segunda-feira, 11 de março de 2013

A RENÚNCIA DE BENTO XVI E O DESVIO DAS IGREJAS PROTESTANTES HISTÓRICAS: DOIS FATOS, UM MESMO MOTIVO.




Com a notícia da esquisita renúncia do Papa Bento XVI o Vaticano ficou exposto. O que teria realmente motivado o inusitado afastamento “voluntário” de Ratzinger?  Os comentários e as notícias não são das melhores. Toda podridão, ou pela menos uma pequena parte dela, dos bastidores da basílica de São Pedro estão vindo à tona. Até um dossiê foi formulado e entregue ao renunciante Bento. A situação está tão difícil que os cardiais “papáveis”, aqueles que participarão do Conclave para eleger o novo “Supremo Pontífice da Igreja Romana”, estão pressionando para conhecer o conteúdo desse documento “secreto”. Para saber mais sobre esse assunto, acesse: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21616.

Na verdade, nada do que ali esteja, porventura, denunciado, será pior ou ainda novidade tal que já não tenha sido notícia nos labirintos da Sé Romana. O jornalista da Band, Fernando Mitre, no programa Canal Livre, exibido em 11/03/13, fez uma afirmação muito pertinente com relação ao momento vivido pela Igreja Católica Romana. Em síntese, ele disse: “Essa crise é mínima considerando os absurdos ocorridos na história dessa igreja. De papas devassos a assassinos de cardiais; nada pode ser pior do que já foi um dia”. De fato, as recentes acusações de desvios de verbas do banco do Vaticano, de Pedofilia e de omissão moral por parte dos bispos refletem apenas os mesmos problemas com nomes e características diferentes.

Não podemos esquecer que essa mesma igreja, na idade média, chegou a vender salvação, através das indulgências inventadas pelo então Papa Leão X. Muitos historiadores cristãos consideram que esse fato foi a “gota d’agua” que faltava para fazer eclodir a Reforma Protestante, que intentava trazer a “genuína igreja de Cristo” de volta às Escrituras Sagradas.

A Reforma obteve êxito no seu intento? Penso que por algum tempo, sim. Evidentemente que apenas na perspectiva da “doutrina que salvou a Reforma Protestante de se tornar um aborto histórico” – a doutrina da Igreja Invisível de Cristo -. O problema é que as igrejas posteriores, mesmo aquelas que se dizem herdeiras da Reforma, esqueceram-se dos antigos pressupostos pelos quais lutaram os Reformadores; esqueceram-se da velha máxima “Igreja reformada sempre se reformando”.

Mas, há ainda algo de muito intrigante nessa vasta história de desvios da ICAR:

Como uma genuína igreja de Cristo, como já foi um dia a igreja Romana, chegou a tamanho grau de desvio e distanciamento dos preceitos de Deus?

A resposta a essa pergunta é tão simples quanto assustadora. Em primeiro lugar, devemos entender que esse desvio não aconteceu de uma “hora para outra”. Foi um longo processo. Pequenas concessões aqui e ali. Novas práticas, estranhas às Escrituras, sendo acrescentadas sorrateiramente como parte de um grande projeto diabólico para desviar a genuína igreja de Cristo. Essas práticas, maquiadas com ar de inofensividade, fazia com que seus líderes assistissem a tudo passivamente como quem afirma “não sejamos radicais, isso é uma besteira”. E depois mais uma inovação e mais outra, até chegar nesse monstro chamado Vaticano. Em segundo lugar, precisamos pensar seriamente sobre essa questão: no passado, uma igreja genuína de Cristo se desviou por conta de pequenas concessões; nada garante que não ocorrerá novamente. Isso já está ocorrendo com muitas igrejas Protestantes Históricas dos EUA e certamente ocorrerá com qualquer igreja que trilhar os mesmos passos.

Por fim, revelamos os motivos reais que fizeram o Papa Bento XVI não somente existir como renunciar. É exatamente o mesmo motivo que está empurrando muitas Igrejas Protestantes históricas para o mesmíssimo buraco:

O desvio e o esquecimento do “Princípio Sola Scriptura”.

As igrejas não perguntam mais o que a bíblia tem a dizer acerca de sua Fé e de sua Prática. O pragmatismo reina absoluto em nossas igrejas. O bonito discurso de ter a Bíblia como “Única Regra de Fé e de Prática” foi abandonado faz tempo, muito embora ainda seja balbuciado apenas “da boca para fora”.  Esse é o real problema.

Se o desvio e o abandono da Bíblia fossem, de fato, absolutos, a situação não seria tão grave, pois apontaria inevitavelmente para o indício de uma nova Reforma surgindo. Ainda com a Bíblia na mão, porém fechada, a igreja tem sido iludida e levada a ficar satisfeita em tê-la apenas como “Uma das Regras de Fé e de Prática, e não como a Única, como foi no passado recente”.

Líderes da igreja do Senhor: voltemos ao princípio do Sola Scriptura. Os Senhores são profetas de Deus eleitos ou outorgados, dependendo da forma de governo eclesiástico, para governarem Sua igreja. Não tenham medo de se tornarem impopulares, de desagradarem a muitos que correm em busca de resultados. Coloquemos, como fez João Batista, a cabeça “a prêmio” pela mesma verdade que decapitou muitos outros servos de Deus no passado. A verdade de Deus não muda. A igreja, como ocorre com a ovelha, pode querer mudar; pode querer trilhar por caminhos perigosos, mas cabe aos pastores e líderes desses rebanhos trazê-la sempre de volta, usando o cajado, se preciso for.

4 comentários:

  1. Parabéns, excelente reflexão.

    Acredito que Petrus vai discordar... rsrsrs

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  2. Pois é, Esdras. O negócio não está nada bom pro lado de cá também...rs. Quanto ao Petrus, só terá paz quando reconhecer a supremacia das Escrituras sobre qualquer outra fonte.

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  3. Graça e paz Fabio, quanto tempo!, kkkk é voltei! Como sempre uma ótima reflexão.

    Pelo menos em parte eu parabenizo o Ratzinger, pois ao contrario de muitos que já se venderam, ele pelo menos disse; Chega! Mas por outro lado é terrível saber que outra serpente tomara o seu lugar. Lá há a renuncia, aqui o descaso e a falta de compromisso com a verdade do evangelho (é claro que não posso generalizar).

    Que o Senhor nos guarde!

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  4. Prezado Clovis:

    Acho que estamos vivendo uma crise nas igrejas históricas.

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