sábado, 4 de maio de 2013

CURSO DE LIDERANÇA CRISTÃ - Parte 2/3



4- DANDO SUPORTE AOS LÍDERES

Como já vimos no capítulo 3, liderança não é algo que se nasce com ela, antes é algo que se aprende, com muito esforço, observação, treinamento e muita dedicação. Partindo desse pressuposto, passaremos a abordar alguns  PRINCÍPIOS ou LEIS que servem para dar suporte e bagagem aos líderes,  para enfrentarem esse grande desafio de conduzir pessoas.

4.1- PRINCÍPIO OU LEI DA VISÃO

“A liderança começa quando surge uma visão”.  A visão é o marco divisor entre um líder e um não líder. Ter uma visão é ter uma  IMÁGEM  muito CLARA de algo que o líder quer que seu grupo seja, faça ou alcance. Quando um grupo está sob a direção de alguém que não tem visão, o resultado é confusão, desordem, revolta, abuso de liberdade e anarquia.

A história registra algumas visões que alguns líderes tiveram e que, a partir dela, mudaram a realidade de seu povo, de sua nação. Um exemplo clássico é a visão de Martin Luterking, demonstrada em seu famoso discurso de 1963  no  Lincoln  Memorial. Disse ele: “...Eu tenho um sonho (visão)...meus quatro filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”. Mahatman Gandhi teve uma visão de uma Índia livre, quando ainda era dominada pela Inglaterra. E o que não dizer da visão de Neemias, um dos maiores líderes do povo de Deus? Ele teve a visão de uma cidade forte, reconstruída, com seus muros reerguidos, e, tudo isto, quando só havia destroços (voltaremos a falar mais sobre este grande líder).

A visão pode ser de natureza MICRO ou de natureza  MACRO, ou ainda uma junção das duas. Por exemplo: Um líder de jovens cristãos pode ter uma visão de determinadas tarefas ou programações (VISÃO MICRO), mas com a intenção num objetivo, numa visão maior: que seus liderados alcancem uma maior comunhão com Deus (VISÃO MACRO).

O  líder precisa acalentar sua VISÃO, sonhar com ela, devotar-se a ela, amá-la, dedicar-se de todo o coração,  pensar nela o dia todo para que seu coração flameje (Sl 39:3), de forma que isso se transforme em “Dínamus”, em força propulsora  para  que venha a AGIR em função dessa visão que teve, para que ela venha a concretizar-se. O líder  não é um simples  sonhador ele trabalha para tornar sua visão em algo real. Quando isso acontece a visão deixa de ser só visão e ganha também um caráter de MISSÃO. Contudo para se cumprir uma missão de forma satisfatória, é necessário que se estabeleça METAS, que nada mais são que uma série de passos específicos e mensuráveis, ou seja, para cumprir uma missão é necessário um planejamento estratégico. O próprio Jesus adverte para a necessidade de planejamento no cumprimento de uma missão advinda da visão do líder.  

O líder precisa de uma VISÃO, mas precisa também transforma-la em  MISSÃO, que por sua vez só será cumprida se estabelecido METAS. Quantas visões maravilhosas que não passam de sonhos de “Alice”, por que não foram transformadas em missão, quantas missões fracassadas, por que não tiveram metas definidas.

Muitos líderes acreditam que podem levar suas visões e projetos adiante "somente" com carisma e influência. Não podem! Por isso, muitos fracassam e levam seus liderados ao desânimo e frustração. Estabelecer metas bem definidas é um passo importantissimo para o sucesso do projeto. Isso é, inclusive, um preceito Biblico. Leia  Lucas 14:28-32.

Geralmente as METAS são:

4.1.1-De elaboração (como será o evento na prática)
4.1.2-De organização (o que se precisa para a realização do evento)
4.1.3-De custos (quanto se gastará e como captar recursos)
4.1.4-De alcance (o que se espera do evento)
4.1.5-De marketing (divulgação do evento, caso necessário)
4.1.6-De soluções (aqui  se resolve problemas e imprevistos)
4.1.7-De  avaliação (a missão foi cumprida? Como melhorar?)


Outro ponto importante (trataremos mais detalhadamente no princípio ou lei da influência) é a consciência de que a VISÃO de um líder é diferente da visão de um cientista, por exemplo. O sucesso do cientista beneficiará a muitos, mas, não requer o envolvimento direto delas. O líder trabalha por meio de outras pessoas, por isso precisa ter habilidade para vender sua idéia para seu grupo. Fazer com que cada liderado ASSUMA A IDÉIA como se fora sua. Luterking mais uma vez tem algo a nos ensinar: “sonho que se sonha só é sonho que se sonha só, sonho que se sonha junto é realidade”.
Neemias, assim como tantos outros homens de Deus, teve a visão de uma Jerusalém reconstruída, arregaçou as mangas, estabeleceu  metas e viu a cidade de pé. O próprio Luterking  teve a visão de um país mais justo, sem preconceitos, trabalhou em função dela, exerceu sua influência e obteve êxito. Gandhi teve a visão de uma  Índia  livre, não cruzou os braços e ela tornou-se  realidade. Observe: “Toda mudança permanente e duradoura começa com uma VISÃO”.

“O tamanho do líder e sua importância depende do tamanho e importância de sua VISÃO”. 

Mas, atenção: a visão não pode ser "fantasiosa" a ponto e tornar-se impossível de ser cumprida. Por exemplo: querer levar seu grupo de liderados adolescentes a evangelizar astronautas em órbita; se é que me entendem.

4.2- PRINCÍPIO OU LEI DA INFLUÊNCIA

Mandar é fácil. Ser chefe é fácil. Ser gerente é fácil. O comando de uma equipe quase não se requer empenho quando existe um cargo , uma patente, uma hierarquia. Quando a pessoa que está na posição superior está sob o escudo blindado da autoridade conferida. O diretor de uma empresa manda  e seus subordinados obedecem (sob pena de demissão). O comandante militar ordena e seus subalternos lhe prestam continência. A própria autoridade do policial militar reside em sua farda. Vemos essa verdade até mesmo nas autoridades eclesiásticas constituídas.

Esse tipo de obediência não é exatamente a que um líder ou ainda um futuro líder deve esperar de seus liderados. O líder pode até ter um cargo, ser referendado por uma instituição ou mesmo ter uma patente superior, mas seus liderados não lhe seguirão por causa disso, mas, por que querem, porque precisam, por que são influenciados por ele. Ela (obediência) deriva somente da influência e não pode ser delegada. Liderança sem influência, principalmente nas organizações voluntárias, como o é a igreja, por exemplo, não funciona.

Caso alguém não consiga influenciar naturalmente, ele pode ser um líder? De forma alguma, pois a influência é a essência da liderança. Ele pode até ser um ótimo chefe ou gerente, nunca um líder. O poder da influência entretanto é algo completamente possível de ser adquirido. Basta responder a uma pergunta: Por que algumas pessoas influenciam e outras não? O que há nelas de diferente? Vejamos algumas características que acabam provocando a aparição natural da influência:

4.2.1- AUTENTICIDADE:

Ser autêntico com as pessoas, falar a verdade, ter transparência em seus atos e palavras. Essa era uma das bases mais importantes da liderança de Jesus de Nazaré (ler Mateus 7:28-29) Ele fala como quem tem autoridade). Interessante notar que esse texto confronta exatamente a autoridade de “líderes constituídos” e a de Jesus. Qual o importante cargo que Jesus exercia na sua religião? Qual era seu cargo no judaísmo? Nenhum, apesar disso, influenciava seus seguidores, em contrapartida os líderes constituídos não conseguiam arrebanhar as pessoas, por vontade própria, e isso pela sua falta de autenticidade de suas vidas (Ler Mateus 23:27). A bíblia também nos faz uma séria advertência em Mateus 5:7: “seja o vosso sim sim e o vosso não não”. A influência que o líder está exercendo sobre seu grupo é o termômetro que mede seu poder de liderança.

No evangelho de João 6:58-71 (ler), vemos outro exemplo interessante do que uma vida autêntica pode provocar: Jesus não fazia esforço algum para arrebanhar seus seguidores. Notem que Ele está praticamente mandando seus seguidores embora, mas eles não querem ir, tamanha a influência que Jesus exercia sobre eles devido a autenticidade de suas palavras (ler ainda Efésios 4:25).

Precisamos deixar bem claro que ter um título de prestígio e chefia definitivamente não é o mesmo que ser um líder. “A verdadeira liderança não pode ser concedida, ela é conquistada”. Que confiança os liderados terão se seus líderes não são autênticos?

                      
4.2.2 – HUMILDADE:

Ao contrário do que muitos pensam a humildade confere um poder extraordinário ao líder. Como diz Haggai: “Se espera desenvolver todo seu potencial como líder será  bom aprender a enfrentar a crítica com tranqüilidade. Conta-se uma história de Abrão Lincon que teria dado uma ordem expressa para que seu secretário de guerra  Staton  deslocasse um pelotão para determinado lugar, ele por sua vez recusou-se e ainda criticou o presidente: “Lincon é um bobo”. Quando o presidente dos EUA soube fez a incrível afirmação: “se Staton disse que sou um bobo é porque sou, ele quase sempre está certo”. Reviu sua ordem sem o menor problema e acabou concordando com seu comandante. Isso surpreendeu até Staton, que passou a ser não mais um simples subordinado mais um admirador.

O que não dizer então da humildade do Homem mais poderoso e importante que já pisou na face da terra, Jesus? Desde o seu nascimento passando por toda sua vida (Ler salmo 22 e Isaías 53 e Filipenses 2:6). Não esquecendo do exemplo maior:

“Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés dos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha que estava cingido [...]. compreendeis o que fiz? [...]. Ora, se eu, sendo o senhor e mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns os outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu fiz, façais vós também” (João 13:1-20).



Infelizmente muitos líderes vêm em seus liderados verdadeiros “capachos, empregados, escravos”. Ao invés de os servirem querem ser servidos por eles a todo custo, usando, para isso, a “ordenação” do cargo ou posto que possui. Veja mais uma vez o que Jesus, o maior de todos, em tudo, ensina:

“Convosco não deve ser assim; se alguém quiser ser grande, seja servidor; quem quiser ser o primeiro, seja servo de todos; pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10-43-45).

Moisés é reconhecidamente um dos maiores Líderes que a história da humanidade já conheceu. Ele compreendeu a essência do que significa liderar “ovelhas que não são suas”. No texto de Números 27, Moisés acabara de saber que não entraria na terra prometida; no destino final de sua missão, pela qual lutou durante quarenta longos anos. Essa punição, entretanto, não tinha, para Moisés, uma importância maior. Não que ele não fizesse questão de entrar na terra. Para ele,  exemplo de Líder, havia algo mais importante que seu próprio bem estar, que sua própria vida: a vida de seus Liderados.  Moisés, em momento algum tentou argumentar com Deus a seu favor. Seu alvo, sua preocupação era o povo que conduzia e por ele suplicava; "Senhor, autor e conservador de toda a vida, ponha um homem (um novo líder, já que Deus não permitiria que ele seguisse adiante do povo) sobre esta congregação" (Números 27:15-16).
 
A figura abaixo, na parte superior, representa bem, infelizmente, a visão de Liderança que muitos cultivam hoje. 

Precisamos contudo ter cuidado com a falsa humildade, que é pior que a falta de humildade. Um poeta inglês  Samuel afirmou: “...o pecado mais apreciado pelo Diabo é o orgulho que imita a humildade”. Isso é muito comum no meio religioso. Algumas pessoas para parecer mais humildes e piedosas que as outras afirmam ter uma espécie de linha particular de acesso a Deus; existe alguém mais prepotente do que esta? É a síndrome avisada por Jesus em  Lucas 20:46-47 (Ler). Precisamos nos afastar desse horrível pecado.

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