quarta-feira, 16 de abril de 2014

PÁSCOA NÃO É COISA DE CRISTÃO - REEDIÇÃO


Vivemos num mundo onde tudo pode ser relativizado quando o assunto é dinheiro. Até mesmo as coisas que deveriam ser mais contraditórias acabam convergindo. O sagrado e o profano, por exemplo. Por definição, um deveria ser antítese do outro; um deveria negar e repudiar o outro. Mas, em prol do lucro, caminham de mãos dadas. Um bom exemplo disso é a famosa festa do Morro da Conceição, no Recife.

Cada vez mais, curiosamente, grandes comerciantes têm investido consideráveis somas de dinheiro na religiosidade do povo; mesmo sendo, muitas vezes, ateus ou alheios à fé. A descoberta desse promissor “mercado” acabou despertando a atenção também daqueles que vivem da e na religião, como se dissessem: “se os de fora ganham com a religiosidade do povo porque nós, que vivemos de dentro, não podemos também ganhar”? Assim, muitos (não todos), acabaram aderindo ao grande comércio da fé que vemos hoje.

A Páscoa sempre teve um caráter eminentemente religioso, mas os números a seguir confirmam nossa argumentação acima. Segundo a Associação Brasileira da indústria de chocolates e derivados, em 2010, foram produzidos e consumidos 530 mil toneladas de chocolates. A expectativa de crescimento para as próximas Páscoas, que girava na casa dos 10%, tem sido superada sempre,  com faturamentos que já passam a casa dos R$ 2,0 bilhões. O significado religioso da Páscoa quase desaparece por trás dessas incríveis cifras que negam qualquer existência de crise.

Não podemos negar, entretanto, que muitos grupos religiosos cristãos (católicos e evangélicos) tentam resgatar o significado espiritual da Páscoa, o que é igualmente problemático: o que os cristãos têm a ver com a Páscoa, no que diz respeito à sua comemoração? Absolutamente nada.

A Páscoa é uma festa “estritamente” judaica. É mais que uma festa: é um sacramento (ordenança) do judaísmo, instituído em Êxodo 12:1-28/43, para comemorar a libertação da escravidão do Egito (Dt 16:1-3) e o livramento da décima praga: morte dos primogênitos Egípcios (Ex 12:27).

E para os Cristãos, quais são os Sacramentos?

Para os cristãos Católicos Romanos, existem 7 sacramentos: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio.

Os cristãos Protestantes, por sua vez, consideram que só existe base bíblica para a observância de 2 sacramentos: Batismo e Santa Ceia.

Percebam que não existe, nos moldes como era observada no VT, pelos Judeus, e com os mesmos elementos, na lista dos Sacramentos Cristãos - nem na da Igreja Católica Romana e muito menos da Igreja Protestante -, a Páscoa como um Sacramento a ser observado. 

Moisés Bizerril, num importante artigo intitulado "Sacramentos e Clericalismo: Sacramentos Bíblicos à Luz das Escrituras"  faz a seguinte afirmação:

"A páscoa era somente para Israel e alguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participarem daquele sacramento [...]. Certamente a páscoa não foi continuada e sim a ceia, como celebração característica da nova aliança", publicado em: http://www.monergismo.com/textos/sacramentos/sacramentos_moises_bezerril.htm . 

A "Páscoa Judáica" (permita-me a redundância) era e é (para os judeus) um ritual cheio de detalhes, significados e símbolos. Cada elemento que compõe a “ceia pascal” tinha e tem (para os judeus) seu significado: as ervas amargas, por exemplo, servem para lembrar os dolorosos anos de escravidão; os pães asmos (sem fermento), lembram a fuga repentina, além do cordeiro assado.

Judeu comemorando a Páscoa é coerente; é até obrigatório, pelo caráter sacramental envolvido, mas Cristãos insistindo em comemorar o “sacramento judaico” é no mínimo cômico, para não dizer trágico.

Claro que muitas transliterações têm sido sugeridas, com o objetivo de “cristianizar” a festa judaica, mas isso não justifica a comemoração.  

Não existe na Bíblia nenhuma recomendação para que os cristãos comemorem esse sacramento do VT.

Será que essa insistência dos religiosos cristãos não é motivada simplesmente por fins comerciais? Uma resposta inconsciente aos apelos consumistas?

Assim como a Páscoa, existem outros sacramentos judaicos. A circuncisão é um deles (Gn 17:9-14; Lv 12:3). Para ser coerente, todo cristão que quiser comemorar o sacramento judaico da Páscoa também deveria cumprir o sacramento igualmente judaico da Circuncisão.

Até mesmo a forma de observância da Páscoa - pelos cristãos - está completamente equivocada. Já viram algum cristão, que diz comemorar a Páscoa, comendo ervas amargas, pão sem fermento e cordeiro assado? Isso seria um requisito mínimo para uma comemoração coerente da Páscoa. Ao invés disso, chocolates. Percebe como tudo está relacionado com a questão do consumismo e absolutamente nada com o verdadeiro sentido sacramental instituído por Deus?

Esse erro (cristãos comemorando a Páscoa) tem ocorrido porque a maioria deles desconhecem que esses dois sacramentos judaicos do VT (Páscoa e Circuncisão) foram substituídos, no NT, pelo próprio Cristo, por outros dois novos, porém correlatos aos sacramentos do VT:

a) A Páscoa (que comemorava a libertação e a nova vida) foi substituída pela Santa Ceia ou Eucaristia  (Lc 22:14-27; I Cor 11:23-28), que comemora a ressurreição de Cristo (o cordeiro Pascal do VT era uma prefiguração do que aconteceria com Cristo);

b) A Circuncisão (que era o rito externo de entrada no povo de Deus, no VT) foi substituída pelo Batismo (Mt 28:19, Col 2:11), que igualmente é um rito de entrada na igreja visível do NT.

Paradoxalmente, muitos cristãos não fazem a menor questão de observar esses dois novos sacramentos instituídos pelo próprio Cristo, para sua igreja observar:  Batismo e Santa Ceia ou Eucaristia.

Se você é Cristão, nunca deseje Boa Páscoa a outro Cristão, ele não tem nada a ver com essa comemoração!

31 comentários:

  1. ADOREI , MUITO ESCLARECEDOR PARABÉNS.

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  2. O BLOG TA MUITO BEM REDIGIDO. ISSO MOSTRA O QUE SEMPRE SUSPEITEI...VC É MUITO INTELIGENTE,

    ANDERSON DUARTE

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  3. Excelente artigo. Mesmo gostando de chocolantes, concordo com você. Infelizmente, não podemos negar que o mercado "gospel" tem sido uma grande fonte de lucros, para que muitos se aproveitem dele. Mesmo quando alguns tentam justifiticar, o que seria injustificavél. Por exemplo: Tornou-se comum os programas evangélicos, por parte dos seus apresentadores, apelar para a consciência dos telespectadores, para que os mesmos contribuam, tendo em vista a necessidade das despesas dos programas. Todavia, fazem mais propagandas dos seus produtos, do que qualquer outra coisa. Já notou que o mundo "gospel" é lugar mais procurado para aqueles artitas que estavam fora da mídia? Afirmam que se tornaram evangélicos, passam a cobrar pelos seus "tristemunhos", e quando a fama retorna, retornam também para o seu lugar de origem: o mundo. Enquanto isso, muitos que de fato, tiveram um encontro com Cristo, acabam contribuindo para essa grande devastação. Esquecem verdades significantes, entre elas, o próprio significado da páscoa. E falando em páscoa, feliz páscoa! (rs,rs,rs...). Fábio, um abraço. Parabéns! Continue firme, a serviço de Cristo. Rev. José Roberto de Souza

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  4. Muito bom o artigo,mais poucas pessoas sabem disso, e nem se preocupa em saber, preferem viver em um mundo globalizado, onde na páscoa tem que se comer "OVO", do que com seu siginificado de origem. É como o e-mail que lhe envie (não sei se o senhor leu?), onde é que o ovo entra nessa história de páscoa? E todos se deixam manipular por um mercado consumista, e esquece realmente o que é importante.

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  5. Li recentemente um artigo de um colunista, o qual comentou algo, que tem tudo prá ser uma piada. E por outro lado, se foi uma piada tem tudo prá ser uma verdade. O tal colunista disse que, uma criança chegou para sua mãe e perguntou: Mãe, Jesus foi um coelho? Infelizmente, não é essa a mensagem passada na époda da páscoa?
    Rev. José Roberto de Souza

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  6. Prezado,

    Agradeço pela visita no Caminhando na Graça, de graça!

    Em outras palavras o que quis expressar na matéria que comentou, é a alegria de sermos libertos.

    Cristo é nossa páscoa e devemos comemorar ( não só com bombons rsrs) e tambem não só nesta época e tambem não só na ceia.....

    Abraços

    Na Paz de Cristo

    Marcelo

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  7. Oi Fábio. Muito bom o post. Infelizmente, o ensino sobre a páscoa não surge como preocupação doutrinária [nem entre os presbiterianos, rsrs] e a maioria leva no banho maria. Mas não relaciono o interesse das igrejas [incluindo a católica] com o consumismo.

    Os católicos ressignificaram a páscoa desde a idade média como uma nova passagem da escravidão para a libertação, representada pela ressurreição, tal qual no passado foi a passagem do mar Vermelho.

    Os protestantes até onde eu saiba, nunca fizeram deste ponto um cavalo de batalha [se há alguma grande discussão sobre o tema entre os autores clássicos, você pode indicar porque eu não conheço]. Eu vejo assim: como ninguém nunca reclamou, a festa foi sendo vista como um tanto ou quanto inofensiva [sem nenhuma análise teológica sobre o seu significado ou sobre Jesus na última ceia celebrando a páscoa e dizendo que ela nunca mais o seria até que ele voltasse]. Como algo meio indiferente acaba se tornando um ponto de sincretismo! [pronto, o meio de campo embolou de vez, rsrs]. Protestantes, evangélicos, desejando 'boa páscoa' é tão somente sincretismo religioso reforçado pela pouca atenção dada ao tema pelas lideranças [por falta de estudo? rsrsrs].Portanto, não tem a ver com consumismo, comprar ovos de páscoa, etc. É deficiência na formação mesmo. rsrs.

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  8. Saudações,

    Permita-me responder ao irmão Cláudio Roberto:
    Não só a Páscoa, mas o Natal e todo o calendário litúrgico de origem Católica Romana/Pagã, foi combatido com veemência pelos primeiros fundadores do Protestantismo, especialmente dentre os primeiros Presbiteriano e Congregacionais, nossos Pais Puritanos.

    Se o prezado irmão souber inglês, sugiro os seguintes links:

    http://www.swrb.com/newslett/actualNLs/Xmas_ch0.htm

    http://www.swrb.com/newslett/actualNLs/CHRISTMAS-AWPINK.htm

    http://www.swrb.com/newslett/actualNLs/REFORMATION-RPW-GP.htm

    http://www.sermonaudio.com/sermoninfo.asp?SID=62708105691

    http://www.covenanter.org/IMather/increasemathertestimony.htm

    http://www.loughbrickland.org/articles/mass-easter.shtml

    http://www.swrb.com/newslett/actualNLs/tfwintro.htm

    http://www.sermonaudio.com/sermoninfo.asp?SID=51107133713

    (se alguém puder traduzir os referidos textos, temos alguns sites onde preciosos irmãos gostariam muito de divulgar tais traduções e já temos permissão dos autores - os textos tem direitos autorais e não podem ser divulgados livremente - para divulgar e publicar os mesmos em português, faltando-nos somente quem nos auxilie na tradução).

    Que nosso Senhor nos abençoe, pela Sua Graça e amor ao Seu Nome, para mortificarmos nossos pecados e reformarmos nossa mente segundo a Imagem de Cristo Jesus, nosso Redentor.

    Pb. Ademir Moreira
    Igreja Kalleyana

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  9. Parcialmente correto, Pb. Ademir...

    Farel havia eliminadoo o Calendário Litúrgico de Genebra, mas Calvino o restaurou em uma forma simplificada, observando apenas as Festas para as quais havia precedente neotestamentário: Natal, Sexta-Feira da Paixão, Páscoa, Ascenção e Pentecostes.

    Nessas datas, sermões eram pregados, expondo os textos bíblicos pertinentes. E era nessas ocasiões em que o Sacramento da Eucaristia era celebrado em Genebra, já que Calvino nunca conseguiu realizar seu ideal da Ceia dominical.

    De todo jeito, o sermão temático e a Santa Ceia já estão de bom tamanho para a observância reformada dessas festas!

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  10. Caro irmão Eduardo Chagas,

    Sim, é verdade, não incluí o caso de Calvino no meu pequeno comentário, e por isso mesmo tive o cuidado de destacar os fundadores do Presbiterianismo e do Congregacionalismo pós-Calvino (principalmente notável nos autores dos textos indicados). Pela acentuação dos conflitos com a High Church Anglicana (dentre outros conflitos menores que, pelo tempo, me pouparei de citar), vemos os herdeiros de John Knox e grande parte dos Puritanos sendo mais enfáticos na aplicação do Princípio Regulador e de preceitos do seu "ascetismo intramundano", e, portanto, mais restritivos quanto ao Calendário Litúrgico. Entretanto, embora a prática de Calvino, em seu contexto, permitiu a observância destes dias, somente com a Palavra e o Sacramento, ainda assim a teologia de Calvino é a mesma dos Puritanos (conforme lemos em seu Comentário sobre a Epístola aos Romanos, quando trata do capítulo 14), e, quando não há conflitos com questões de ordem superior (como a obediência Civil e o cuidado com os mais fracos na Fé), leva as mesmas conclusões.
    Cito o amado teólogo, na referida obra (tradução minha):
    "Uma vez que Paulo tem o certo conhecimento de que o respeito a dias específicos procede da ignorância quanto a Cristo, não cabe conjecturar que tal corrupção fosse, de alguma forma, defendida por ele."

    Ademais, considerando o contexto de John Knox e dos Puritanos e também o conteúdo de cartas particulares e atas de Assembléias da época, além de seus escritos públicos; considerando ainda o supracitado bíblico Princípio Regulador e a necessária separação entre o Cristão e mundo, creio que a observância de um micro-calendário litúrgico (sugiro ainda menos que Calvino - somente as datas para as quais é possível obter ordem ou exemplo de comemoração na Escritura Sagrada, ou cuja comemoração não seja "ato de culto" mas "ato cívico-eclesiástico"), desde que seja explicitamente desmistificado pela fiel pregação da Palavra(para que todos saibam que não há graça especial alguma nestes dias, e que não deve, de modo algum, ser qualquer dia tomado de forma supersticiosa - pois Deus consagrou para si o Domingo, na reunião de Seu Povo, e em Cristo, que é nosso pleno Sabbath, fez, em caráter distinto, santos também todos os outros dias, de modo que não há mais dias espiritualmente solenes, exceto estes dois, o Domingo e o pleno Sabbath em Cristo, que, em verdade, são um) e culturalmente subversivo para renovação da mente Cristã em nosso Senhor e denúncia de nossos pecados, é necessária adiáfora, pertencendo a liberdade individual e congregacional (esperando sempre que a consciência de cada Cristão exercitado na Palavra o faça evitar até a aparência do mal). Agora, se há qualquer superstição, se há uma idéia de "graça especial" ou "dia santo", se a observância do dia é ou torna-se um ato de culto especial, então temos o povo lançado de volta aos rudimentos do mundo e aos sombrios tipos do revelado Reino de Cristo, hoje descartados.

    Em tempo, para meditarmos:
    "Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?
    Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.
    Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco."
    Epístola de São Paulo aos Gálatas
    Cap.4 Vers. 9-11

    "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."
    Epístola de São Paulo aos Colossenses
    Cap. 2 Vers. 16,17


    Pb. Ademir Moreira
    Igreja Kalleyana

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Jesus Cristo adicionou um novo significado para a comemoração do Pêssach entre os seus discípulos. Pois sabia que, embora Deus tivesse feito o seu povo passar da escravidão para a liberdade, o povo de Deus, em sua maioria, ainda continuou sendo escravo e, agora, de uma escravidão que somente o seu sacrifício na Cruz poderia libertá-los.

    A fé em Deus e nas suas promessas sempre foi a grande responsável pela liberdade do povo libertado do Egito e de tantos outros que serviram a Deus antes ou depois dessa ocasião, entretanto a fé estava longe de se fazer parte integrante à vida do povo de Deus.

    O povo de Deus precisava de um libertador maior do que o foi Moisés. E Jesus Cristo foi o escolhido e o autorizado por Deus para cumprir essa missão.

    Portanto, na última Pêssach Jesus Cristo comemora antecipadamente a vitória que o povo de Deus recebeu com o seu sacrifício vicário.

    Jesus Cristo, com o seu próprio corpo e sangue, conquistou a nossa passagem da escravidão do pecado e da morte para a liberdade da leveza da santidade e da vida abundante.

    Por isso comemore esta Páscoa não com tristeza, solenidade vazia ou qualquer outro sentimento que expresse comiseração, mas sim COMEMORE UMA FESTA! Alegre-se porque você é livre! Deixe o amor invadir o seu coração e transpirar por todos os seus gestos, palavras e atos.

    Esse texto é parte do artigo: A Páscoa e o seu significado para a Igreja de Cristo.
    http://labriadalbertooliveira.blogspot.com/

    Caro colega, seu texto trás algumas verdades, entretanto precisamos analisar a Páscoa não a partir da falta de profundidade de sentido tão característico ao mercado, mas sim por meio do significado que a "última ceia" trouxe a Pêssach. Um abraço!

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  13. Caríssimo da L'Abri Net (Alberto?):

    Permita-me discordar veementemente de seu argumento. Como bem disse o Prof.Cláudio de Souza: "os católicos ressignificaram a páscoa". Isso é verdade não só quanto aos católicos, mas os protestantes também têm enveredado, sem perceber, por esse caminho.

    Como deixei claro, não devemos comemorar a páscoa, simplesmente, pela questão do consumismo. Mas, antes de qualquer coisa, porque a Páscoa é um Sacramente eminentemente judáico que foi, à semelhança de outros sacramentos (a circuncisão pelo batismo), substituído por outro (a Santa Ceia ou Eucaristia), no NT.

    Não temos autorização, em minha opinião, nem de Cristo, nem dos apóstolos, nem de qualquer outro texto do NT para continuarmos comemorando a páscoa; nem mesmo para ressignificá-la. Isso, caro irmão, temos feito por nossa conta e risco.

    Contudo, se fizermos questão de comemorar a páscoa assim mesmo então vamos fazer certinho? Comemorá-la com todos os seus elementos? O cordeiro pascal, as ervas armagas, o pão sem fermento etc.

    Fica a provocação com a intenção de aprofundarmos o debate do tema ok?

    Tudo de bom!

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    1. Desculpe-me a ignorância, mas o que significam esses trechos João 1.36, “E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus.”, Obviamente aquele que iria derramar o sangue para nos livrar da morte eterna, e I Co. 5.7, “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.”? Se Cristo é nossa páscoa, por que não
      comemorarmos?

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  14. Olá graça e paz!

    Fico feliz em ver mais um blog cristão, espalhando a palavra
    de Deus, estou passando para te visitar, e dizer que seu blog
    está sendo uma bênção em nossa blogosfera cristã, já estou te
    seguindo.

    Faça-me uma visitinha e aproveite para participar do
    Sorteio do livro: TEMPERAMENTOS TRANSFORMADOS POR TIM LAHAYE

    Crislaine

    Abraços

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  15. Excelente resposta ao L'Abri, Filósofo.

    De forma sucinta, tomar a Páscoa como dia de culto ou dia especial, sob qualquer forma ou aspecto, é reviver o sacramento veterotestamentário e, portanto, deixar a realidade do que Cristo fez para voltar as sombras e a ignorância.

    Já é hora da Igreja reavaliar suas posturas e ater-se somente ao que a Palavra orderna.

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  16. Olá, Fábio.

    Muito obrigado pela comentário.

    Sobre o capítulo do teu livro (êita, isso me faz lembrar algo....rssss), ainda não cheguei lá. O problema mente-corpo está em alta nos círculos filosóficos. Ainda postarei algo sobre isso.
    Sobre os livros, recomendo fortemente o lançamento do Dooyerweerd pela Ed. Hagnos. Na próxima semana chegará na Luz e Vida. Dê uma passada por lá. Melhor, vamos marcar, então a gente se encontra.

    Tô terminando de traduzir um artigo do Vollenhoven. Logo, logo postarei aqui.

    A Dogmática do Bavink ficará pronta e será lançada, creio, pela Cult. Cristã.

    Bom, forte abraço, mano.

    Gaspar de Souza

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  17. Boa Noite!
    Filósofo Calvinista, com todo o direito e respeito à resposta digo:
    Não devemos comemorar a páscoa com "O cordeiro pascal, as ervas armagas,", pois quando Jesus a celebrou e a resignificou, os símbolos usados foram “pão” e “venho” como lembranças do seu corpo e do seu sangue entregues na cruz e foram esses elementos instituídos para a celebração da Pêssach pelos cristãos.
    Quanto a termos um dia no ano para celebrarmos este evento eu vejo assim:
    1. Jesus não instituiu quantos dias na semana, mês, ano esse sacramento deveria ser feito, ele simplesmente disse: “E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim.” e Paulo disse: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálix, anunciais a morte do Senhor, até que venha.” Percebo que aqui não se especifica quantas vezes e em que temos se deve celebrar a Pêssach em memória de Jesus com os significados instituídos por ele, mas simplesmente que isto deve ser feito;
    2. Assim não vejo razão para sua afirmativa de que a “Páscoa não é coisa de cristão” e muito menos a de “comemorar certinho” . Se “esse certinho” diz respeito aos elementos da Pêssach judaica , não há sentido em sua afirmação, haja vista que nós cristãos não somos judeus a celebrar a Pêssach como isso significa par aos judeus, entende?
    3. Como pastor e estudante de Teologia vejo que a celebração da Pêssach de acordo com o significado estabelecido por Cristo deve ser sim celebrado! Quando? Quantas vezes? Em quais ocasiões? Isso é uma questão de ordem cultural e contextual.
    4. Vejo também que a celebração da Pêssach nos modos estabelecidos por Cristo além de ser uma ordenança é, no caso, como está configurado no contexto ocidental, a saber, um dia em abril (04 abril), pode ser uma excelente oportunidade que temos como cristãos protestantes e reformados para dizer ao mundo descrente o que realmente significa o princípio cristocêntrico dessa festa. É certo que não dá para usar o “coelhinho”, talvez fique difícil encontrá-lo nas Palavras de Jesus, rs, rs,....

    Um grande abraço! Gosto muito dos seus textos e achei muito bom, porém ainda não tive tempo de comentar o sobre a INDULGÊNCIA....Parabéns meu caro!

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  18. Caríssimo Pastor da L'Abri Net:

    Seus comentários são sempre muio bem vindos. Tens meu respeito pela luta pela cosmovisão calvinista. Permita-me ainda insistir para deixar esse assunto claro; para mim e para nossos leitores:

    1- A Páscoa "era" um sacramento do judaísmo, certo?

    2- A Páscoa, como sacramento, deve ser observada ainda hoje? Se a resposta é sim, como o senhor já deixou claro, então perguntaria: quantos sacramentos temos hoje? Dois? Três?

    3- Na última ceia (páscoa) Jesus instituiu ou não um novo sacramento, a Ceia ou Eucaristia? Sendo assim, não temos, como o senhor disse, uma ressignificação de um antigo sacramento e sim uma mudança, um novo sacramento.

    Gostaria que respondesse a essas questões.
    Tudo de bom!

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  19. Como Católico, e portanto membro (indigno, diga-se de passagem) da única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, pergunto-me porque protestantes de todas as cores e matizes ainda insistem em discutir pontos de doutrina: se não concorda com o irmão, saia da congregação e funde uma igreja para si e os seus.

    Demais a mais, em debates entre protestantes é muito comum encontrar expressões tais como "eu acho", "eu penso", "eu acredito que seja assim ou assado"; enfim, escudado pela "Sola Scriptura", cada um se torna o Magistério de si mesmo, e todos falam em nome do Espírito Santo, por maiores que sejam entre si. Daí, como último bastião da unidade entre protestantes, resta a inimizade e revolta contra a Igreja, esta sim verdadeiramente una.

    Rezando pela vossa conversão,

    Em Cristo e Maria Santíssima,

    Luiz.

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  20. Este comentário foi removido pelo autor.

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  21. ERRATA: "por maiores que sejam entre si AS DISPARIDADES".

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  22. Prezado Luiz:

    Agradecemos muito sua presença por aqui e contribuição para o debate. Vozes discordantes são sempre muito bem vindas por aqui.

    Você está coberto de razão quando diz que esse negócio de "eu acho, eu penso" não dá pra engolir. Pelo que vi, você é completamente a favor da comemoração da páscoa, já que o post trata sobre isso.

    Gostaria, então, de lhes pedir bases bíblicas e teológicas consistêntes que abonem a continuação da celebração da páscoa. Pode ser?

    Com relação a ser a ICAR a "única, primeira e verdadeira igreja", deixa te dar uma má notícia: isso é uma falácia e um grande engodo. Vivi muitos anos de minha vida também acreditando nisso, até que resolvi estudar um pouquinho (não precisou muito) de história do cristianismo. Veremos, de cara, que muitas outras igrejas surgiram no mesmo momento da Igreja de Roma, como a igreja de constantinopla, por exemplo, até hoje também existente tendo dado origem à igreja ortodoxa Grega. Além disso, creia, tem muito mais coisa. Podemos trocar umas idéias sobre isso posteriormente.

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  23. Caro Filósofo Calvinista,

    Já a tua pergunta está contaminada com um erro muito próprio aos protestantes: o de querer
    bases bíblicas para tudo. Antes do mais, é preciso ter em mente que, durante os primeiros quatrocentos anos da Igreja, não havia Bíblia, e que tão somente a autoridade da Santa Madre Igreja, imbuída da graça do Espírito Santo, conservou os fiéis na fé verdadeira. Demais, os livros bíblicos foram todos - TODOS - selecionados pelo clero católico e sancionados pelo Papa S. Vitor I, se me não falha a memória. Para evitar delongas, tomemos apenas os livros do Testamento Novo, que são iguais tanto na Igreja como entre os calvinistas.

    As bases teológicas da Páscoa cristã? Jesus Cristo ressuscitou. Não é o bastante? Além disso, obriga-me a tanto a autoridade da Santa Madre Igreja, a quem Deus cometeu a tarefa de evangelizar os povos.

    Tenho de te falar que, infelizmente, estás traçando o fatal caminho do livre exame protestante: já estás questionando as festas e os dogmas que de há muito a Igreja instituiu e até entre protestantes se conservam. A seguir tal caminho, não será surpresa se, daqui a alguns anos, começares a duvidar da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Por último: não me lembra de Nosso Senhor Jesus Cristo haver falado ao patriarca de Constantinopla ou ao de qualquer outro lugar "teu nome é Pedro, e sobre esta pedra edificarei A minha igreja." Ainda em vida - veja no livro dos Atos - S. Pedro firmara sua sé em Roma.

    A Igreja Católica é uma instituição divina, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa; não fosse assim, estaria usurpando com tirania os direitos dos homens e de Deus. Pergunto-te, pois: a igreja calvinista - ou qualquer outra protestante - foi fundada e instituída pessoalmente por Nosso Senhor Jesus Cristo? Se não foi, bem sabes a resposta.

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  24. Prezado Luis:

    Não é o assunto do post, diretamente, mas mesmo assim vou tecer alguns comentários sobre seu engano (espero que seja engano e não má fé, ou seja, alguem que conhece a verdade e mesmo assim a esconde). Vamos lá:

    Você diz que a igreja de Roma foi a única fundada por Cristo? A primeira? Tá falando sério mesmo? Quer dizer que Cristo mandou Pedro fundar a igreja e ele foi correndo pra Roma e a fundou? Em primeiro lugar, não existe nenhuma evidência histórica incontestável que Pedro tenha sequer estado presente em Roma.

    Você está desprezando o fato de que a igreja de Cristo, tecnicamente e historicamente, começou em Jerusalém. Ou será que os primeiros discípulos sairam de Jerusalém para se reunirem em Roma? Todas as missões evangelísticas partiram de Jerusalém, motivadas pelas perseguições (Atos 8). Os discípulos (membros da igreja de Jerusalém - a primeira igreja a existir) iam fugindo e nas cidades onde se escondiam formavam outras comunidades cristãs e depois mais perseguição e depois mais comunidades cristãs. O império Romona propciou esse alastramento devido a unidade cultural e o comércio interlocal. Claro, tudo providenciado pelo proprio Deus, como registrado em Gálatas: Ele veio "na plenitude dos tempos".

    Até meados do ano 100 dc já havia igrejas em todas as cidades da Ásia menor e possivelmente até na Espanha. Nesse período a igreja de Roma TAMBÉM foi fundada. Até aqui só podemos falar de CRISTIANISMO PRIMITIVO (e isso envolvia todas as igrejas numa unidade conciliar).

    A sua igreja - ICAR - nessa configuração como a conhecemos só passa a existir a partir do século V com a chamada "Pretensão Petrina", quando o bispo de Roma, por fazer parte da igreja da capital do império, se auto-julgou superior aos OUTROS BISPOS DAS OUTRAS IGREJAS EXISTENTES (aqui já fica mais evidente ainda a falácia de ser a ICAR a 1ª e única igreja). Ora, se tinham outros bispos é evidente que tinha outras igrejas.

    Podemos contar pelos menos cinco igrejas maiores que juntamente com a de Roma se destacavam: Alexandria, Antioquia, Jerusalém, Roma e Contantinopla. Destaque para esssas duas últimas. Uma igreja da capital do império no ocidente (Roma)a outra da capital do Oriente (Constantinopla, de onde surgiu a IGREJA CATÓLICA ORTODOXA GREGA, posteriormente.

    Tudo isso tem a mais absoluta comprovação histórica, registrado, inclusive, nos livros de história do Cristianismo Católico. Fiz questão de pesquisar em fontes católicas porque, assim como você, sou procedente de uma família muito católica. Está tudo registrado, é só pesquisar. Se for de Recife sugiro que venha na biblioteca da Universidade Católica de PErnambuco. Tem excelentes livros de história do Cristianismo escritos por padres.

    Essa é a verdade, não a ocultemos.

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  25. olá fábio muito bom artigo...
    mas o que vc acha do culto da ressureição celebrado por algumas congregações da IPB? não seria a comemoração da páscoa em outras roupagens...

    Pb. Alexandre Galvão

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  26. Olá Galvão:

    Pode ser...rs. Concordo contigo...rs. Se bem que: no culto da ressurreição, comemoramos a Ressurreição de Cristo (e não a páscoa), inclusive com a celebração da Santa Ceia, o que estaria dentro do previsto. Na 1ª IPB Jordão, nem se fala em páscoa durante o culto da ressurreição, mas é possível que tenha alguem que faça esse link sim. Depois do culto dei exatamente esse estudo que está postado aqui e vi muita gente surpresa ao saber que o Cristão não deve comemorar a páscoa.

    Tudo de bom!

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  27. "Pretensão Petrina", não: "Primado de Pedro", isso sim. São Pedro era o chefe dos Apóstolos (nomeado pelo mesmo Cristo) e a quem cabia a palavra final. Aqui as referências escriturais, à laia de ilustração: http://www.boletimpadrepelagio.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2921:o-primado-de-pedro-e-indiscutivel&catid=42&Itemid=187

    Já no séc. II - anterior, pois, ao séc. V - São Clemente Romano, Santo Inácio de Antioquia e Santo Irineu de Lyon, por ex., reconheciam o primado de Pedro, logo da Igreja Católica Apostólica Romana.

    Estou ciente das perseguições e das outras sés espalhadas pelo mundo, mas só S. Pedro é o Vigário de Cristo e a ele todas as demais sés devem obediência; só a ele pertence a jurisdição universal; logo, onde Pedro estiver, lá está o Cristo e Sua Igreja.

    A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo - a Igreja Católica - tem uma hierarquia visível, sacramentos visíveis e eficazes e inúmeros santos que testemunharam e testificaram a verdade de sua doutrina.

    Em tempo: ICAR não, simplesmente a Igreja. Não tentes comparar a Santa Madre Igreja às filhas da Revolta de Lutero e Calvino.

    Luiz.

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  28. Olá,
    Também tive o privilégio de ter o blog "Ensinando a Bíblia com Criatividade DI/IPJ" fazendo parte da lista de blogs presbiterianos da IPB. Que tal aproveitarmos esta oportunidade e fazermos parcerias entre "os blogs presbiterianos"! Estou visitando todos e fazendo esta proposta. Já estou seguindo este blog, visite-me e faça o mesmo.
    Edenícia - Coordenadora do DI da Igreja Presbiteriana de Jacobina-BA

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  29. Antes de mais amados, saudacoes!

    Curto e rapidamente, gostei do blog, esta de parabens meu irmao em Cristo. Li aqui muitos comentario e referencias saudaveis que encorajou-me ainda mais em 'agarrar-me' a minha Biblia...Mais tambem amados, algumas palavras em que um Cristao nao pode usar. Logo no principio dos comentarios, um anonimo, agradecendo pelo blog, diz; Adorei! E Biblico, so se adora Deus o unico, amen? A outra brincadeira de mau gosto, foi a de um tal "Reverendo" Jose Ricardo de Sousa, que no fim dezeja: 'uma feliz pascoa'. Nos Cristao como disse o autor, nao deseja-mos ou despedimo-nos assim uns aos outros...! Paz e graca para todos!

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