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sábado, 25 de setembro de 2021

100 ANOS DE PAULO FREIRE. AVANÇO OU RETROCESSO?


Em 19 de setembro de 1921 nascia Paulo Reglus Neves Freire. Formado em direito e sem nenhuma formação em Pedagogia nosso personagem centenário é personagem central de debates intermináveis sobre sua contribuição à educação. Isso faz dele, inegavelmente, uma figura especial. Nenhum “comum” teria sua "obra" discutida tão fervorosamente. 

Em síntese, é dito que ele visava:

Ensinar o aluno a ler o mundo para poder transformá-lo [...]. Educadores e educandos aprendendo mutuamente em um processo com diálogo e trocas. O objetivo? O desenvolvimento da consciência crítica (Conforme: Paulo Freire 100 anos - Portal de Educação do Instituto Claro, acessado em 25.09/2021).

Motivador da criação da “tendência pedagógica crítica ou transformadora” ele, de fato, queria transformar a sociedade. A pergunta que se deve fazer é: transformar em quê? Sem meias palavras, ele queria transformar o Brasil num país socialista/comunista. Como a educação está sempre a “serviço de”, foi o instrumento que ele utilizou para tentar promover essa transformação. Aqui já fica claro o engodo da proposta de "sua" tendência pedagógica. Seria “crítica” ou “transformadora” somente enquanto a sociedade não fosse convertida ao socialismo/comunismo. Depois, obviamente, não haveria mais nada a ser "criticado" ou "transformado".

Apoiado, por motivos óbvios, pelo então presidente, João Goulart, que flertava perigosamente com o comunismo soviético, Freire implementou institucionalmente pela primeira e única vez “seu” famoso método, que posteriormente viria a ser batizado com seu nome, em 1963, na cidade de Angicos-RN, onde 300 adultos foram “alfabetizados” em apenas 40 horas. Acredita?

O método consistia, basicamente, em utilizar conceitos, imagens, palavras e a própria realidade dos educandos, que depois de uma longa conversa sobre sua condição social seriam impactados com a projeção estratégica de algumas palavras do seu vocabulário comum, na parede, com projetores de querosene, vindos da então comunista Polônia, bancados pelo governo federal. Por exemplo, a palavra “tijolo” era projetada ao lado de sua figura e perguntas como as que veremos a seguir eram feitas com o objetivo subliminar de criar uma mente revolucionária: O que é essa figura? Quem faz o tijolo? Quem faz o tijolo tem casas feitas de tijolos? Por que não? Associando-se imagem, palavras e confronto social o educando, paulatinamente, passava a identificá-las e, ao mesmo tempo, a criar certa revolta por sua própria condição social e era estimulado a “transformar” sua realidade por meio da "revolução", que consistia na rebelião contra o que Freire e os demais comunistas chamavam de “sistema capitalista opressor”.

Percebem como tudo girava em torno do comunismo/socialismo? Do início ao fim toda a obra de Freire está recheada de conceitos como "oprimido", "opressor", "revolução", "proletariado", etc. Impossível não ver Marx em Freire. Ele mesmo assume essa aproximação inevitável. Para piorar sua situação, filiou-se ao PT e de 1989 a 1992 foi secretario de educação da cidade de São Paulo, da então prefeita Ptista Luíza Erundina. Foi também presidente da 1ª diretoria executiva da Fundação Wilson Pinheiro, fundação de apoio partidário, instituída pelo PT, em 1981.

Capitalismo! Esse era o verdadeiro inimigo a ser combatido. Considerando que sociedades democráticas se alinham, via de regra, ao capitalismo, não é exagerado afirmar que outro inimigo importante a ser abatido era a própria  democracia. Afinal, Freire era um admirador de ditaduras, como a cubana, por exemplo. Portanto, acabar com o analfabetismo era só o pretexto. Ou algum ingênuo acha que em apenas 40 horas, sem cartilha e com boa parte desse tempo sendo utilizado para a formação da consciência política de viés esquerdista dá para alfabetizar alguém? 

Vários documentários da época da famosa experiência de Angicos-RN, ao enaltecer o “método Paulo Freire”, acabavam por revelar a real intenção: o acréscimo de 300 eleitores na cidade. Na ocasião, pela legislação eleitoral vigente, analfabetos não poderiam votar. Percebem o real motivo? 

O termo analfabetismo funcional é recente e se refere à pessoa que aprendeu a ler, mas que não consegue entender ou interpretar o que leu. Os 300 de Angicos, certamente, precisariam melhorar muito para receber tal designação. Eles precisariam saber apenas o básico para receberem o título de eleitor e o “direito” de votar; na esquerda, obviamente, que era o viés político do então presidente e do prefeito de Angicos-RN, que era um aliado esquerdista. Por isso aquela pequena cidade foi escolhida para o "experimento social", com cara de "educacional". 

Ao método chamado Paulo Freire, em si, desconsiderando-se a parte ideológica, não cabe quase crítica alguma. Pelo contrário, é mais um entre outros a ajudar na difícil tarefa de alfabetizar. Se é funcional, melhor ou pior que outros métodos não é objeto de nossa análise, no momento.

Contudo, há um grande perigo na filosofia que lastreia o método Paulo Freire. Ele é concebido sob a influência da nefasta ontologia Rousseauniana, que considera o homem bom por natureza. Rousseau (1712-1778), em seu tratado  "Da educação" ou "O Emílio", parte do pressuposto que a criança precisa ser deixada livre para seguir seus próprios instintos naturais para poder aprender e construir seu próprio conhecimento, numa espécie de “educação negativa”. Isto é, o aluno não deve receber positivamente nenhum conteúdo (decorre daí a crítica de Freire ao que chamou de “educação bancária”) que ele mesmo não possa ter produzido. Nesse sentido, o papel do preceptor (professor) é o de tão somente preservar essa condição natural da criança e nunca de ensinar-lhe. Rousseau deu luz à sua ontologia aplicada à educação em contraposição à ontologia de sua época e que era também vigente no Brasil à época da atuação de Freire, que considerava o homem mau por natureza, por conta da influência de Agostinho via Jesuítas e Reformados.

A ontologia (conceito de ser, de homem) na educação é muito importante e promove, necessariamente, desdobramentos práticos na sala de aula e na relação professor/aluno e no próprio processo de ensino/aprendizagem. Aliás, Freire costumava falar em "Sendo" e não em "Ser", porque acreditava que o homem estava em construção. Mas, isso também ele copiou de Rousseau.

A ontologia Rousseauniana, assumida e divulgada integralmente por Freire, que foi, talvez, no mundo, seu maior entusiasta e quem mais contribuiu para que prevalecesse na educação, depois do próprio Rousseau,  muda o foco da educação para o aluno, diminuindo e reduzindo a quase zero a figura do professor. Como consequência prática de inserir essa ontologia na educação brasileira, listamos dois grandes danos causados e que atraem para Freire as justíssimas críticas que recebe:

1º) Focar a educação apenas na realidade imediata do aluno limita e diminui seu horizonte de conhecimento. Na perspectiva de Feire, não havia necessidade do aluno de Angicos-RN conhecer sobre o relevo do Canadá, por exemplo (ao contrário da educação clássica, que visa uma formação mais geral, abrangente e intelectual do educando), uma vez que seu objetivo era tão somente utilizar-se deles para promover a transformação social local (de capitalismo para socialismo/comunismo), e só. Esse dano foi remediado a tempo, já em 1964. Porém, ainda conseguiu dar o start para que as próximas gerações de educadores, formadas sob a utopia freireana, utilizassem as salas de aula como canal de transmissão ideológica.

2º) Sendo o homem mau, como defendia Agostinho e outros pensadores, com forte influência sobre os Jesuítas, pioneiros na educação brasileira, e, sendo o aluno, agora, pela atuação de Freire, “protegido de coação”, “deixado à própria sorte”, como preconizou Rousseau, e, agora, considerado a parte mais importante do processo educacional, acabou por fomentar um ambiente favorável à violência contra o professor, classificado por Freire como “opressor”; portanto, um inimigo a ser abatido. De forma que, quanto mais o chamado Freireanismo avança mais aumentam as condições favoráveis à violência contra o professor; outrora inimaginável. Diga-se de passagem, Freire também classificava a família como "opressora". O educando, então, passava intuitiva e inconscientemente a ser inimigo tanto da família quanto dos professores. 

Uma ontologia que considera o homem bom por natureza, como a assumida por Freire, promove uma educação sem disciplina, sem cobranças, sem limites impostos ao aluno. Uma ontologia que considera o homem mau por natureza promove uma educação com disciplina, limites e cobranças ao aluno, para seu próprio bem. Temos aqui, então, a figura da Educação Transformadora e da Educação Tradicional. 

Por fim, qual a avaliação que podemos fazer dos 100 anos de Paulo Freire? Avanço ou retrocesso?

Quanto ao chamado método Paulo Freire, pouquíssimo utilizado, porque em 1964, finalmente, houve o contragolpe das forças armadas, com o apoio popular, frustrando as pretensões comunistas de transformar a sociedade brasileira, pondo fim ao trabalho de Freire, que era um agente dessa transformação. Ele acabou se exilando na embaixada da Bolívia, saindo em seguida do Brasil. Nesse sentido, consideramos que houve certo avanço. Pelo menos para o único lugar em que foi institucionalmente implantado no Brasil: Angicos-RN, onde 300 adultos foram alçados à condição de “alfabetizados”, ainda que a lógica deponha contra isso, sendo melhor considerá-los “semi-alfabetizados”. Ou seja, passar de uma condição de analfabetos para a de semi-alfabetizados não deixa de ser um avanço.

Portanto, a contribuição do chamado método Paulo Freire à educação brasileira é quase inexistente, muito próximo de zero. Há, de fato, um absurdo superdimensionamento da importância de Freire à educação. Alguém teve notícia de algum brasileiro, fora os 300 de Angicos-RN, alfabetizado por esse método? 

Isso significa que se o analfabetismo no Brasil diminuiu ou mesmo se aumentou, no que diz respeito à estrita "pedagogia" de Paulo Freire, que nunca foi pedagogo, em absolutamente nada ele terá culpa ou mérito. Nesse sentido, Freire e sua pedagogia, são absolutamente nulos e inexpressíveis, como se nunca tivessem existido.  

Decorre daí que Freire não tenha tido responsabilidade alguma pelo atual fracasso da educação no Brasil, como fica claro no Pisa divulgado em 2018? Não e Sim.

Não pelo seu método que, como já dissemos, tem influência quase nula nesse resultado, para o bem ou para o mal.

Sim, por conta de ter sido "o" grande divulgador da nefasta ontologia Rousseauniana; essa, sim, responsável por transformar negativamente, em grande medida, a relação professor/aluno e o próprio processo de ensino/aprendizagem no Brasil, com impactos gravíssimos na educação, como já demonstramos acima.

Paulo Freire, então, nada construiu de si mesmo. Até o famoso método, que poderia ter sido criação sua, recebe intensa acusação de plágio. Já a tão poderosa,  influente e nefasta ontologia Rousseauniana, da qual teve o único mérito negativo de ser seu "maior divulgador prático", causando grande dano à educação brasileira e por onde passou, jamais poderia ter sido forjada em sua mente limitada, capaz de produzir apenas um amontoado de ideias, frases desconexas e, principalmente, um manual de culto ao socialismo/comunismo e a figuras como Che Guevara, assassino contumaz, a quem ele atribuía ser a “personificação do amor”, como sua principal obra “Pedagogia do oprimido”. E os 35 títulos de doutor honoris causa que ele recebeu? Alguém pode argumentar para provar sua importância. A esse argumento, basta dizer que Lula tem 36 desses títulos. Só isso. 

2 comentários:

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