto afirmar a existência do passado e do futuro .

Uma segunda conclusão a que chega Agostinho, como conseqüência de sua análise lógica, está relacionada à existência de um “tempo real”, único e que existe de fato, mas não como um tempo objetivo e sim subjetivo. Diz ele:



O que agora transparece é que, não há tempos futuros nem pretéritos. É impróprio afirmar: Os tempos são três: Pretérito, presente e futuro. Mas talvez fosse próprio dizer: os tempos são três: presente das coisas passadas, presente dos presentes, presente dos futuros. Existem, pois, estes três tempos na minha mente, que não vejo em outra parte .





Para ele, o tempo não é um “ente” independente do homem e objetivo, mas, pelo contrário, existe tão somente dentro de sua mente e em nenhum outro lugar mais. Piettre, comentando sobre a teoria agostiniana do tempo, afirma que “o tempo existe para e pela alma. O tempo é uma distenção, um repouso da alma” . Isso equivale a afirmar que o tempo existe por causa de nossas consciências, isto é, não existindo o homem, não existindo sua consciência, o tempo também não mais existirá, porque é lá que, unicamente, existe o tempo; como também é lá, na consciência, na mente do homem, onde há também sua tripartição em passado, presente e futuro, por intermédio da memória. Reale e Antiseri também confirmam esse pensamento, quando firmam que “passado e futuro só podem viver em uma consciência que os liga ao presente” .

De acordo com Agostinho, há uma interdependência das três categorias do tempo – passado, presente e futuro -, como comenta: “na verdade essa separação é apenas aparente ou metodológica, pois passado e futuro estão imbricados no presente e são interdependentes, não pode existir um sem o outro” . Sendo assim, o tempo agostiniano não pode ser entendido de forma homogênea, separada e mensurável.



b) A subjetividade do tempo em Bergson



Henri Bergson viveu no apogeu da Modernidade, teve sua formação sob as bases das doutrinas kantianas e do positivismo. Como todos, vivia impressionado com os avanços das ciências físicas e matemáticas, que pareciam tornar cada vez mais obsoletas e ineficazes as respostas dadas pela filosofia, empurrando, aparentemente e de forma definitiva, a metafísica a uma profunda crise sem volta.

A partir de suas inquietações pela falta de precisão da filosofia, e lastreado por sua formação, Bergson decide transportar o método rigoroso utilizado pelas ciências para a filosofia. Mas, apesar da admiração que nutria pelo rigor das ciências físicas e matemáticas, percebeu que este método não poderia ir além do mundo dos fenômenos, do relativo, que era insuficiente para alcançar o absoluto.

Bergson percebeu, então, que o conceito positivista do tempo estava distante de representar a verdade, o absoluto. O conceito de tempo da mecânica divergia do tempo existente nas nossas consciências, na nossa realidade. Sobre este particular afirmam Reale e Antiseri: “Bergson se deu conta que o positivismo não manteve em absoluto a sua promessa de fidelidade aos fatos” .

O que fez então a ciência positiva? Como não conseguiu explicar o que é o “tempo real” (aquele percebido pela consciência), precisamente porque se utilizou da faculdade intelectual da inteligência, que, por sua natureza, não consegue absorver o “total”, mas apenas fenômenos fracionados, criou o seu tempo próprio para caber dentro de suas fórmulas matemáticas, deixando de lado o ideário de sua promessa de fidelidade aos fatos e trazendo, assim, vida ao “tempo especializado” ou ainda chamado de “tempo social”, um tempo criado pelo homem, que jamais poderá representar a realidade daquele percepcioanado pelas consciências. Ubaldo Nicola, historiador da filosofia, confirma esse pensamento:



A ciência, considerando o aspecto quantitativo, supõe um tempo escondido por uma ordem geométrica e espacial, feito de momentos distintos mas iguais entre si. O indivíduo, ao contrário, vive o tempo segundo um critério qualitativo: certos momentos são, para a consciência de quem os vive, fulminantes, outros podem durar uma eternidade .



Bergson, apesar de admitir a grave crise, não renuncia por completo à Metafísica, entendendo que ela estava tão somente trilhando um caminho equivocado: o da inteligência, e, precisamente por ter enveredado pelo caminho equivocado, a filosofia ficou desacreditada, gerando várias explicações diferentes para um mesmo objeto. Propõe então uma Metafísica diferenciada, sob a plataforma de uma nova faculdade mental, que não a utilizada até então pelas ciências e também pela metafísica clássica: a intuição, a única faculdade capaz de absorver o tempo único e subjetivo, visto, por Bergson, como a própria “duração” da vida (que é o dado da consciência, livre de toda e qualquer estrutura intelectual ou simbólica, livre dos conceitos, reconhecido na sua simplicidade original), conforme comenta Thonnard:



Intuição, segundo Bergson, é uma espécie de simpatia intelectual pela qual nos transportamos para o interior dum objeto, para coincidirmos com o que tem de único e, portanto, de inexprimível. Pela intuição se apreende o simples, o indivisível [...] todas as riquezas dos aspectos múltiplos. Atinge o real pelo lado de dentro, atinge o absoluto e não o relativo .



Bergson considera ainda que a solidificação do tempo, promovida pela idéia produzida pelas ciências, intervém, de forma direta, na questão da liberdade. É como se existissem dois “eus” convivendo ao mesmo tempo em uma mesma pessoa, sendo um como que uma imagem distorcida do outro; uma representação, no espaço, uma imitação, do outro.

Nossas mentes, segundo ele, estão de tal modo condicionadas à ditadura dos relógios que acabam não percebendo que, dentro de nós, isto é, no interior das nossas consciências, um “tempo verdadeiro” e “concreto” grita querendo ser ouvido; mas apesar de ouvirmos, apesar também de percebermos, até com certa clareza, que nosso tempo interno não confere com o que se nos foi imposto na exterioridade dos quadrantes do relógio, damos mais crédito aos que, no espaço, nos dizem como deve ser e quanto deve durar nosso tempo.

Segundo Bergson, não se pode reduzir a duração da consciência ao tempo homogêneo de que fala a ciência, o qual é constituído por instantes iguais que se sucedem de forma justaposta. O tempo da ciência perdeu o seu caráter original. É, de fato, como se tivesse perdido contato com a realidade. No tempo da mecânica, os instantes são sempre iguais, diferindo apenas quantitativamente; já o tempo de nossas consciências é sempre de natureza qualitativa, podendo o instante valer por toda uma eternidade ou passar rápido como um relâmpago.

Com relação ao passado, presente e futuro, diferentemente das ciências positivas, Bergson não os via como instantes separados um dos outros, instantes independentes, justapostos e externos entre si, sendo um a causa da não existência do outro. Ele chega a afirmar, conforme observa Myrna Guimarães, em seu livro “A qualidade no pensamento de Bergson” que “o mundo pelo qual o matemático opera é um mundo que morre e renasce a cada instante” . Para Bergson, os três estados: passado, presente e futuro são interdependentes entre si, um imbricado no outro, formando uma totalidade, a própria duração, o próprio fluir da vida interior:



É uma sucessão de estados que cada um anuncia àquele que o segue e contém o que o precedeu. A bem dizer, eles só constituem estados múltiplos quando, uma vez tendo-os ultrapassado, eu volto para observar-lhes os traços. Enquanto os experimentava, eles estavam tão solidamente organizados, tão profundamente animados com uma vida comum, que eu não teria podido dizer onde qualquer um deles termina, onde começa o outro. Na realidade, nenhum deles acaba ou começa, mas todos se prolongam uns nos outros. É, se quiser, o desenrolar de um novelo, pois não há ser vivo que não se sinta chegar pouco a pouco ao fim de sua meada; e viver consiste em envelhecer. Mas é, da mesma maneira, um enrolar-se contínuo, como o de um fio numa bola, pois nosso passado nos segue, cresce sem cessar a cada presente que incorpora em seu caminho; e consciência significa memória [...] pois o momento seguinte contém sempre, além do precedente, a lembrança que este lhe deixou. Uma consciência que possuísse dois momentos diferentes seria uma consciência sem memória .



2- Em segundo lugar, tanto Agostinho quanto Bergson, apesar de entenderem o tempo como sendo uma experiência única, admitem falar de um tempo tripartido: passado, presente e futuro, sob a condição de elevar o modo presente a uma espécie de primazia.



a) A primazia do presente na teoria agostiniana



Pai, eu busco, não afirmo. Ó Deus, vigia os meus passos e guia-me. Quem se atreveria a dizer-me que não há três tempos – conforme aprendemos na infância e ensinamos às crianças, isto é, o passado, o presente e o futuro –, mas somente o presente, porque os outros dois não existem? .



O assunto que abordamos nesse capítulo está relacionado não tanto com a existência do tempo, pois isso já ficou demonstrado, mas com a seguinte questão: se existe o tempo de uma forma subjetiva, em nossas mentes, como ele se nos apresenta? É o tempo único ou tripartido, como temos aprendido desde a nossa infância? E se subsiste nestas três modalidades – passado, presente e futuro – como nossas mentes conseguem captá-lo? É o tempo assim como aprendemos de nossos pais? Quanto tempo dura o passado? E o futuro? Podemos mensurar sua duração? Todos esses questionamentos preocupavam a mente de Agostinho, contudo, a questão que lhe trazia mais inquietação era o questionamento acerca do presente; entre outros: Quanto tempo dura o presente?

Agostinho chega até a admitir as três modalidades de tempo – passado, presente e futuro –, mas impõe uma condição: para se falar no tempo de forma tríplice, necessário se faz eleger o presente como uma espécie de âncora, de centro gravitacional, onde girarão, em sua órbita, as outras duas modalidades de tempo – passado e futuro –. Mesmo com certo receio, contudo, não podendo reconhecer em seu espírito que não existe nenhuma dessas modalidades na duração, está disposto a assumir tal postura, como diz, fazendo referência ao passado e ao futuro: “por conseguinte, em qualquer parte onde estiverem, seja o que for, não podem existir senão no presente” . Para ele, dizer a existência desses três tempos é aceitável; o que não é aceitável é entendê-los como um “ser”, independente um do outro:



Diga-se mesmo que há três tempos: passado, presente e futuro, conforme a expressão abusiva em uso. Admito que se diga assim. Não me importo, não me oponho nem critico tal uso, contanto que se entenda: o futuro não existe agora, nem o passado. Raramente se fala com exatidão. O mais das vezes falamos impropriadamente, mas entende-se o que queremos dizer .



A principal passagem das “Confissões”, que define, de forma clara e inequívoca, o primado do presente é, também, uma das mais conhecidas e discutidas:





Agora está claro e evidente para mim que o futuro e o passado não existem, e que não é exato falar de três tempos – passado, presente e futuro –. Seria talvez mais justo dizer que os tempos são três, isto é, o presente dos fatos passados, o presente dos fatos presentes e o futuro dos fatos presentes. E estes três tempos estão na mente e não os vejo em outro lugar. O presente do passado é memória, o presente do presente é visão, o presente do futuro é espera .



Comentando a citação acima, Boehner e Gilson afirmam o seguinte: “As três dimensões do tempo reduzem-se ao presente, em cuja lembrança o passado ainda vive de algum modo, em cuja expectativa já vive o futuro” .

Como se dá essa ligação, do passado com o presente e do futuro com o presente, uma vez que existem (subjetivamente) e não existem (objetivamente) ao mesmo tempo?

Para responder a essa questão, Agostinho introduz em sua teoria elemento de extrema importância, responsável direto por fazer a ponte entre o passado e o futuro: a memória. Para ele, o passado não existe em algum lugar “secreto”, exterior à consciência, acessível, como se possível fosse voltarmos ao local onde se esconde, para revê-lo, de alguma forma. Nem tão pouco o futuro.

Quando narramos fatos passados, nós os acessamos diretamente da nossa memória e não dos fatos em si, pois já não são; contudo, deixaram marcas gravadas no espírito. O que vemos então quando rememoramos nossa infância? Os fatos mesmos? Não, conclui Agostinho. O que vemos são as imagens da nossa história, das nossas percepções e sensações experienciadas. Diz ele:





Quando narramos os acontecimentos passados, que são verdadeiros, nós os tiramos da memória, mas não são os fatos em si, uma vez que são passados, e sim as palavras que exprimem as imagens que os próprios fatos, passando pelos sentidos, deixaram impressas no espírito. Minha infância, que não existe mais, está no passado que também não mais existe. Mas a imagem dela quando a evoco é o objeto de alguma conversa; eu a vejo no presente porque está ainda na memória .



A questão do futuro, entretanto, é ainda mais complicada que a do passado. Agostinho não tem, até certo ponto, clareza de onde provém a visão do futuro; a imagem do passado ele entende, vem da memória, mas quanto ao futuro, diz ele: “Confesso-te, meu Deus, que não sei se é análogo” .



O caso da previsão do futuro, com a qual se prevêem, como já existentes, as imagens das coisas que ainda não existem. Sei com certeza que nós premeditamos nossas ações futuras e que tal premeditação é presente, mas o ato que premeditam ainda não existe, porque é futuro [...] qualquer que seja a natureza dessa misteriosa previsão do futuro, não podem ver senão o que existe, mas o que existe não é futuro e sim presente. Por conseguinte, quando dizemos que vemos o futuro, não se vêem os próprios acontecimentos ainda inexistentes, isto é, o futuro, mas sim as causas ou sinais precursores que já existem .



b) A primazia do tempo na teoria bergsoniana



O tempo de Bergson é um tempo que não se pode medir, pois é um tempo que não possui extensão, pelo fato simples de não estar no espaço. Para ele, o tempo é duração, é heterogeneidade, o que significa dizer que não existem dois instantes idênticos. É um tempo que tem seus instantes tão imbricados e interdependentes um do outro, que se pode dar a ele um único nome: duração. Mas a noção de tempo que temos, assim como Agostinho e, ainda, hoje aprendido de nossos pais e da sociedade organizada, um tempo social, dividido em passado, presente e futuro, como Bergson o via? Qual o tratamento que Bergson deu à questão da tripartição do tempo? Será que ela existe na Filosofia bergsoniana? Nesse sentido, Bergson segue exatamente os mesmos passos de Agostinho e admite falar de um tempo passado, de um tempo presente e de um tempo futuro; mas, igualmente, impõe a mesma condição: só é possível falar nessas três modalidades de tempo se elevarmos a modalidade de tempo do presente a uma posição de primazia em relação às outras duas modalidades de tempo – passado e futuro:



É uma sucessão de estados em que cada um anuncia aquele que o segue e contém o que o precedeu. A bem dizer, eles só constituem estados múltiplos quando, uma vez tendo-os ultrapassados, eu me volto para observar-lhes os traços. Enquanto os experimentava, estes estão tão solidamente organizados, tão profundamente animados com uma vida comum, que eu não teria podido dizer onde qualquer um deles termina, onde começa o outro. Na realidade nenhum deles acaba ou começa, mas todos se prolongam uns nos outros. É, se quiser, o desenrolar de um novelo, pois não há ser vivo que não se sinta chegar pouco a pouco ao fim de sua meada; e viver consiste em envelhecer. Mas é da mesma maneira, um enrolar-se contínuo, como um fio numa bola, por isso nosso passado nos segue, cresce sem cessar a cada presente que incorpora o seu caminho; e consciência é memória [...] pois o momento seguinte contém sempre além do precedente, a lembrança que este lhe deixou .



Essa aproximação na consciência, do passado com o presente e do futuro com o presente, comprova a intenção de estabelecer uma primazia do presente, na filosofia bergsoniana. Para entender melhor esse processo, essa ponte virtual que liga as modalidades do tempo – passado e futuro – ao presente, Bergson, semelhantemente a Agostinho, introduz na sua filosofia a noção de “memória”, que passa a ter um papel de destaque na construção de um ser histórico. Consciência é memória. Myrna Guimarães, em seu livro “A qualidade no pensamento de Bergson” comentando sobre essa questão, afirma o seguinte: “A consciência é o traço de união entre o que já é e o que será, ponte entre passado e o futuro” .

Em sua Introdução à Metafísica Bergson deixa transparecer a idéia de primazia do presente:

O corpo é matéria, a matéria está no presente, e se é verdade que o passado aí deixa seus traços, são traços de passado apenas para uma consciência que percebe e interpreta que percebe à luz do que ela recorda: a consciência, ela sim retém o passado, enrola-se sobre si própria na medida em que o tempo passa a ser com ele um futuro que ela contribuirá para criar .



Em “Memória e Vida”, mais uma vez confirma a primazia do presente quando afirma:



Minha memória está aí, empurrando algo desse passado para dentro desse presente. Meu estado de alma, ao avançar pela estrada do tempo, infla-se continuamente com a duração que vai reunindo; por assim dizer, faz bola de neve consigo mesmo .





E, finalmente, em sua obra, “O Pensamento e o Movente”, ao falar da intuição, Bergson aborda novamente a primazia do presente, promovida pela consciência. Diz ele:





A intuição de que falamos refere-se, sobretudo, à duração interior. Ela apreende uma sucessão que não é justaposição, um crescimento por dentro, o prolongamento ininterrupto do passado num presente que penetra no futuro .





3- Em terceiro e último lugar, tanto Agostinho quanto Bergson vislumbravam uma possibilidade de continuação “do tempo” ou da “duração” mesmo depois da morte. Em Agostinho, podemos chamá-la de “Eternidade”; em Bergson “continuação da duração da consciência”.



a) A questão da eternidade em Agostinho



O problema do tempo tem sido motivo de intensos debates em diversas épocas, trazendo inúmeras questões a serem resolvidas. Uma delas é a de tentar sincronizar o tempo geral das matemáticas e das ciências com o tempo interno do indivíduo. Esta é, de fato, uma das grandes dificuldades da reflexão sobre o tempo. Contudo, um dos maiores e mais polêmicos problemas trazidos por essa reflexão é o que trata da transição de um tempo vivenciado para a eternidade.

Agostinho foi conduzido a analisar a questão do tempo e, conseqüentemente, da eternidade, a partir de sua controvérsia, principalmente contra o maniqueísmo. O cerne dessa polêmica, perpassa pela provocante pergunta formulada pelos maniqueus: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? .

Para responder aos questionamentos sugestionadores dos maniqueus, Agostinho, cautelosamente, desvia a indagação para outra direção, procurando estabelecer parâmetros para sua resposta e, ao mesmo tempo, esvaziar a pergunta dos maniqueus, uma vez que, para Deus, não há passado nem futuro, mas apenas um “eterno presente”; isto é, Deus tudo vê de forma compacta e ao mesmo tempo, no “esplendor de sua sempre imutável eternidade”. Para ele, não cabe sequer a pergunta sobre o que Deus fazia antes da criação, ou ainda, porque não quis criar antes o que criou depois. Essas questões pressupõem mudança, e esta é antítese de eternidade. Para Agostinho, não cabe sequer a pergunta sobre o que Deus fazia antes da criação, ou ainda, porque não quis criar antes o que criou depois. Essas questões pressupõem mudança, e esta é antítese de eternidade. Eles – os maniqueus – estavam completamente equivocada, jamais compreenderiam que, em certo sentido, “o princípio” não o é em relação a Deus e, sim, em relação às criaturas. Todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Em Deus não pode haver, e não há movimentos, pois isso é próprio da criatura finita e não do Criador infinito.

A controvérsia de Agostinho com os maniqueus sobre o que Deus fazia antes de criar o mundo levou-o a afirmar a eternidade de Deus e, assim procedendo, inegavelmente, admite a possibilidade de um “tempo” para “além-do-tempo”. Esses debates provocaram e estimularam sua mente, fazendo-o refletir seriamente sobre o problema. Contudo, não se pode esquecer também da presença do aspecto místico na construção do seu pensamento acerca da eternidade.

Uma das mais marcantes experiências místicas de esperança da continuação da vida da consciência após a morte física que Agostinho desfrutou foi, certamente, na última conversa com sua mãe – Mônica –, ao aproximar-se o dia da sua morte. Relata Agostinho que, depois de uma cansativa viagem, conversava com sua mãe, olhando para o futuro, sobre “qual seria a vida eterna dos santos”. Numa experiência mística, chegando ao “íntimo de suas almas”, por “intuição”, por um momento pensaram ter alcançado fagulhas da vida por vir; e, como afirma, naquele momento de contemplação, “o mundo, com todos os seus prazeres, perdia para nós todo valor e minha mãe me disse: “Meu filho, nada mais me atrai nesta vida [...] Deus me satisfez amplamente, porque te vejo desprezar a felicidade terrena para servi-lo” .

Esse diálogo é de fundamental importância para termos noção da esperança que Agostinho alimentava de uma vida além de sua vida física; e não somente isso, mas também de como a considerava, analogamente à sua mãe, mais importante e mais pujante que a vida terrena.

A clareza e a convicção de uma “vida eterna” após a vida física inundara a mente de Agostinho, de forma definitiva, fazendo-o produzir um belíssimo salmo com o qual finalizamos sua compreensão de eternidade:



Que se lembrem com piedosa emoção dos que foram meus pais nesta vida transitória [...] Que se lembrem dos meus concidadãos na eterna Jerusalém, pela qual suspira teu povo peregrino desde a partida da pátria até o regresso .





b) A continuação da duração da consciência em Bergson





Temos um corpo, circunscrito no espaço, de forma que, pelo menos na visão do senso comum e, se considerarmos as questões pertinentes à imobilidade, se o impulsionarmos para frente, ele avança; se, pelo contrário, nós o puxarmos, ele recua e, se o largarmos, ele cai. Nosso corpo age deliberadamente por movimentos provocados por causas exteriores. Como afirma Bergson: “a matéria é inércia, geometria, necessidade” .

Nossa identificação com o material é tão forte, e não poderia deixar de ser, que, como bem nos afirma Bergson, “Costuma-se dizer às vezes: Em nós, a consciência está ligada a um cérebro, por isso, é preciso atribuir a consciência aos seres vivos que possuem um cérebro, e recusá-la aos outros” .

Nesse sentido, acredita-se que, desintegrando-se o cérebro, também se acaba a consciência e, por estar tão ligada a ele, acabam por confundir-se.

Para a ciência, essa consciência está tão intrinsecamente ligada ao corpo, que este a acompanha desde o seu nascimento até à sua morte. A ciência avança a passos largos para o chamado mapeamento do cérebro. Acredita-se que, com esse mapeamento fisiológico do cérebro e, conseqüentemente, com a descoberta da função que possui cada zona do cérebro em específico, ter-se-á desvendado o mistério da consciência.

Bergson, muito embora não tenha sido testemunha ocular dos últimos avanços nesta área, pensava diferente: “não se segue daí que um cérebro seja indispensável à consciência” . Para ele, a consciência existe independentemente das funções cerebrais; isso equivale a dizer que ela não está presa ao cérebro, e nem mesmo existe por sua causa . Para argumentar ainda contra essa linha de raciocínio, que apregoa uma consciência ligada, necessariamente, a um cérebro, e utilizando-se dela para, por fim, negá-la, Bergson argumenta que, “raciocinando da mesma maneira, diríamos também: A digestão está ligada em nós a um estômago; por isso os seres vivos que possuem estômago digerem, os outros não digerem ”.

Em sua análise sobre a suposta necessidade da existência de um cérebro como condição sine qua non para a existência de uma consciência, Bergson chega à conclusão de que isto é simplesmente um problema fisiológico, deixando clara sua intenção de desconstruir essa idéia, não ao acaso, e de forma cética, mas, como veremos mais adiante, essa desconstrução inicial servirá de base para uma surpreendente abertura para a possibilidade do “além”, da “eternidade”.

Para ele, o homem não pode ser constituído apenas de moléculas e outros centros nervosos, ainda que sofisticadíssimos. Ao lado disso, existe um outro elemento: a alma. Essa alma possui também a capacidade de ultrapassar, de transcender, não sendo nenhum tipo de reflexo do material, do corpo, isto é, não pode ser encontrada em nenhum lugar do corpo, nem mesmo nos neurônios e teias cerebrais . Isso equivale a dizer que a alma é outro elemento constitutivo do ser humano, dotado de distinção e características próprias, nunca fruto de emanação da matéria, do corpo. Para ele, a alma transcendo o corpo tanto no espaço quanto no tempo.

Como podemos perceber, todo o esforço de Bergson está direcionado para desvencilhar a atividade cerebral da consciência.

Ele deixa claro que esta equivalência simplesmente não existe. Isso o autoriza a afirmar que, se há um fim definitivo para a consciência, para a alma, ou seja, se ela deixará de existir, não tem que ser necessariamente, como afirma a ciência, para, na verdade, negar-lhe a existência, o mesmo fim que o cérebro, como sabemos, terá. E como sabemos do fim do cérebro? Por meio de construções metafísicas ou, ainda, por apelo à Religião? De forma alguma, sabemos pela experiência, pela comprovação empírica, e por ela, segundo Bergson, não temos nenhuma condição de afirmar o fim da consciência com o fim do cérebro, isto é, do corpo. Ao contrário, só podemos, se formos honestos e agirmos com isenção, entender que ela segue seu rumo, em sua duração natural, e no seu processo evolutivo “para-além”, para a “eternidade”. Como afirma:



Mas se, como tentamos mostrar, a vida mental ultrapassa a vida cerebral, se o cérebro se limita a traduzir em movimentos uma pequena parte de que se passa na consciência, então a sobrevivência torna-se tão provável que a obrigação da prova incumbirá àquele que nega bem mais do que aquele que afirma; pois a única razão para crer numa extinção da consciência depois da morte é o espetáculo do corpo se desorganizando, e esta razão não mais tem valor se a independência da quase totalidade da consciência em relação ao corpo é um fato também constatável .



Esse trecho da conferência “Alma e Corpo” é, sem sombra de dúvida, um dos mais significativos de todos, tratando de forma aberta e clara a questão da continuidade da duração da consciência, da alma, após a morte do corpo, o que abre uma exposta janela com vistas para a eternidade . Para Bergson, o “tempo”, entendido como duração, como a própria vida e percepcionado em nossas consciências, não pode ser interrompido; pelo contrário, tende a continuar, a avançar e a continuar avançando, indefinidamente, como afirma:



Ora, creio que a totalidade de nossa vida interior é algo como uma única frase começada com o primeiro despertar da consciência, frase semeada de vírgulas, mas sem nenhuma parte cortada por pontos finais. E creio também, por conseguinte, que todo o nosso passado lá está, subconsciente – isto é, presente a nós de tal maneira que nossa consciência, para revelá-lo, não necessita sair de si mesma nem acrescentar-se algo estranho: ela só precisa, para perceber distintamente tudo o que ela contém, ou melhor, tudo o que ela é, afastar um obstáculo, levantar o véu. Extraordinário obstáculo, aliás! Véu infinitamente precioso! É o cérebro que nos presta serviço de manter nossa atenção fixada na vida; e a vida, ela olha para frente; ela somente se volta para trás na medida em que o passado pode auxiliar a esclarecer e a preparar o futuro. Viver para o espírito é essencialmente concentrar-se no ato a ser realizado .







CONCLUSÃO



Esperamos ter, de alguma forma, contribuído por meio de nossa pesquisa sobre estes dois ícones da história da filosofia – Agostinho de Hipona e Henri Bergson – para a reflexão desse difícil assunto. A retomada do pensamento agostiniano por Henri Bergson, relativamente ao problema do tempo, é, em nossa opinião, uma das maiores contribuições para a elucidação desse antiqüíssimo problema da humanidade.



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