quinta-feira, 1 de novembro de 2018

REFORMA 501 ANOS: A NECESSIDADE DE REFORMA E AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA QUE ELA OCORRA


O que foi a Reforma Protestante? De forma sintética, podemos dizer: foi um movimento de retorno aos princípios basilares das Escrituras Sagradas, que haviam sido pulverizado a ponto de quase desaparecerem. Ou seja, a Reforma não foi um movimento pontual, circunscrito a um tempo, visto que o que gerou sua necessidade pode ocorrer, e tem ocorrido, em todo e qualquer tempo. Desviando-se do princípio de Sola Scripture a Igreja de Cristo, nasce junto a necessidade de Reforma.

Foi assim com a igreja de Roma, única igreja cristã no ocidente, até o século XVI. Foi assim também na Igreja da Inglaterra - Anglicana -, separada da igreja Romana por motivos espúrios e conveniência do Rei Henrique VIII. Separou-se da Igreja Romana, mas não promoveu as Reformas necessárias para que a igreja retornasse às Escrituras Sagradas, motor que move todo e qualquer movimento de Reforma da Igreja de Cristo. Lloy-Jones, comentando sobre essa questão, afirma:

"Henrique VII, como se sabe muito bem, estava realmente interessado em uma só coisa, e essa era poder conseguir o divórcio e novo casamento. Isso o levou  ao desejo de livrar-se do Papa e da sua autoridade, para que ele próprio se tornasse o chefe da igreja da Inglaterra" (LLOY-Jones, 2016, p.282).

Isso deixa claro que não basta afastar-se do epicentro do erro. É preciso muito mais que isso pra que se crie um ambiente adequado e favorável à Reforma da igreja. Não basta nem mesmo ser apenas combativo; é preciso ser assertivo e proativo.

Já aqui passamos a refletir sobre as condições necessárias para que aja essa Reforma. Não é preciso muito. Basta, tão somente, haver homens ou pelo menos um homem com a consciência de que as Escrituras Sagradas devem nortear todos os princípios de Fé e de Prática da igreja. E, na Igreja da Inglaterra, assim como Lutero na Igreja Romana, eles existiam. Eram os Puritanos. Ainda que exista alguma dificuldade para determinar a data de nascimento do movimento Puritano na Inglaterra,  Lloy-Jones defende que ser Puritano não é simplesmente fazer parte de um grupo temporal. Ser Puritano é ter uma "atitude Puritana", que é sumarizada no desejo e no empenho para que a Igreja de Cristo tenha as Escrituras como única regra de Fé e de Prática.

Algumas controvérsias na Igreja da Inglaterra, acabaram por deixar claro a diferença entre o que  Lloy-Jones chama de "espírito Anglicano" e "espírito Puritano". Uma delas tratava sobre a necessidade e obrigatoriedade do uso dos paramentos clericais:

"Essas questões indiferentes são sem importância e, contanto que o evangelho esteja sendo pregado e a igreja esteja sendo preservada, todos deveriam ficar satisfeitos" [...]. A isso, replicavam os puritanos: se não são importantes, por que vocês as impõe obrigatoriamente? [...]. O conceito anglicano é progressivo, evolutivo, é o conceito tipicamente "católico", ao passo que o dos puritanos é um conceito estático, que declara que essas coisas são determinadas pelo Novo Testamento, e isso de uma vez por todas [...]. Essa é uma exposição ampla da diferença. O anglicanismo sempre ensinou esta ideia progressiva, esta ideia evolutiva que acentua que a igreja, em sua experiência e sabedoria, continua a fazer descobertas e obtém novas percepções do ensino das Escrituras. Isso leva a certos desenvolvimentos e  acréscimos na igreja, em questões de governo, cerimônia e assim por diante. Por outro lado, os Puritanos diziam: Não, o ensino é fixo no Novo Testamento, e devemos permanecer nele" (LLOY-Jones, 2016, p.285.287).

E, ainda, tratando sobre o "rosto" que a igreja de Francoforte deveria ter:

Diziam os Anglicanos: "eles teriam que fazer como haviam feito na Inglaterra, e teriam que ter o rosto de uma igreja inglesa. Ora essa era uma declaração tipicamente anglicana [...]. A isso Jon Knox replicou: Queira o Senhor que ela tenha o rosto da igreja de Cristo. Igreja inglesa - igreja de Cristo. Aí vocês têm a divisão essencial entre anglicano e puritano" ((LLOY-Jones, 2016, p.287).

Na igreja de Cristo sempre haverão aqueles que apresentarão o "espírito anglicano/católico", que não entende inclusões e inovações (extra-bíblicas) no culto e nas práticas religiosas como problemáticas. Mas, também, em todos os tempos, haverão homens e mulheres com o "espírito puritano", que conclamarão a igreja de Cristo a voltar para as Escrituras Sagradas, somente.

Qual a postura e o "espírito" que você tem adotado na sua comunidade cristã?

Lembre-se: "não é preciso muito. Basta, tão somente, haver homens ou pelo menos um homem com a consciência de que as Escrituras Sagradas devem nortear todos os princípios de Fé e de Prática da igreja".

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