quarta-feira, 17 de julho de 2019

A INCOERÊNCIA DAS EBF'S NO ENSINO DA ADORAÇÃO PARA AS CRIANÇAS


Salomão, no auge de sua "sabedoria" inspirada, alertou: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele" (Prov 22:6). A questão é: no quesito "adoração" o que estamos ensinando às nossas crianças? Como elas devem adorar ao Senhor? Antes de responder, uma dúvida logo se abaterá nos corações observadores: a questão que se coloca se aplica somente enquanto forem crianças ou também quando elas crescerem, quando se tornarem adultas? Por isso a resposta à primeira pergunta seria: "depende". Ensinamos que a adoração ao Senhor deve seguir o Princípio Regulador do Culto. Ou seja, na adoração aquilo que está ordenado nas escrituras, deve ser feito. Aquilo, porém, que não está ordenado nas escrituras ou delas não se possa inferir, deve ser evitado; abolido. Criticamos igrejas que teimam em manter em suas liturgias "grupo de coreografias", "danças litúrgicas" e todas essas invenções. Mas, entrando direto no assunto, nas EBF'S (Escola Bíblica(?) de Férias) da vida, ensinamos nossas crianças a "adorarem" ao Senhor com "danças" e ainda nos sentimos gratos por vê-las "pulando e dançando" enquanto "adoram" ao Senhor. Ensinamos às crianças: "dancem, pulem, saltem de um lado para o outro", quando estiverem "adorando" ao Senhor. Quando crescem, porém, queremos a todo custo ensinar: "a adoração ao Senhor deve ser ordeira, solene, sem inovações, sem danças, sem pulos, sem invenções da mente humana ou sugestões de satanás". Quanta incoerência! Seria essa incoerência fruto do entendimento de que as crianças de hoje em dia são retardadas e não mais entendem o puro e simples evangelho e os preceitos básicos de Deus e que por isso precisamos, como diz um adágio que critica essa postura, "vestir Jesus de palhaço" para que seja mais agradável e palatável aos seus olhos"? Ou, antes, essa incoerência é fruto de quem aprendeu errado e hoje está apenas repassando errado às crianças? Ou ainda é ela apenas uma forma de rebeldia e resistência aos ensinamentos corretos que conhecem, mas não concordam muito? Radicalidade? Sim, sim. Parece que essa última opção responde bem às indagações. Afinal, são "apenas crianças". Sem problemas, se Salomão estivesse errado! As grandes barragens começam a se romper e ao final causam grandes tragédias por meio de pequenas brechas e pequenas rachaduras. Da mesma forma temos visto isso acontecer na igreja cristã. Pequenos desvios doutrinários e litúrgicos e pequenas concessões de líderes que não quiseram parecer "radicais" levaram a igreja Romana, por exemplo, ao nível de desvio que se encontra hoje. Portanto, sejamos pelo menos, coerentes: se entendemos que não há nenhum problema teológico/doutrinário em "adorar" ao Senhor com "danças" ensinemos isso à toda igreja e não apenas aos pequeninos. Tá cheio de adulto nas igrejas querendo "soltar a franga" na liturgia da "adoração". Certamente vão "amar". Mas, se ao contrário, entendemos que o a adoração deve seguir o Princípio Regulador do Culto, que ensina que ela deve ser ordeira, simples e sem inovações, ensinemos igualmente do menor ao maior, porque, como alertou o sábio: "o caminho que ensinarmos é o caminho que as crianças seguirão". Que seja assim, para a aprovação ou reprovação dos que ensinam a esses pequeninos.     

segunda-feira, 24 de junho de 2019

A MORADA FINAL DOS JUSTOS A PARTIR DOS PURITANOS


O que os Puritanos pensavam sobre a MORADA FINAL dos justos e dos ímpios? 

Joel Beek e Mark Jones, em sua extensa obra "Teologia Puritana", tratando sobre a "Escatologia Puritana", fazem a seguinte advertência à quem quer estudar o pensamento escatológico dos "gigantes da fé": 
Existe nossa tendência de impor as categorias escatológicas de amilenarismo, pré-milenarismo e pós-milenarismo, vigentes nos séculos 20 e 21, à escatologia puritana, que não tinha tais categorias. Craw Gribben defende convincentemente que a teologia puritana consegue "desafiar e transcender os conceitos contemporâneos [...]. Às vezes intérpretes contemporâneos impõem aos puritanos categorias do século 21 (BEEKE, JONES, 2016, p.1090, 1110).
Portanto, conceitos como  "morada temporária ou provisória no CÉU e morada definitiva e final dos justos na TERRA, ainda que transformada" definitivamente não fazem parte, como padrão, do arcabouço teológico/doutrinário dos Puritanos.

Mas isso significa que os Puritanos não tinham uma INTERPRETAÇÃO sobre onde seria a MORADA FINAL dos homens, justos e ímpios? Obviamente que não!

O fato é que aqueles que querem defender tais conceitos devem seguir sozinhos em suas "aventuras hermenêuticas escatológicas contemporâneas", novidades dos séculos XX e XXI, sem o apoio dos Puritanos. 

Os Puritanos não tinham nenhuma dúvida de onde seria a MORADA FINAL dos justos e dos ímpios e isso foi refletido, irrefutavelmente, na Confissão de Fé e nos Catecismos de Westminster, produzidos por eles. 

O problema é que os teólogos reformados presbiterianos contemporâneos consideram, majoritariamente, a INTERPRETAÇÃO dos Puritanos acerca desse assunto como "INGÊNUA" e "INCOMPLETA". Mas, para não assumirem isso, sob pena de serem acusados de "não confessionalidade" dizem que os puritanos são "silentes" quanto ao tema. Mas isso não é verdade, como demonstraremos e como já demonstramos em outra postagem, sob o título: A MORADA FINAL DOS JUSTOS A PARTIR DAS CONFISSÕES E CATECISMOS REFORMADOS (pesquisar no blog):

1) Para começar, vejamos o que diz John Bunyan, contado entre os puritanos, em sua obra mais famosa "O peregrino", que conta a trajetória do Cristão até chegar à sua morada final. No último capítulo, intitulado "Cristão e Esperançoso atravessam o Rio da Morte e entram, finalmente, na Cidade Celestial". A narrativa utiliza expressões como "nova Jerusalém", "cidade celestial", "Sião", "Monte Santo" sempre como sinônimos de CÉU, como fica claro:
Já às portas do CÉU [...] à medida que se aproximavam da cidade, tinham dela uma vista cada vez mais perfeita. Era toda de pérolas e pedras preciosas. Também as ruas eram revestidas de ouro.  Ali — disseram — estão o monte Sião, a Jerusalém celeste, o inumerável exército dos anjos e os espíritos aperfeiçoados dos homens justos. Agora vocês irão para o paraíso de Deus, onde verão a árvore da vida e comerão de seus frutos eternos. Quando lá chegarem, receberão mantos brancos e viverão todos os dias ao lado do Rei, por toda a eternidade[...]. A cena, para quem a pudesse observar, era como se o próprio CÉU descesse para recebê-los [...]. E agora os dois homens, por assim dizer, se viam no CÉU antes de lá entrar, extasiados que estavam pela visão dos anjos e pela audição de notas tão melodiosas. Dali também já avistavam a própria cidade e julgaram ouvir todos os sinos repicando como sinal de boas-vindas (trecho da obra O peregrino).

2) Outro puritano, Thomas Manton, escrevendo sobre "o que aguarda cada pessoa", afirma: "Naquele dia, o bodes serão separados das ovelhas [...]; essa distinção permanecerá para sempre, um daqueles grupo ocupará o CÉU, e o outro o inferno" (BEEKE, JONES, 2016, p.1127). E ainda: O longo estudo de Manton oferece uma exposição daquilo que é resumido na Confissão de Westminster (BEEKE, JONES, 2016, p.1127)

3) Escreve o puritano John Dod; "A cada manhã considere: 1. Vou morrer. 2. Posso morrer antes do anoitecer.3.Para onde irá minha alma: para o CÉU ou parra o inferno?  (BEEKE, JONES 2016, p.1156)

4- Richard Baxter escreveu "O descanso eterno dos santos. Um guia para o CÉU e para longe do inferno" (BEEKE, 2016, p.1156).

5- O puritano Samuel Rutherford, no leito de morte afirmou: "Estarei radiante - eu o verei como ele é - eu o verei reinar [...] meus olhos, estes meus próprios olhos, e não outros, verão meu Redentor". O CÉU tinha muitas glórias, mas a visão de Cristo, o redentor, era a glória principal (BEEKE, JONES, 2016, p.1160)

6) Chistopher Love, puritano DELEGADO DA ASSEMBLÉIA DE WESTMINSTER, escreveu sobre "as glórias do CÉU e o pavor do inferno", uma série de de dezessete sermões que falavam sobre  o CÉU e o inferno. Em um deles, sobre a segunda vinda de Cristo, afirma:
Aquela condição felicíssima e imutável [...], que Deus preparou para os eleitos no CÉU, para ser desfrutada depois do dia do juízo, ocasião em que o corpo se levantará da sepultura e ser unido à alma, e ambos receberão para sempre a glória com de Deus, jesus cristo, O Espírito Santo, os santos e os anjos. É isso que chamamos de glória: esse ajuntamento do corpo e da alma, em que ambos participarão da glória, desfrutando das três pessoas da Trindade, de todos os santos e anjos para sempre (BEEKE, JONES, 2016, p.1163).
Beeke, comentando sobre o pensamento escatológico de Love, para não deixar nenhuma dúvida, afirma: "Esse estado envolve a glorificação tanto do corpo quanto da alma. Love, delegado da Assembléia de Westminster, reflete o ensino puritano padrão da Confissão de Fé de Westminster (CFW)" (BEEKE, JONES, 2016, p.1163) e ainda: 
Love comenta que o CÉU, que é a morada de Deus e a capital do seu reino [...] é o local onde a alma é glorificada no momento de sua morte e onde mais tarde o corpo e a alma serão glorificados por ocasião da ressurreição. o CÉU existe como paraíso (Lc 23;43), habitação eterna (Jo 14.2; 2 Cor 5.1; Lc 16.9), cidade que virá (Lc 23;43), habitação eterna (Col 1.12) e lugar de alegria (Sl 16.11). Quanto a localização, Love rejeita a ideia de "que existirá um novo CÉU e uma nova terra e que aqui [i.e., na nova terra] os eleitos viverão e serão glorificados". Ele também rejeita a ideia de que o CÉU é simplesmente qualquer local onde Deus habita, sem estar ligado a um lugar em particular. Em vez disso, ele defende [...] que o CÉU é aquele espaço mais brilhante e glorioso bem acima dos céus visíveis, chamado terceiro CÉU, onde Deus manifesta suia glória a anjos e santos benditos (BEEKE,JONES, 2016, p.1167).
Essa é a INTERPRETAÇÃO padrão dos puritanos acerca da "morada final dos santos", transmitida aos Símbolos de Fé de Westminster, como já deixaram claro Joel Beeke e Mark Jones, citados acima.

Portanto, não há possibilidade de assumir para si outra INTERPRETAÇÃO sem rejeitar essa INTERPRETAÇÃO dos puritanos e dos próprios símbolos de Fé, como demonstrei também na outra postagem citada acima.
Os escritos de Love sobre o CÉU e o inferno são uma expressão fiel das ideias puritanas comuns sobre o assunto. Embora as posições de Love e a de seus contemporâneos sobre o CÉU não tenham as mesmas nuanças que encontramos em estudos reformados atuais sobre o tema [...], não há dúvida de que até o século 17 não houve geração alguma de teólogos que se equiparasse aos puritanos no que diz respeito a expor as glórias do CÉU e os pavores do inferno. A obra de Love está entre as melhores (BEEKE, JONES, 2016, p.1188).
Como já está claro, tudo se resume à escolha entre as duas escolas de INTERPRETAÇÃO que tratam sobre MORADA FINAL DOS SANTOS - a escola Puritana, refletida, também, nos Símbolos de Westminster e a escola dos teólogos atuais.

7) Thomas Goodwin, puritano, ao escrever sobre "o bendito estado de glória que os santos possuirão após sua morte", afirma; "Não há nada mais encorajador para os piedosos [...] que o fato de poderem caminhar [...] com o coração erguido ao CÉU (BEEKE, JONES, 2016, p.1159).

8) John Owen, afirmou; "os santos na terra anseiam pelo CÉU (BEEKE, JONES, 2016, p.1165).

9) Richard Sibbes, puritano, afirmou: "Sem Cristo o CÉU não é CÉU" (BEEKE, JONES, 2016, p.1165).

10) Outro puritano, Robert Bolton, afirma: "CÉU é aquele lugar ao qual Cristo ascendeu e onde Deus, de forma bem especial, habita, e é o lugar onde todos os benditos estarão para sempre" (BEEKE, JONES, 2016, p.1168).
Bolton e Love refletem a ideia histórica e comum cristã de que a morada eterna dos santos ressuscitados - e não somente a morada das almas de homens justos aperfeiçoados - será  [...] o CÉU (BEEKE,JONES, 2016, p.1168). 

Divulgue meu Blog no seu Blog