sexta-feira, 8 de abril de 2011

A TRAGÉDIA NA ESCOLA EM REALENGO-RJ E O PERIGOSO BINÔMIO RELIGIÃO X CRIMES DE ASSASSINATO


Ainda não tinha assistido nenhuma reportagem completa sobre a tragédia em Realengo, no Rio de Janeiro. Depois de pesquisar alguns vídeos fiquei completamente consternado com o desespero e os momentos de “terror”  vividos por aqueles alunos.

Não dá pra não se colocar no lugar daqueles pais que tiveram seus filhos ceifados exatamente no lugar onde, metaforicamente, serve para combater e prevenir esse tipo de conduta e cultura da violência, sendo, também, um importante aliado na luta contra a própria natureza humana decaída, que precisa urgentemente ter a "maldade natural" do seu coração substituída por bons conceitos de civilidade, espiritualidade e crescimento humano. Exatamente ali perderam tesouros tão preciosos. É lamentável que isso tenha ocorrido. É só isso que conseguimos dizer.

O vídeo abaixo é uma evidente comprovação, infelizmente empírica, do primeiro ponto do Calvinismo – DEPRAVAÇÃO TOTAL DO HOMEM, que avisa o quanto somos maus; o quanto nossa natureza foi corrompida pelo pecado, transformando-nos em seres que personificam a perversão e a rebelião contra Deus. São cenas extremamente tristes, mas que precisam ser registradas para nos lembrarmos, o tempo todo, do que somos capazes. São imagens do circuito interno da escola em Realengo-RJ:

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Diante de fatos tão marcantes é de se esperar que um blogueiro não fique calado. Encontrei um amigo, também blogueiro, que logo comentou: “que novidade é essa você não ter postado nada sobre a tragédia no Rio?”. De fato, não me senti confortável em comentar. E realmente não iria postar sobre o assunto.

Algo, entretanto, em meio a essa barbárie, me fez mudar de idéia: a presença, neste caso, de um elemento que é um dos meus objetos de pesquisa: O PERIGOSO BINÔMIO RELIGIÃO X CRIMES DE ASSASSINATO.

Já postei outros artigos sobre esse tema, como por exemplo: “QUANDO A RELIGIÃO VIRA UMA ARMA. UMA BREVE ANÁLISE DO CASO GLAUCO (03/2010)”, “ISLAMISMO: A RELIGIÃO QUE MATA. É POSSÍVEL UM DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO?” (03/2011), “A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA RELIGIOSIDADE SADIA” (05/2009), “QUANDO MATAR NÃO É NEM CRIME NEM PECADO (03/2011)”, além de outros.

Não é de hoje que essa associação pode ser feita. As evidências apontam para a necessidade eminente de uma investigação mais aprofundada sobre o tema. Por que a Religião pode ser um ambiente propício para o surgimento de assassinos potenciais? Recentemente (03/2011), em Pernambuco, uma professora foi esquartejada em suposto ritual de magia negra, por um pai de santo. O que não dizer também dos religiosos homens bombas? Fatos assim são cada vez mais rotineiros e atingem diferentes vertentes da religiosidade, inclusive Católicos Romanos e seitas ditas evangélicos.

No caso da tragédia da escola em Realengo, no Rio de Janeiro, uma carta deixada pelo assassino cruel - Wellington de Menezes Oliveira - também sugere essa estranha e intrigante ponte entre a RELIGIOSIDADE e os CRIMES DE ASSASSINATO.


Segundo sua própria irmã – Rosilane - "Ele estava muito focado em coisas relacionadas ao islamismo e tinha deixado a barba crescer muito [...]. Ele fazia uso de sites muçulmanos e entrava na internet para ter acesso a coisas que não fazem parte do nosso povo”, comentou também um delegado de homicídios. http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/04/07/irma-adotiva-de-atirador-diz-que-wellington-era-estranho-e-sem-amigos/

A carta deixada por Wellington é entremeada por diversas palavras e expressões que denotam um uso recorrente do vocabulário religioso. Alguns trechos da carta parecem apontar uma aproximação do assassino com o Islamismo: “Os impuros não poderão me tocar [...] nenhum impuro poderá tocar em meu sangue”. Outros, entretanto, parecem apontar para uma aproximação com algum seguimento religioso “evangélico”: “Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez [...] preciso que ore diante de minha sepultura pedindo perdão a Deus pelo que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna”.

Veja a carta completa:

Ainda temos muitas perguntas sem respostas. Talvez nunca cheguemos às reais causas que motivaram essa tragédia sem precedentes, contudo, não podemos deixar de analisar a possibilidade de uma motivação ou influência religiosa como elemento desencadeador desse infeliz episódio.

Veja o vídeo que foi produzido pelo assassino dias antes da tragédia. Perceba que ele dá explicações - aos "irmãos" - sobre os motivos que o levaram "tirar a barba". Isso pode ser mais uma indicação de uma possível ligação com alguma seita Islâmica ou ainda com alguma seita de caráter messiânico/pentecostal. O que fica claro, em nossa opinião,  é que houve sim uma influência religiosa em sua fatídica decisão. Essa possibilidade está sendo praticamente descartada devido às importantes implicações que traria. Particularmente penso o contrário. Essa deveria ser uma importante linha de investigação, pois, às vezes, é necessário "mexer no vespeiro" para eliminar um perigo maior no futuro:

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Tenho dito que uma religiosidade sem o elemento da criticidade, emprestado da filosofia, pode virar uma verdadeira arma letal. Assim tem sido ao longo da história.

Concluo com trecho do meu discursos  proferido por acasião da conclusão da graduação em filosofia, na capela da Universidade Católica de Pernambuco:

“Geralmente se diz dos filósofos que são ateus e que a filosofia afasta o homem de Deus. Mas, o papel fundamental da filosofia é buscar e encontrar a verdade, esteja onde estiver. A filosofia não tem fim em si mesma, antes, é um canal de investigação da verdade, de forma que é verdadeira a velha máxima “a filosofia é a mãe de todas as ciências”.  É evidente [...] que nossa religiosidade e até nossa fé devem ter um “parâmetro racional”, sob pena de tomarmos veneno para obedecer ao mandamento de desajustados líderes religiosos, mas não tão desajustados a ponto de ingerirem, eles próprios, o líquido letal [...]. A expressão paulina  nos convida a prestar um culto racional:  “apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso “culto Racional”. A filosofia é, antes, um instrumento a serviço da produção de uma religiosidade sadia”.

14 comentários:

  1. Boa Matéria !!
    Esse Cara é Um Idiota !!
    Tem Que Arder No Inferno !!!

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  2. mãe biológica esquizofrênica, isolamento social (redundante com a esquizofrenia), perda do pai e da mãe adotivos no último, leitura de textos religiosos (inclusive a bíblia) com a mente já perturbada, contato com idéias fundamentalistas, testemunhas de jeová, seitas, uma cultura midiática que produz o espetáculo a partir de qualquer desgraça pessoal, enfim.

    http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/04/09/policia-vai-apurar-declaracoes-de-suposto-melhor-amigo-que-revela-detalhes-do-passado-religioso-de-atirador-do-rio.jhtm

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  3. Quando o excesso de Deus vira Diabo!

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  4. salada de crenças que resultou num comportamento esquizofrênico.
    o que não pode acontecer é a mídia o colocar em capas de revistas como atrativo, pois alguns que sofrem do mesmo mal que ele irão ver na mídia uma plataforma para exibicionismo e status, e logo mais genocídios acontecerão.

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  5. A pressa é inimiga da perfeição.

    Sete de abril de 2011 foi um dia de luto para os parentes e amigos das vítimas de Wellington Menezes de Oliveira, 23, autor do atentado na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ). Mas foi também um dia de consternação para quem acompanhava a grande mídia. Às oito horas da manhã daquela fatídica quinta-feira, o atirador, armado com dois revólveres e muita munição, disparou contra dezenas de crianças que ele sequer conhecia. Menos de três horas depois do massacre, os principais veículos nacionais destacaram, nas primeiras páginas dos seus portais, o que motivou tamanha brutalidade.

    Nas manchetes, com letras garrafais, se ensaiava o gancho para a próxima grande notícia que pautaria os noticiários: o assassino de criancinhas estava a serviço do Islã.

    Mas como se chegou a essa sentença tão preliminarmente?

    Wellington premeditou o crime. Em seus planos sombrios, ele próprio sairia sem vida da operação. Preparou uma carta instruindo como deveria ser o próprio velório. Nela dizia que não queria ser tocado por impuros. Também escreveu que deveriam despi-lo e enrolá-lo em um lençol branco antes de ser colocado no caixão. Depois, pediu pelo perdão de Deus, narrou a volta de Jesus e fantasiou o despertar de seu sono. Em outro parágrafo, expressou o desejo para que doassem seus bens para instituições que cuidavam de animais abandonados. O texto, confuso, parecia saído de uma mente insana, com crenças bem particulares.

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  6. A pressa (2)

    No calor dos acontecimentos, o coronel Djalma Beltrame, em entrevista à Globo News, às 10h40min, descreveu as primeiras impressões da tragédia. “Parece que é a ação de um alucinado, de uma pessoa fundamentalista, que acessa sites de muçulmanos, islâmicos”, disse. O coronel afirmou que só alguém sem espírito cristão poderia fazer uma loucura daquelas. Ele ainda confirmou que o texto era sem sentido, e que o conteúdo nem poderia ser classificado como religião. Beltrame entregou a carta diretamente ao delegado responsável pelo caso, para que fosse averiguada.

    Na ânsia pelo furo, os repórteres saíram à caça de mais informações. Por volta das 11 horas, o jornalista Ricardo Boechat, da Band News, divulgou a gravação de uma conversa com a irmã de criação do assassino, Rosilane de Oliveira. Eles se falaram ao telefone, e o entrevistador queria mais detalhes do atirador. O experiente repórter questionou, de antemão, se Wellington era muçulmano. A essa altura, um especialista da Globo News associava até a vestimenta do assassino ao islamismo. No entanto, Wellington trajava um coturno e uma camisa social de manga longa verde, que mais lembrava um militar.

    A moça, nitidamente nervosa, confirmou vacilante. “Ele (Wellington) era estranho; falava besteiras. Negócio de muçulmano, essas coisas”. A resposta foi vaga e evasiva. Com mais propriedade, ela explicou que a mãe, já morta, era Testemunha de Jeová, porém o irmão não seguia mais aquela religião. Além disso, ele era muito reservado e só vivia no computador, isolado.

    Foi assim que, por volta das 11 horas, a Band News publicou a seguinte manchete: “Tragédia em Realengo: Ele tinha relação com o islamismo, diz irmã do atirador”.

    A novidade repercutiu no UOL, com o título:

    “Irmã de atirador diz que ele era ligado ao Islamismo e não saia muito de casa; ele deixou carta suicida”.

    Como em um estouro de manada, outros grandes veículos publicaram como fato, o que carecia de comprovação. Citaram como fontes, as entrevistas da Globo News e da Band News. Entre os portais nacionais destacou-se o Estadão, com o uso de letras amarelas que luziam num macabro fundo preto. Em minutos, as suposições se espalharam pelo mundo, através da agencia de notícias Reuters, e de jornais europeus.

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  7. A pressa... (final)

    O ato irresponsável, e aparentemente não orquestrado, incentivou manifestações de intolerância religiosa nas redes sociais. A Constituição brasileira, que garante a liberdade de religiões, foi ignorada. Dias depois, a teoria foi desmontada aos poucos, por especialistas, teólogos, representantes e estudiosos de várias religiões. A polícia ainda investiga o caso, mas tudo indica que a motivação do jovem atirador foi conseqüência de delírios esquizofrênicos de uma mente psicótica.

    É importante que essa triste história sirva de exemplo aos demais jornalistas. Que a profissão seja exercida com mais responsabilidade, respeitando os compromissos éticos e sociais. Que se aceite as diferenças e se repila o pensamento único, estereotipado. O racismo e a discriminação, ao contrário do que grupos elitistas e preconceituosos apregoam, engessam a livre expressão. As notícias que abordam as minorias de raça, de gênero, de religião ou de orientação sexual podem e devem ser debatidas. No entanto, exige-se cuidado redobrado na apuração e na divulgação, pela fragilidade dos envolvidos. Usar o preconceito para vender jornal é, no mínimo, inaceitável.

    postagem original:
    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-preconceito-contra-o-islamismo

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  8. Prezado Cláudio:

    Sua contribuição é sempre muito importante e estimulante para nossos debates.

    Penso que sua formação Marxista, que favorece a defesa das minorias e da diversidade (rs..), está lhe fazendo subestimar o poder das religiões.

    Acaso o homem bomba pode ser clasificado como um esquisofrênico? Se sua resposta for positiva devo concluir que estás sendo preconceituoso, além de desdenhar da religiosidade alheia.

    Na minha opinião, nõ há dúvida que, no mínimo, a admiração do assassino de Realengo pelo terrorismo e, indiretamente pelo Islamismo, certamente contribuiu para o desfecho trágico. Ele é esquisofrênico? Claro, se for, isso realmente, também, foi outro fator que contribuiu.

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  9. Todo fundamentalista é assim: se você discorda ou mostra alguma contradição, é logo marxista. Eu afirmei que você foi muito apressado em associar o sujeito ao islamismo. Ele frequentava há dois anos os Testemunhas de Jeová e toda a família é deste grupo religioso. Mas você escolheu atacar o outro, mesmo com indícios frágeis. É sobre isso que falamos.

    Também disse que imprensa é sensacionalista e gosta de sangue. E o artigo que coloquei mostra como ela explora as notícias.

    Depois, defesa de liberdade religiosa, de minorias e de liberdade de expressão não é tradição marxista, mas é a melhor tradição evangélica e protestante, coisa que a sua formação fundamentalista não deveria lhe deixar esquecer. kkkkkk. Aliás, você dirige-se com a mesma verve contra os pentecostais, os batistas, etc. etc. E também quando tenta rotular os outros de 'marxista'. Daqui a pouco, vai dizer que eu sou muçulmano. kkkkkk.

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  10. Cláudio:

    Se observar direitinho falei também do envolvimento dele com "alguma seita messiânica". Os testemunhas de Jeová possui essa característica. MAs, meu caro, não resta dúvida que houve alguma influência religiosa, além de suas possíveis loucuras.

    Discordo de você, permita-me..rs. Não houve precipitação. O link que foi feito com o Islamismo foi feito justamente com base nos escritos do próprio assassino. Essa sugestão é clara. No mínimo ele admirava, de alguma forma, essa religião que cria um ambiente propício ao terrorismo. E outra coisa...vc usa barba e tá defendendo muito os mulçumanos..rs..sei não..rs.

    Finalmente...no último vídeo divulgado do assassino, ele se explica aos "irmãos" o fato de ter tirado a "barba" e que teria feito isso como "tática". Como vc interpreta isso?

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  11. KKKKKKKKKKKKKKKKKK. Que ainda bem que vocês não tão no poder. kkkkkkkkkkkkkk

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  12. Grande Cláudio, defensor das minorias...rs (ainda que seja composta de terroristas...rs.)

    Gostaria que falasse um pouco sobre essa nova foto do assassino de Realengo. A foto que ele aparece de branco. O que você entende dessa vestimenta? Tem alguma relação com religião?

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  13. http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2011/04/20/em-busca-da-noticia-e-de-cenas-dramaticas-em-realengo/

    O artigo acima é uma ótima lição sobre como se fabricam notícias, como se exploram e fabricam dramas. A 'imprensa', antes de tudo é uma empre$a que corre atrá$, nem que seja preciso alguma$ mentira$.

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  14. Diga-me, por favor, para que eu possa compreender esse FATO com os princípios filosóficos isso pode ser para a Filosofia dito e caracterizado como TRAGÉDIA?
    Estou fazendo uma pesquisa sobre tragédia e não sei caracterizar os fatos por completo ainda, mas pelo que compreendo tragédia é algo que é a imitação de uma ação de caráter elevdado não é?
    Como esse fato é muito recente gostaria de compreendê-lo.
    Agradeço se puder responder.

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