2- REPRESENTAÇÃO DA CAVERNA
O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética,O que é a visão do mundo real iluminado? A filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense?) Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro (CHAUI, Marilena. Convite a filosofia. São Paulo: Editora Ática, 1999. p. 41).
4- OS DOIS MUNDO DE PLATÃO
Utilizando-se da alegoria da Caverna, Platão afirma existir dois mundos diferentes, separados e autônomos entre si:
4.1 O mundo visível, sensível, dos fenômenos e acessível aos sentidos (é aquele que a maioria da humanidade está presa; sujeito a interpretações falsas da verdade);

Para exemplificar a visão de Platão, considere um conjunto de cavalos. Apesar deles não serem exatamente iguais, existe algo que é comum a todos os cavalos; algo que garante que nós jamais teremos problemas para reconhecer um cavalo. Naturalmente, um exemplar isolado do cavalo, este sim "flui", "passa". Ele envelhece e fica manco, depois adoece e morre. Mas a verdadeira FORMA do cavalo é eterna e imutável.
Para Platão tudo o que podemos tocar e sentir na natureza "flui". Não existe, portanto, um elemento básico que não se desintegre. Absolutamente tudo o que pertence ao mundo dos sentidos é feito de um material sujeito à corrosão do tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável (Mundo de Sophia).
Notem que Platão inverte a perspectiva do que costumeiramente entendemos como verdade.
Como poderíamos conhecer se não tivéssemos visto antes? Platão diria, a IDÉIA, A FORMA da coisa existe desde a eternidade, por isso você a vê.
A teoria das idéias de Platão é historicamente o primeiro dos idealismos. Para ele, o ser em sua pureza e perfeição não está no mundo físico, que é o reino das aparências. Os objetos captados pelos sentidos são cópia imperfeita das idéias puras (mundo das idéias). A verdadeira realidade está no mundo das idéias, porque só é Verdade/Realidade para Platão aquilo que é eterno e imutável. Esse mundo só é acessível pela razão.
Platão acreditava numa realidade autônoma por trás do mundo dos sentidos. A esta realidade ele deu o nome de mundo das idéias. Nele estão as "imagens padrão", as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que encontramos na natureza. Ou seja, tudo que podemos ver, sentir, tocar, existe, desde a eternidade, nesse mundo das idéias.
5- O CINEMA EXPLICA PLATÃO

Veja também uma paródia do filme Matrix no vídeo abaixo:
Outro filme que também reflete bem as teorias de Platão, especialmente com relação às “Etapas do Conhecimento” (demonstradas no item 6) e às dificuldades e dores para se chegar à “verdade”, à “realidade”, ao “conhecimento”, é o Show de Truman. O protagonista do filme, Truman, vivido pelo conhecido ator Jim Carrey, passa por todas as etapas da teoria d

Esses filmes, baseados na Teoria do Conhecimento de Platão, nos levam a uma séria reflexão: até que ponto somos realmente livres? Até que ponto não somos, de alguma forma, manipulados? Até que ponto nossas supostas escolhas não são ditadas por grandes interesses ideológicos ou econômicos? Essas simples perguntas podem nos livrar das cordas dos “manipuladores de marionetes”.
6- DADOS TÉCNICOS SOBRE A ALEGORIA DA CAVERNA DE PLATÃO
Com essa metáfora - o justamente famoso Mito da Caverna - Platão quis mostrar muitas coisas. Uma delas é que é sempre doloroso chegar-se ao conhecimento, tendo-se que percorrer caminhos bem definidos para alcançá-lo, pois romper com a inércia da ignorância (agnosis) requer sacrifícios. Lembremos de frase importante do filme Matrix: “A ignorância é felicidade".
6.1- ETAPAS DO SABER:
6.1.1- NA PRIMEIRA ETAPA, o homem está na ignorância (AGNOSIS);
6.1.2- A SEGUNDA ETAPA a ser atingida é a da opinião (DOXA), quando o indivíduo que ergueu-se das profundezas da caverna tem o seu primeiro contanto com as novas e imprecisas imagens exteriores. Nesse primeiro instante, ele não as consegue captar na totalidade, vendo apenas algo impressionista flutuar a sua frente.
7- ALEGORIA DA CAVERNA NA VISÃO DE MAURÍCIO DE SOUZA
8- APLICAÇÕES PRÁTICAS:
O que aprendemos, de prático, e que podemos aplicar em nosso cotidiano com as idéias de Platão?
Apesar dos detalhes técnicos que envolvem a Algoria da Caverna de Platão (detalhes que, muitas vezes, só "nteressam" aos filósofos), as idéias de Platão são, de fato, alertadoras.
Nos ensinam a sempre contestar, duvidar, criticar "as verdades" que se nos apresentam (ou aquilo que querem que entendamos como verdade).
Essas críticas, questionamentos e dúvidas, entretanto, não devem ter fim em si mesmas (criticar por criticar), mas só possuem importância enquanto processo de investigação da verdade.
O filósofo alemão Karl Popper ensinava que "toda teoria (qualquer que seja) deve ser "falseada" (bombardeada com toda espécie de críticas e questionamentos), pois quanto mais se mantiver intacta, mas dígna de ser seguida". Torne-se um crítico, siga os conselhos práticas de Platão, não aceite a "verdade" sem antes enchê-la de crítica.
Questionar, criticar e duvidar sempre! Esse é o antídoto prático trazido por Platão e que poderá evitar muitos processos de manipulação. Evitará que nos tornemos verdadeiras "marionetes" nas mãos dos detentores do poder (de qualquer tipo de poder).
O vídeo a seguir é um bom exemplo (reduzido ao absurdo, claro) do perigo de vivermos totalmente imersos no senso comum; sem nenhum senso crítico e de como isso pode ser devastador e prejudicial à nossa consciência.