quarta-feira, 1 de junho de 2011

A ANTROPOLOGIA AGOSTINIANA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO: Uma breve análise do discurso da Profª.Amanda Gurgel

A antropologia Agostiniana entende que o homem é mau por natureza. Isso pode ser facilmente constatado na prática: precisamos ensinar o que é errado para nossos filhos? Imagine a cena: um pai chama seu filho e lhe diz: "filho, hoje vou te ensinar a quebrar a TV e como bater na sua irmã". Já viram por aí alguma escola que ensina a roubar? Alguma escola que ensina a usar drogas? Alguma escola para corruptos? Para assassinos? Alguma escola de prostituição? Obviamente que não! Já sabemos, naturalmente, de tudo isso, sendo necessário, para passar da potência à prática, apenas a ativação, o startar do gatilho que existe dentro de nós. Às vezes, um símples estímulo já é o suficiente. Por conta disso,  os pais e as escolas precisam se preocupar em ensinar "apenas" o certo; pois o errado seus filhos e alunos já sabem, naturalmente. Nossa natureza decaída e pecaminosa ao entrar em contato com o mal logo é atraída por uma simpatía ímpar; uma identificação com o mal, de fato. Todos somos assim. Todos nós, sem excessão.

Afirmar ser o homem totalmente depravado e mau em sua natureza significa dizer que todos os seus desejos, todas as suas atitudes  e até mesmo todos os seus amores são totalmente corrompidos e  tendem para o mal, numa relação quase simbiótica. Até mesmo o "amor de mãe" é maculado pelo desejo espúrio e oculto de auto-promoção. Exatamente por isso, também, não queremos saber de Deus, que é antítese de todo mal. Para querermos caminhar em direção a Deus é necessário que Ele mesmo mude completamente nossas entranhas, nossos desejos e implante, em nós, uma natureza diferenciada, tornando-nos "novas criaturas"; um parto espiritual, realmente. Um novo nascimento promovido pela ação Soberana do Espírito Santo, que concede essa "nova vida" apenas àqueles que Lhe aprouver conceder, de forma incondicional, sem méritos próprios do beneficiário e somente por Sua graça, que por definição é "favor não merecido".

Mas há uma dimensão da bondade de Deus que pode ser chamada de "graça comum".  Essa é distribuída a todos sem exceção. Inclusive aos ímpios, blasfemos e ateus. A chuva, o oxigênio e o sol, por exemplo.

Como diria o sábio "'A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe" (Provérbios 29:15).

Freud costumava dizer: "dê-me uma criança e faço dela o que eu quiser". Para fazer da criança um verdadeiro "monstro social", entretanto,  basta tão somente deixá-la entregue à sua própria natureza. Nada mais será necessário acrescentar-lhe.

A educação é um desses instrumentos da "graça comum" de Deus, que servem como atenuadores da ação nefasta que a queda, no Édem, provocou no homem. Ela - a educação - vai retirando esse "mal natural" do coração do homem, minimizando-o e aplacando-o a ponto de tornar possível a vida em sociedade.

É por isso que, quanto mais um país investe - seriamente - em educação, mais ele se aproximará do ideal de justiça social, promovendo, assim, o bem social e uma convivência mais harmoniosa entre seus cidadãos, pois mais pessoas estarão com "menos mal" no coração. Pouca educação, por sua vez,  é igual a "mais mal" no coração,  que resultará, impreterivelmente, em graves problema sociais, como a criminalidade, por exemplo. Muita educação, como já dissemos, é igual a "menos mal" no coração, consequentemente, menos problemas sociais, que trará como resultado um menor índice de criminalidade, inclusive.

Esse forma de entender o homem, em certo sentido, está em harmonia com o pensamento do filósofo Thomas Hobbes, para quem, o homem, diferentemente das abelhas e das formigas, não é um ser sociável, isto é, ele não possuí "instinto social". Por isso mesmo ele afirma: "Homo homini lupus", que siginifica "o homem é o lobo do homem", e ainda: "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos.

Esse homem Agostiniano e Hobbesneano é o que somos, em última análise. Em Hobbes, porém, só um "Estado forte" pode propciar a paz e a segurança, sem as quais não é possível viver em comunidade. Em Agostinho, de forma embrionária, e em Calvino, mais intensamente,  a "graça comum" é a responsável pela possibilidade de vida em comunidade. Dentre as "graças comuns", como já deixamos claro, a Educação tem papel importantíssimo, imprescindível e vital. Sem ela, todos estaremos em constante ameaça

Lamentavelmente o Brasil não se preocupa com isso, antes, pelo contrário, trata de forma desrespeitosa seus professores, em todos os níveis da educação. Veja abaixo o resumo do tratamento que o professor recebe no Brasil. Uma brilhante defesa, da professora Amanda Gurgel, de uma das profissões mais importantes para a promoção de um país "socialmente habitável":

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