terça-feira, 25 de junho de 2013

MICHAEL JACKSON, A TRANSITORIEDADE DA VIDA E A IMUTABILIDADE DE DEUS - 06 ANOS SEM O REI DO POP

O ato de existir consiste em renovação, em mudança; muitas delas involuntárias. O filósofo pré-socrático Heráclito (540 a.C – 470 a.C) admite isso ao afirmar que “não se pode entrar duas vezes no mesmo rio” (HERÁCLITO. Fragmentos, 1947. p.40). O próprio fluir natural da vida pressupõe, aprioristicamente, essa realidade. Em nenhum momento, desde a nossa concepção, somos os mesmos. Há sempre um avanço, um retrocesso, um acréscimo ou diminuição; nunca, porém, uma estagnação. O filósofo francês Henri Bergson (1859 – 1941) percebe, como poucos, essa heterogeneidade dos instantes da vida. Diz ele: “não há dois momentos idênticos num ser consciente” (BERGSON, 1979, p.16). Bergson ainda afirma que “se hoje, sob a influência das mesmas condições exteriores, não procedo como ontem, isso nada tem de extraordinário, porque mudo, porque duro [...]. Portanto, mudo sem cessar (BERGSON, 1988, p.144).

Nesse sentido, está certo o poeta ao reafirmar sua preferência em ser “essa metarmofose ambulante”; erra, porém, ao considerar esse um fato opcional. Michael Jackson é a constatação empírica do que acabamos de argumentar acima.

Sua vida foi marcada pelas mudanças, pelas transformações. A nossa também, mas nem sempre percebemos. Os holofotes que iluminaram o Rei do Pop, entretanto, não nos brindaram “apenas” com um talento incomum; refletiram, como um espelho, o que exatamente somos e o que, apesar de já sabermos, insistimos em não admitir: a transitoriedade da nossa vida. Se até os “Reis” passam, como não passaríamos nós também? “Que é o homem para que dele tomes conhecimento? E o filho do homem, para que o estimes? - Pergunta o salmista, respondendo ele mesmo - O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa (Salmos 144:3-4). E ainda outro salmista afirma: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos” (Salmo 90:10).

Alguém, consciente, pode negar essa verdade? Mas, ao lado dessa nossa mutabilidade incondicional colocamos agora a imutabilidade de Deus, para provocar nossas mentes, deixando claro nossa loucura em não glorificá-lo. O filósofo medieval Agostinho de Hipona, em seu embate contra os maniqueus, afirma a imutabilidade de Deus, baseando-se no Seu atributo incomunicável da Eternidade. Ora, o que é eterno não pode, por definição, mudar nem variar. Afirma ele: “Porventura, Senhor, tu és eterno, já não conheces o que te digo? Não vês no tempo o que se passa no tempo? Por que motivo te narro então tantos acontecimentos? Não é, certamente, para que os conheças por mim, mas para despertar meu amor por ti" (CONFISSÕES XI, 1.1). O teólogo holandês Louis Berkhoff, expondo sobre o assunto, afirma que “A imutabilidade de Deus é necessariamente concomitante com sua asseidade. É a perfeição pela qual não há mudança nele, não somente em seu Ser, mas também em suas perfeições, em seus propósitos e em suas promessas. Em virtude deste atributo, ele é exaltado acima de tudo quanto há, e é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em seu Ser e em suas Perfeições [...]. Até a razão nos ensina que não é possível nenhuma mudança em Deus, visto que qualquer mudança é para melhor ou para pior. Mas em Deus, a perfeição absoluta, melhoramento e deterioração são igualmente impossíveis” (BERKHOF, 1998. p.61).

O argumento está em perfeita harmonia com o que afirma Tiago, em sua epístola: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança (TG 1:17). O que fazer diante da irrefutável imutabilidade de Deus? Como nós, seres finitos e transitórios – todos nós – devemos proceder diante daquele que é o Oleiro? Um importante documento teológico do século XVII responde a essa questão: O fim supremo e principal do homem é Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre (CATECISMO DE WESTMISTER, Pergunta 1).

Àquele pois que Era, que É e que há de vir; ao Alfa e Ômega, princípio,  fim e preservador de todas as coisas, honra, louvor e glória!

4 comentários:

  1. Pb. Fábio,
    quão conformtador é sabermos que o nosso Deus é imutável. Esse foi um dos assuntos que tratamos nessa manhã na EBD aqui em Lisboa, e as suas palavras deixaram-me ainda mais convicto de tais verdades. Um grande Abraço,
    Gerson.

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  2. Excelente texto! Como é bom sabermos que o Senhor nunca muda. Que Deus o abençoe.

    OBS: obrigado por comentar no meu blog e se tornar um seguidor do mesmo.

    Fica na paz!

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  3. Já que "O fim supremo e principal do homem é Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", Observe que dentre muitos Textos na Palavra de Deus que deixa bem claro que a predestinação dupla (que Deus elege uns para salvar o outros para matar) nasceu na mente de Satanás, existe Um Texto que joga uma pá de cal naqueles que ecoam a voz de Satanás com a heresia da predestinação determinista, vejam: “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(Mat. 25: 41). Quero chamar atenção para o fato de que o Rei declara que o fogo foi preparado para o diabo e seus anjos e não para os malditos que por escolha estarão a Sua esquerda ou os benditos (Mateus 25:34) que por escolha estarão a Sua direita. Ou seja, o fogo foi preparado para Satanás e seus anjos, e não para o ser humano. Por isso só irá para o fogo, por escolha, por rejeição a Palavra de Deus, por livre arbitrio Portanto, “irmãos, por trás do ensinamento da predestinação dupla (que Deus elege uns para salvar o outros para matar), satanás está ensinando, insinuando, está fazendo alguns crerem que :
    -ele deixou de ser Lúcifer para ser satanás por eleição de Deus.
    - a terça parte dos anjos foram também predestinados por Deus à tornarem-se demônios.
    -o mal foi predestinado por Deus.
    -o ladrão veio para matar, roubar e destruir por predestinação Divina, ou seja, ele e seus demônios fazem o que fazem Por predestinação de Deus. È isso que Satanás quer que as pessoas pensem.
    Mas queridos, lembram-se, de João 8:44
    Segundo o ensino da predestinação dupla ou determinista, podemos afirmar que Deus predestinou dois sacerdotes para levarem fogo estranho perante a Sua face para assim poder destruí-los e assim mostrar Sua santidade naqueles se achegam a Ele. É o caso de Nadabe e Abiú. Eles foram separados por Deus para ministrar como sacerdotes de Deus, as ‘coisa’ e o povo de Deus, no Tabernáculo de Deus. Eles eram símbolos de Cristo e Seu Ministério a favor da humanidade. Contudo foram fulminados por Deus por levarem “fogo estranho perante a face do Senhor, o que Ele não ordenara”(Lev. 10:1) . Mas observe que os sacerdotes na verdade usaram o livre arbítrio na escolha do fogo estranho, pois a ordem do Senhor era não oferecer incenso estranho (Êxodo 30;8,9) ou como diz em Lev. 10 “o que Ele (o Senhor) não ordenara”. É imperativo mencionar que a vontade de Deus é que sejamos “santo como Ele é Santo” e não que levemos fogo estranho perante a sua face. E, que foi Deus quem escolheu Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar para oficiarem como sacerdotes (Êxodo 28:1)
    Osmar Ferreira-nadanospodemoscontraverdade@bol.com.br

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